Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

28
Fev 10

 

            Há muitos e muitos anos no Japão, existiu um homem muito rico, que vivia lustrando uma estatueta de Buda fundida em ouro. Sentia-se orgulhoso mostrando a toda a gente aquela preciosidade que lhe pertencia.
 
            Num quartinho no fundo do quintal de sua mansão, vivia um jovem empregado, cujo trabalho diário consistia em preparar banho quente de imersão (ofurô) para todos que lá viviam.
            Um dia, quando o jovem foi à montanha cortar lenha, encontrou um toco de árvore retorcido, cuja forma lembrava uma estatueta de Buda. O rapaz levou-o para seu quarto e, com uma faca conseguiu um belo trabalho, fazendo acabamento na madeira. Então, colocou-o sobre um móvel e, diariamente, rezava para o Buda de madeira. Uma oração simples, mas com toda a dedicação, pois assim ele se sentia protegido.
 
            Certo dia, um dos criados que queria agradar ao patrão sugeriu que fosse realizada uma luta de sumô entre o Buda de ouro e o Buda de madeira.
            – Patrão, o seu Buda de ouro é magnífico. Com certeza que vai vencer a luta de sumô.
            – Sem dúvida nenhuma.
            Assim, mandou chamar o jovem e fez a seguinte proposta:
Se o teu Buda de madeira vencer a luta, dou-te toda a minha fortuna. E todos os dias vou preparar o ofurô para ti da mansão. Esta é uma proposta irrecusável.

            O jovem voltou ao seu quartinho e contou ao Buda de madeira a proposta que havia recebido. Mas se sentia desconfortável ao tratar o seu Buda como se fosse um objecto de apostas.
            Porém, o Buda de madeira disse:
            – Por mim está bem assim, não te preocupes. Vamos nessa.

            O jovem apanhou um susto, pois era a primeira vez que ouvia o seu Buda falar. Depois, recuperado do susto, levou o seu Buda para a disputa. Todos, excepto o jovem, achavam que o Buda de ouro ganharia a luta.
            A luta consistia em colocar os dois Buda sobre um tablado redondo, imitando a arena de sumô. Os dois jogadores batiam com os punhos de leve, porém repetidamente no suporte, fazendo vibrar a arena. Um Buda empurraria o outro movido pela vibração.
            Aquele que caísse ou saísse da arena perdia a luta. Teoricamente, o Buda de ouro venceria a partida, pois ouro é muito mais pesado que madeira, portanto, mais difícil de ser derrubado, ou de ser empurrado para fora por causa da vibração.
            Todos queriam apostar na vitória do Buda de ouro. Entretanto, quando começou o embate, o Buda de madeira foi empurrando o Buda de ouro até a borda da arena. Para surpresa de todos, o Buda de ouro foi posto para fora da arena.

            Desesperado, o homem rico perguntou ao seu Buda:
            – Por tua causa tornei-me um homem pobre. Por que foste cair?
            – Não queiras me culpar, porque o culpado és tu. Faltou devoção de tua parte, por isso, eu não tenho força. Como tu querias apenas me exibir para toda a gente por eu ser de ouro, vivias me lustrando ao invés de rezar. Eu estava tão liso de lustro, que o Buda de madeira me deu apenas um empurrão e eu escorreguei para fora da arena.
            Nesse momento, o homem reconheceu seu erro e prometeu que mudaria seu modo de ser.
            O jovem ficou muito feliz com a vitória. Recebeu a fortuna prometida e viveu feliz para sempre, pois era muito generoso e distribuía comida diariamente para os pobres da região.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
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            A primeira classificação que se fez no Zodíaco, e a mais importante é baseada na teoria dos quatro elementos da natureza, a saber: Fogo, Terra, Ar e Água, ou seja a das quadruplicidades, assim chamada porque divide o Zodíaco em quatro grupos de três signos cada. Isso significa que a cada dos citados elementos correspondem três signos diferentes, a saber:
 
            1 – Signos do Fogo: Carneiro, Leão e Sagitário
            2 – Signos da Terra: Touro, Virgem e Capricórnio
            3 – Signos do Ar: Gémeos, Balança e Aquário
            4 – Signos da Água: Caranguejo, Escorpião e Peixes
 
