Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

29
Mar 10

 

 

                Este mito tem a sua origem no boto-cor-de-rosa, um mamífero muito semelhante ao golfinho, que habita a bacia do rio Amazonas, e também pode ser encontrado em países, tais como: Bolívia, Colômbia e Venezuela. As diferenças básicas são as seguintes: o golfinho vive no mar, e o boto vive em água doce, o golfinho tem cor acinzentada e o boto pode ser acinzentado, preto ou possuir cor avermelhada.

 

            A inexistência no Brasil de dados mais concretos até o século XVIII, faz supor que o mito seja de origem branca e mestiça, com projecções nas culturas indígenas e ribeirinhas.

 

            A lenda do Boto é no mínimo interessante. Ela está ligada aos ribeirinhos, às festas juninas, quando são comemorados os aniversários de São João, Santo Antonio e São Pedro, a população ribeirinha da região amazónica celebra estas festas dançando quadrilha, soltando fogos de artifício, fazendo fogueiras e degustando alimentos típicos da região.

 

            Para essas festividades as moças colocam os seus trajes mais bonitos, se enfeitam e aproveitam para namorar enquanto os seus pais conversam distraídos e alheios a tudo.

 

             Reza a lenda, que nessas noites, geralmente de luar o boto-cor-de-rosa sai do rio transformando-se num jovem elegante e belo, beberrão e bom dançarino, muito bem vestido trajando roupas, chapéu e calçados brancos.

 

            O chapéu é utilizado para ocultar (já que a transformação não é completa) um grande orifício no alto da cabeça, feito para o boto respirar. É graças a este facto que, durante as festividades de junho, quando aparece um rapaz usando chapéu, as pessoas lhe pedem para que ele o retire no intuito de se certificarem de que não é o Boto que ali está.

 

            A tradição amazónica diz que o Boto carrega uma espada presa ao seu cinto, mas que, no fim da madrugada, quando é chegada a hora de ele voltar ao leito do rio, é possível observar que todos seus acessórios são, na verdade, de outros habitantes do rio. A espada é um poraquê (peixe-elétrico), o chapéu é uma arraia e, finalmente, o cinto e os sapatos são outros dois diferentes tipos de peixes.

 

            Este desconhecido e atraente cavalheiro, deixa as moças todas encantadas, e conquista com facilidade a mais bela e desacompanhada jovem, que ao cruzar o seu caminho e, em seguida, dança com ela toda a noite e a seduz, e a guia até ao fundo do rio. E ali, tece e acontece, e o amor vinga de uma maneira, simples e directa, mas cheia de encanto e magia, aí ela engravida.

 

            Só que depois, some e nunca mais é visto pelas redondezas, e a garota carrega no ventre o fruto de uma noite de encantamento sem no entanto mostrar-se arrependida do acto consumado. Dizem que geralmente nasce um menino, o filho do Boto.

 

            Por isso, as jovens eram alertadas por mulheres mais velhas para terem cuidado com os galanteios de homens muito bonitos durante as festas, tudo pra evitar ser seduzida pelo infalível boto e a possibilidade de tornar-se, por exemplo, uma mãe solteira e, assim, virar motivo de fofocas ou zombarias.

 

            Hoje nos interiores do Pará, todas as pessoas gostam de contar ou narrar aos visitantes que chegam uma série de histórias extravagantes, em que a figura como herói é o Boto. É considerado como grande sedutor das índias e elas alegam que o seu primeiro filho e com muita certeza é dele, dando crédito a este deus que transformado na figura de mortal seduziu e arrebatou para debaixo de água, onde a infeliz foi forçada a fazer sexo com ele, estas mulheres caboclas ou índias, são conquistadas às margens dos rios quando vão banhar-se, ou nas festas realizadas no interior ou próximos dos rios.

  

            O Boto ou Uauiara, também é conhecido por ser uma espécie de protector das mulheres, cujas embarcações naufragam. Muitas pessoas dizem que, em tais situações, o Boto aparece empurrando as mulheres para as margens do rio, a fim de evitar que elas se afoguem, as intenções disso até hoje não são muito conhecidas…

  

            Assim sendo, na região norte do Brasil, quando as pessoas desejam justificar a geração de um filho fora do casamento, ou um filho do qual não se conhece o pai, é comum ouvir q ue a criança é filha do Boto.


            Os órgãos sexuais quer do Boto, quer da sua fêmea, são muito utilizados em feitiçaria, visando a conquista ou domínio do ente amado. Porém o mais utilizado do mesmo é o olho do Boto, que é considerado amuleto do mais forte na arte do amor e sorte.


            Dizem mesmo que, segurando na mão um amuleto feito de olho de Boto tem que ter cuidado para quem olhar, pois o efeito é fulminante: pode atrair até mesmo pessoas do mesmo sexo, que ficam apaixonadas pelo possuidor do olho de Boto, sendo difícil de desfazer o efeito...


            Conta-se algumas histórias em que maridos desconfiados de que alguém estava a tentar conquistar as suas mulheres armaram uma cilada para pegar o conquistador. A cilada geralmente acontece à noite, aonde o marido vai a luta com o seu rival, mesmo ferido, consegue fugir e atirar-se à água. No dia seguinte, para a surpresa do marido e demais pessoas que acompanharam a luta, o cadáver aparece na beira de água com o ferimento da faca, ou de tiros, ou ainda com o arpão cravado no corpo, conforme a arma utilizada, não de um homem, mas pura e simplesmente um Boto.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:06
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