            O seu significado ou caracterização é a seguinte:
 
            Signos do Fogo: É considerado como uma combinação de quente e seco, com predominância do primeiro elemento, que proporciona calor, expansão e movimento. As induções de um signo desta classe são de natureza elevada. Sob os pontos de vista físicos e psicológicos, conferem força, poder, vigor, energia, tendência para a acção e a expansão, ardor, actividade e independência.
            No seu aspecto negativo, ou maléfico, predispõem à violência, à cólera, à ira, ao despotismo, à agressividade, às tendências dominadoras ou ditatoriais, ao absolutismo e ao exagero.
            Sob o ponto de vista do destino, pressagia luta e esforços, no sentido de conseguir aquilo que se deseja.
 
            Signos da Terra: É uma combinação de frio e seco, com predominância deste último. Mas, se por um lado, a secura conduz à rigidez e à tensão, o frio confere, por outro, à concentração, coesão, fleuma, calma, objectividade e duração.
            Considere-se que a terra é o elemento mais positivo e materialista que existe. Sob os pontos de vista físico e psicológico, proporciona paciência e resistência perante o fracasso. As pessoas que se encontram sob a influência possuem, ainda um carácter firma, íntegro, tenaz, perseverante, bastante estável e cheio de sentido prático, como traços positivos.
                Quando caem no aspecto contrário, apresentam-se inclinados ao fanatismo, à avareza. Ao egoísmo, ao materialismo exagerado, à teimosia a à obstinação. Prognostica estabilidade e permanência, em tudo o que o destino se refere.
                Signos do Ar: É uma combinação do húmido e do quente, com predominância do primeiro, que tende a proporcionar fluidez e elasticidade. O quente confere expansão e mobilidade, de modo que nada há de estranho em que, sob os pontos de vista físico e psicológico, o signo de que nos ocupamos induza à mobilidade, ao movimento, à adaptabilidade, às reacções cerebrais vivas, embora sejam superficiais e pouco tenazes. E também à flexibilidade, à inteligência, à intuição, à diplomacia, ao sentido artístico, ao talento inventivo, à subtileza e à sociabilidade.
            No seu aspecto negativo, produz a inconstância, a apatia, a versatilidade, a dispersão de esforços, a indecisão, a passividade, a frieza e a falta de ambições. Sob o ponto de vista do destino, prediz mudanças e instabilidade.
 
            Signos da Água: Combinam-se neles o frio e o húmido, mas predomina o primeiro que, induz à concentração, à fleuma a à calma. Sob os pontos de vista físicos e psicológicos, proporciona passividade, inércia, receptividade, memória, sensibilidade, tacto, emotividade, moderação e bons sentimentos. Os nativos são, além disso capazes de certa tenacidade (já que a água, embora facilmente moldável no que se refere à forma, conserva sempre o mesmo volume).
            E costumam caracterizar-se, no seu aspecto negativo, pela inércia, a preguiça, a falta de agressividade, a propensão às fantasias, à debilidade de carácter e à frieza. Sob o ponto de vista do destino, deve-se dizer que um signo deste tipo pressagia flutuações e sujeição às influências procedentes de situações exteriores ao nativo.
 
PROF. KIBER SITHERC
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27
Fev 10

 

            Johannes Cuntius Pentsch foi um comerciante da Silésia (Polónia). Um dia, em 1592, enquanto se recuperava de uma queda de seu cavalo, um gato preto entrou no seu quarto e atacou-o até à morte. Após o enterro, o vigia da cidade começou a relatar ruídos estranhos vindos da casa de Cuntius todas as noites. Outras histórias extraordinárias foram relatadas de outras residências.
 
            Uma empregada, por exemplo, relatou ter ouvido alguém cavalgando em volta da casa e depois para o dentro do edifício, abalando-o violentamente. Em outras noites, apareceu Cuntius e teve encontros violentos com antigos conhecidos, amigos e membros da família. Entrou no quarto e exigiu dividir a cama com a mulher.
 
            Como outras aparições Cuntius tinha uma presença física e uma força extraordinária. Numa ocasião, relata-se que arrancou dois postes firmemente enterrados no solo. Todavia, em outras ocasiões ele aparentemente operava de forma não corporal (como um fantasma), desaparecia subitamente quando era acesa uma vela em sua presença. Dizia-se que Cuntius cheirava mal e tinha extremo mau hálito. Relata-se que uma vez transformou sangue em leite.
 
            Sugava as vacas até  que ficassem sem sangue, numa tentativa de chamar a atenção, não somente de sua esposa mas como também de diversas mulheres de sua cidade. Uma pessoa a qual tocou disse que a sua mão era fria como o gelo.
 
            Diversos buracos dando para o local de seu caixão apareceram ao lado do túmulo. Os buracos foram preenchidos, mas reapareceram na noite seguinte. Os moradores da cidade, incapazes de encontrar uma solução para essas ocorrências,  resolveram verificar finalmente  o cemitério, cavaram diversos túmulos.
 
            Todos os corpos estavam em adiantado estado de decomposição, menos o de Cuntius. Embora já estivesse enterrado  a seis meses, o seu corpo ainda estava macio e flexível. Puseram um bastão na mão do morto e ele o agarrou. Cortaram o corpo e o sangue espirrou.
            Foi convocada uma audiência judicial formal, sendo pronunciado um julgamento contra o cadáver. Foram dadas ordens para que o corpo fosse queimado. Como este demorou a queimar, o corpo foi cortado em pedacinhos, o executor relatou que o sangue estava fresco e puro.
            Após a cremação, a figura de Cuntius nunca mais foi vista.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
  

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            Protagoniza esta lenda, uma das mais interessantes figuras de mulher da Idade Média peninsular, a Condessa Mumadona Dias.
            Penafiel será topónimo derivado de castelo assente em rochas firmes ou recordará momentos trágicos da vida da Condessa? Possivelmente, a resposta certa estará naquela, mas romanticamente prefere-se esta. Sabemos, no entanto, que a 24 de Março de 1770, D. José decretou: “ Hei por bem e me apraz que a dita povoação de Arrifana de Sousa fique criada em cidade com o nome de Penafiel”.
 
            Em tempos que já lá vão, Penafiel era o nome de uma zona onde havia várias povoações, a mais importante das quais era Arrifana de Sousa, que chegou a ser cabeça de concelho por foral de D. Manuel I em 1518. Mas, por volta de 950, Mumadona Dias, senhora daquelas e de muitas outras terras, já era viúva do Conde Hermenegildo que muito chorava.
 
            Frequentemente, ia lamentar-se para junto do túmulo do marido, a quem gabava sempre os seus filhos mis novos, Nuno e Arriana, lamentando o espírito aventureiro dos quatros mais velhos. Quando chegou a altura das partilhas, Mumadona beneficiou os seus filhos favoritos. No entanto, estes optaram por viver com a sua mãe, dizendo Nuno que só a morte os separaria, enquanto a irmã protestava que nunca ia casaria.
 
            Certo dia, Mumadona Dias foi visitada por um vizinho, Mendo de Sousa, fidalgo poderoso, que lhe disse mais ou menos assim:
            - Senhora, conheceis quem sou e o que valho. Ninguém se me pode comparar em poderio. E deveis considerar uma honra para a vossa casa que eu queria casar com a vossa filha Arrifana.
            Mumadona rectificou o nome da filha, Arriana. Mas a verdade é que durante a conversa de pretensão – aquilo nem era bem um pedido! – o fidalgo sempre dizia Arrifana, por muito que fosse corrigido. Mumadona informou-o de que a filha saberia escolher, e ele queria que a mãe o impusesse. Perante Arriana, Mendo de Sousa foi rejeitado. E sempre lhe chamava Arrifana!...
 
            Passados tempos, Nuno morreu de doença, passando Mumadona Dias e sua filha Arriana, cheias de saudades, a chorá-lo. E andavam sempre juntas naquela tristeza.
            - Para todo o sempre, esta há-de ficar a ser a terra da nossa pena fiel! – dizia a fidalga.
            - Sim, minha mãe, a pena fiel pelo nosso querido Nuno! – respondia tristíssima, Arriana.
 
            E assim, nas voltas do tempo, lá se foram deste mundo mãe e filha, acabando D. Mendo de Sousa por ficar dono e Senhor de mais aquelas terras. E, apesar de já estar muito velho e enfraquecido, quando se enterraram os vizinhos e se apossou de tudo aquilo, ficou muito satisfeito e resmungou que, por fim, aquilo tudo era dele. Não casara com ela, mas era dono das suas terras. E deu-lhes o nome que mais gostava combinado com o seu apelido:
            - Serão as Terras de Arrifana de Sousa!
            E assim ficaram a chamar-se aquelas terras, até que D. José I, sabedor da Lenda, lhes passou a dar o nome oficial e romântico de Penafiel.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 18:13

 

            No templo Byodo-in, onde havia famosos monges guerreiros, o “guardião do tesouro budista” morreu numa luta com o famoso espadachim Miyamoto Musashi. O mestre superior convocou, então, todos os monges lanceiros para escolher quem ocuparia o honroso cargo.
 
            – Será o guardião do tesouro budista aquele, dentre vós, que conseguir solucionar o problema que eu vou apresentar – disse o mestre aos discípulos que estavam concentrados no grande salão.
            Acto seguinte, o mestre colocou uma mesinha e, sobre ela, fez um lindo arranjo floral.
            – Eis o problema! Resolvam!
            Todos ficaram olhando a bela ikebana sem entender o que o mestre quis expressar com aquele arranjo, simples, porém de extrema beleza. Então, começou um zunzum de pessoas pensando alto:
            – O que significa?
            – Qual é o mistério?
            – Por que um vaso achatado e uma flor esguia? Seria in (yin) e yô (yang)?
            – O que a ikebana está representando?
            De repente, um dos discípulos levantou-se empunhando uma lança, foi até o centro do salão e, num gesto rápido, decepou a flor e destruiu o vaso. Depois, voltou ao seu lugar e sentou-se.
 
            – Você é o novo guardião do tesouro budista – disse o mestre. Não importa que o problema seja algo de extrema beleza. Se for um problema, precisa ser eliminado.
            Nunca é demais lembrar um pensamento japonês que diz: “Não é possível beber saquê numa xícara cheia de chá; é necessário esvaziar primeiro a xícara, para então enchê-la de saquê”.
 
PROF. KIBER SITHERC 

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 02:17

26
Fev 10

 

            Primitivamente pertencente à freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, com a com a criação, em 1996, da freguesia do Jardim da Serra, a Furneira acabaria por ficar repartida por estas duas freguesias.

            A sua denominação tem a ver com a existência de várias furnas na localidade, algumas das quais, segundo a tradição, teriam servido de habitação a mouros, que para ali se vieram fixar, sendo outras utilizadas para a recolha de animais, apresentando as destinadas a habitação características diferentes das destinadas a animais.

            Relativamente aos mouros, apesar de não existirem documentos que comprovem a sua presença na localidade, a verdade é que as pessoas mais idosos, com base em informações que lhe foram transmitidas oralmente por seus pais e avós, que por sua vez, as haviam recebido da mesma forma, afirmam peremptoriamente, a sua presença chegando até ao pormenor de identificar alguns dos habitantes deste e de sítios limítrofes, como seus descendentes.

            Para além de, nalguns casos, apresentarem alguns discretos traços fisionómicos similares aos habitantes do Norte de África, a estas famílias encontram-se associadas comportamentos reveladores de alguma agressividade e que, são suficientes para que a generalidade da população, que os conhece, mantenha alguns cuidados no seu relacionamento com eles e, só à boca pequena, se atrevam a tecer comentários sobre as suas origens.

            Ainda que não se saiba ao certo a origem da comunidade tida como moura e acreditando-se como certa, desde tempos remotos, a sua presença, nesta localidade, é possível admitir que ela se tivesse constituído a partir de escravos que foragidos do povoado, ali se refugiaram.
            A presença, junto das furnas, de infra-estruturas destinadas à conservação de alguns produtos utilizados na sua alimentação é outra das provas de que estas terão em tempos sido utilizadas como habitação.

            Aliás, a presença de mouros nesta região é ainda atestada pela toponímia, que chamou de banda de Mouro a um lugar, próximo da Furneira, no sítio do Pomar Novo e onde, uma lenda diz ali existir uma mina de ouro e estar acorrentada e encantada uma moura, cujo desencanto constitui a chave para a acessibilidade ao tesouro.

            Este lugar é referenciado pela existência de uma um talude de cor amarelo ouro, donde brota água proveniente de uma nascente ai localizada.

            Segundo a lenda, para desencantar a moura e ter acesso ao tesouro, que ela guarda, é necessário cumprir escrupulosamente um ritual que consiste em lá ir um dia à meia-noite, provido de um gato ou galinha preta, de uma garrafa de aguardente, ler uma determinada passagem do livro de São Cipriano e cavar 7 palmos ou 7 passos distante da nascente, em direcção a poente.

            Contudo, apesar de já várias tentativas terem sido efectuadas, para desencantar a moura, tal ainda hoje não aconteceu, talvez porque o tesouro e a moura encantada não passem mesmo de uma lenda, ou porque o ritual não foi escrupulosamente cumprido.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
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publicado por professorkibersitherc às 22:36

 

            Em tempos antiquíssimos, antes dos guerreiros samurais e de seus enormes castelos, o Grande Santuário de Ise, da religião nativa xintoísmo, era a mais bela obra construída pelo homem no Japão. Havia uma expressão popular que dizia: “Visitar o Grande Santuário de Ise e morrer!”. Era desejo do povo japonês da época visitar esse famoso santuário, pelo menos uma vez na vida. Esse desejo, conforme contam as lendas, não se limitava apenas ao homem, mas a todos os seres viventes.

            Naquela época, moravam, numa montanha na província de Mie, um macaco e uma carpa. Certa ocasião, o macaco estava na margem do rio, e a carpa comentou:
            – Há muito tempo que tenho vontade de visitar o Santuário de Ise.
            – Eu também sempre tive esse desejo. Por que não vamos juntos? – perguntou o macaco.

            Dito e feito. A carpa saiu nadando rio abaixo e o macaco desceu a montanha pulando de galho a galho, até encontrar um enorme campo. O macaco mediu com os olhos a dimensão da pradaria e disse à carpa:
            – Eu gosto de montanhas cheias de árvores e confesso que sou um fracasso para percorrer um campo tão grande e tão recto. Não sei o que fazer...
            Enquanto eles pensavam numa solução, apareceu por lá, de passagem, um cavalo e perguntou:
            – O que vocês fazem tão pensativos?

            Então o macaco contou que pretendiam visitar o Grande Santuário de Ise, mas estavam em dificuldades, pois o verde campo que tinham que atravessar eram demais para as suas pernas tortas.
            – Visitar o Santuário de Ise é uma maravilha. Eu também sempre tive esse desejo. Deixem-me acompanhar vocês. Venha, macaco, suba no meu dorso e vamos embora.
            Assim, o macaco montou nas costas do cavalo, e a carpa seguiu nadando pelo rio.
            Mais para frente, o rio em que a carpa seguia nadando desembocava numa praia. Então, a carpa parou e disse para os dois amigos:
            – Eu não gosto do mar. Não consigo nadar em águas salgadas.

            A carpa, o macaco e o cavalo ficaram pensando em como vencer aquela dificuldade.
            – Eu tenho uma boa ideia – disse o macaco, logo em seguida – Precisamos providenciar um balde, colocar água doce nele e a carpa vai andando junto com a gente dentro do balde.
            – Um balde cheio de água é pesado. Eu não tenho mão para carregá-lo – disse o cavalo.

            – Deixe comigo, que eu tomo conta da carpa – disse o macaco, todo prestativo.
E o macaco foi até o povoado e trouxe um balde de madeira, típico balde japonês daquela época. Encheu-o de água, colocou a carpa dentro dele e subiu no dorso do cavalo com o balde.

            – Obrigada pela ajuda – disse a carpa, agradecida.
            – Foi uma grande ideia – observou o cavalo.

            Assim, seguiram a viagem ao Santuário de Ise, quase todos muito felizes.
Quase, porque o cavalo teve que carregar o macaco e um balde de madeira cheio de água nas costas. A carpa, apesar de não fazer nenhum esforço dentro do balde, não conseguia apreciar a bela paisagem a caminho do santuário. Já o macaco, sentado confortavelmente no dorso do cavalo, usufruiu a visão privilegiada do alto e ia ditando o caminho:
            - Agora, vire à direita e, em seguida, vire à esquerda!

            Assim, chegaram ao Santuário de Ise sem maiores problemas, provando que “a união faz a força” e que quem tem ideias faz menor esforço.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 22:03

 

             A Levada da Velha que teria sido construída para captação de água no Curral das Freiras e seu transporte até ao Estreito, Quinta Grande e Campanário, permanece ainda hoje envolvida num grande mistério, onde o real se confunde com o lendário. Efectivamente  se não subsistem dúvidas sobre a existência de segmentos do traçado dessa levada cavada nos rochedos do Curral, já todo o processo que envolveu a  sua construção é pouco claro e difícil de explicar, situação que muito provavelmente fez eclodir a imaginação popular, atribuindo a sua construção a uma velha rica.
 
            Quem se deslocar de automóvel à freguesia do Curral das Freiras e, a partir do lugar da Estrela começar a olhar com alguma atenção para os rochedos que constituem o limite oeste do Curral das Freiras e que o separam da freguesia do Estreito e do Jardim da Serra, verificará que em determinadas zonas existem vestígios de um e às vezes de dois traços horizontais e paralelos cavados na rocha.  Melhor apreciados desde a Eira do Serrado ou a partir do troço de estrada entre os dois túneis de acesso ao Curral das Freiras, estes sulcos correspondem a uma antiga levada, denominada de Levada da Velha, por ter sido, segundo a tradição, mandada construir por uma velha rica para irrigar as suas propriedades nas freguesias da Quinta Grande e do Campanário.

            Ainda que, a este propósito, a informação escrita seja muito escassa, encontramos quer em 1933, quer em 1952, no Jornal da Madeira, dois textos aparentemente do mesmo autor, que não só descrevem com algum pormenor aquilo que a tradição oral fez chegar até aos nossos dias, como adiantam algumas explicações relativamente ao construtor e época em que foi construída e, que apesar de especulativas, não deixam de parecerem convincentes.
 

            Segundo o Jornal da Madeira de 27 de Julho de 1952, “os mais antigos aquedutos, hoje abandonados por várias circunstâncias, passaram a ser denominados genericamente por levadas velhas, ou no singular, levada velha. Esta denominação facilmente se converteu em Levada da Velha.
            A mais antiga e mais célebre refere-se a um aqueduto que conduziria água de rega desde os flancos do Pico Ruivo e Torres em direcção à Boca dos Namorados, atravessando despenhadeiros e rochas alcantiladas, num percurso de mais de 20 quilómetros.
            Nenhum documento escrito demonstra a existência deste aqueduto, mas é certo que existiram dois, em vez de um, no sítio já indicado, como se prova à evidência, pelos vestígios de duas linhas paralelas, obliteradas onde o terreno era movediço, mas cortadas a picareta em rochas vivas ou moles, como se pode verificar encontram-se pedaços de caixa de levada, cavada na rocha, que os séculos ainda não destruíram.
            Aqueles aquedutos foram construídos em remotíssima época, provavelmente no último quartel do século XV e um deles deveria ser destinado à irrigação de terrenos do Estreito, Quinta Grande e Campanário. Ainda existem nessas paróquias alguns vestígios e tradições da obra formidável, de incalculáveis vantagens agrícolas e económicas”.
 
            Quem a mandou construir?
            O destino das águas, referenciado na tradição oral como sendo Quinta Grande e Campanário, associado à falta de informação, a propósito da data da sua construção, permite-nos não só admitir que ela tenha acontecido em tempos muito remotos, como ainda admitir que a sua construção possa ser atribuída a Rui Teixeira. Para além de possuir propriedades no Campanário, onde residia, Rui Teixeira era também proprietário do Curral, terrenos que haviam sido doados, a 22 ou 28 de Agosto de 1474 a sua mulher Branca Ferreira, por João Ferreira, que por sua vez os havia recebido, por sesmaria, do primeiro capitão donatário, João Gonçalves Zarco.
            Só assim se compreende a relação entre o Curral das Freiras e o Campanário e a acessibilidade, por parte do proprietário do Campanário, às águas nascidas no Curral das Freiras.

            Ainda que a tradição refira que a levada foi mandada construir por uma velha rica e que o Padre Eduardo Clemente Nunes Pereira, nas Ilhas de Zarco chega a referir como sendo de origem  castelhana ou moura, o autor do texto publicado no Jornal da Madeira, que vimos citando, rejeita naturalmente esta hipótese. Ao se interrogar sobre quem havia mandado construir a Levada da Velha, coloca também de fora a hipótese de ter sido o Estado a construí-la, uma vez que se o tivesse sido, seria de admitir a existência de documentação escrita, o mesmo acontecendo com a hipótese de se ter tratado de um empreendimento de natureza popular. Era pouco viável que o povo fosse capaz de se unir  para um empreendimento tão dispendioso, difícil e demorado na execução.
            Sendo assim, só havia uma hipótese que adianta tanto no texto de 1933 como no de 1952: O Curral das Freiras pertenceu, até ao último quartel do século XV a Rui Teixeira, casado com D. Branca Ferreira, residente no Campanário.

            Nesse tempo,   os donatários, além de riqueza em propriedades e dinheiro, tinham ao seu serviço centenas de escravos que obedeciam cegamente aos seus senhores.
            Rui Teixeira, homem de vistas largas, corajoso e empreendedor, concebeu o arrojado pensamento, seguido de execução, de valorizar os seus domínios no actual concelho de Câmara de Lobos pela irrigação, conduzindo até lá, em aqueduto as águas que nasciam nas fraldas do Pico Ruivo e montes anexos.
 
            Porquê duas levadas?
            Encontrado o construtor, o articulista do Jornal da Madeira interroga-se sobre os motivos da existência de dois aquedutos, desde as rochas da Boca dos Namorados até à região das nascentes.
            E a explicação dada também não deixa de ser convincente. Apesar de possuir meios humanos e financeiros faltariam a Rui Teixeira meios técnicos, ou seja um Amaro da Costa, que como todos sabem foi o autor do projecto da levada do Norte. Ora, esta falha viria a condicionar alguns erros de cálculo na sua construção.
            Rui Teixeira terá começado por construir uma levada a partir das rochas da Boca dos Namorados, mas quando chegou à zona das nascentes, esta sairia acima delas, facto que impedia a captação das suas águas. Contudo, não desanimou e deu início a outra levada, partindo desta vez, das nascentes e trazendo a água a servir de nível.
            Explicada satisfatoriamente a existência de dois aquedutos paralelos que ainda hoje se reconhecem facilmente, nalgumas zonas, faltava agora explicar o abandono a que ficou votada e que, ao que parece, nunca terá chegado a transportar água.
            Da mesma forma que se procurou na relação entre as propriedades do Campanário e Curral das Freiras, uma justificação para o início do empreendimento, também se aponta o fim dessa relação para o seu abandono. Com efeito, por escritura de 11 de Setembro de 1480, Rui Teixeira vendeu os terrenos que possuía no Curral das Freiras ao 2º Capitão Donatário do Funchal, João Gonçalves da Câmara que, possuindo outros interesses não terá dado continuidade ao projecto inicial.
 
            A maldição cai sobre a velha.
            Ainda que não havendo certezas relativamente ao facto da água ter chegado, ou não, a sair do Curral das Freiras, a tradição diz que chegou mesmo à freguesia do Estreito e até ao Campanário, mas que a velha muito rica, a quem a lenda atribui a autoria do empreendimento, depois de ver chegar a água, em vez de agradecer a Deus a graça alcançada pôs-se a lamentar o dinheiro gasto nos seguintes termos:
 
            - Levada, minha levada.
            Levada que aqui me tens.
            Gastei uma pipa de patacas.
            E um quarto de vinténs.
 
            A partir desse momento, como castigo, a levada começou a rebentar ora numa parte, ora noutra, não sendo mais possível pôr a água a correr.

            Uma outra versão da lenda da levada da velha refere que a velha terá também morrido, por castigo de Deus, por não ter agradecido a Nosso Senhor, com humildade e acção de graças, o auxílio dispensado à obra, que parecia impossível de realizar-se, e que os seus herdeiros aterrorizados por aquele divino castigo, ou desinteressados do alto valor da obra, abandonaram-na até perderem o direito às referidas águas, que passaram para a Levada do Castelejo ou de Santo Amaro, construída muito tempo depois.

            A propósito da levada da velha, o Heraldo da Madeira na sua edição de 16 de Maio de 1909 dá outro desfecho à velha, ao referir que a velha teria falecido de desgosto ao ver que depois de ter gasto tanto dinheiro, o empreendimento não havia resultado, em virtude do defeito de desnivelamento verificado na sua construção.
Azar de uns sorte de outros!

            No dizer, do autor do artigo publicado em 1933 no Jornal da Madeira, a propósito da levada da velha,  se estas levadas tivessem funcionado, não haveria quase que cultura nem no Curral das Freiras, nem em São Martinho, nem em Câmara de Lobos porque as levadas dos Piornais, do Castelejo e da Torre não teriam metade da água.
            Reforçando ainda mais o seu pensamento refere que se a levada da velha, como o povo lhe chama não tivesse sido abandonada, a balança da fortuna ter-se-ia inclinado completamente para as freguesias do Estreito, Quinta Grande Campanário e Ribeira Brava e o Curral das Freiras, São Martinho e São Pedro beneficiadas pelas águas do Castelejo e Piornais seriam hoje (1933) terrenos árduos como a maior parte do Caniço e São Gonçalo.
 
            A levada e a veia poética  popular.
            Construída pela tal velha rica, por Rui Teixeira ou por outra entidade, um facto incontestável é que, passados tantos e tantos anos, lá está a marca da levada, levada essa que continuará, muito provavelmente, sem que se saiba a sua verdadeira história e, por isso mesmo, a ser tema de lenda e alvo de inspiração para a veia poética popular, como demonstram os versos recolhidos pelo Grupo Folclórico do Curral das Freiras e que servem até de tema do seu reportório:
 
Era uma senhora rica
E já de maior idade
Tinha uma grande fazenda
Não tinha água para rega.
Estava sempre a pensar
Aquilo que ia fazer
Vou arranjar a levada
Para ter muito comer.
Os homens eu já tenho
Vamos todos trabalhar
Quando a água chegar
A fazenda vou regar.
Levada minha levada
Levada que aqui me tens
Gastei uma pipa de patacas
E um quarto de vinténs.
Com a água da fazenda
Já estava a regar
Não dei as graças a Deus
Começou a rebentar.
A levada rebentou
Ficou o vizinho gloriado
Que tinha gasto o dinheiro
E não me tinha lucrado.
 
PROF. KIBER SITHERC 

 

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:44

 

            Fora dos dois grandes pólos (Funchal e Machico) de colonização, foi o Caniço uma das primeiras porções de terra a serem povoadas e onde sem demora se procedeu ao loteamento e cultivo das terras.
 
            Começaram por surgir então várias fazendas povoadas, tendo alguns dos primitivos colonizadores aqui se estabelecido e cultivado muitas terras de sesmaria e outros vieram mais tarde estabelecer-se, alargando a área da população e a cultura e amanho dos terrenos incultos.
           
            Mas, nem tudo foram rosas, pois diz a lenda que por este sítio, do Caniço, apareceu de noite o diabo, em forma de caminheiro, a um clérigo, que tinha fama de possante, cometendo-o a experimentar forças e o foi levando ladeira abaixo sobre alta rocha par que lutassem. Pressentindo o logro, se benzeu o padre e ali se deitou o demónio pela penedia com grande ruído, arrastando consigo uma quebrada.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 19:40

 

            Esta é a lenda que deu origem ao nome à cidade de Mirandela.
            O Rei de Orelhão, que tinha uma orelha de burro e outra de cão e era o senhor das terras da bacia que hoje tem o nome Orelhão e Lila, vivia no castelo de Orelhão. Apaixonara-se por uma princesa que vivia na Serra dos Passos e tentara seduzi-la. Mas a princesa não respondia favoravelmente aos propósitos do rei.

            Um dia a princesa fugiu do castelo em direcção ao rio Tua. O Rei começou a buscá-la mas tinha medo de descer ao vale. Algures nos píncaros da Serra, triste e cansado, olhava o horizonte.
            Um vassalo perguntou:
            - Que tendes Alteza?
            - Estou à mira dela! – respondeu com voz triste.

            Desta expressão nasceu a palavra Mirandela e diz o povo que quem Mirandela mirou nela ficou. Afirmam ainda que a Princesa do Tua ao fugir do Rei de Orelhão deixou a sua coroa na Serra dos Passos.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
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publicado por professorkibersitherc às 19:06


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