Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

29
Abr 10

 

                A construção do castelo de Penha Garcia (concelho de Idanha-a-Nova), deve-se a D. Sancho I, embora existam vestígios que remontam ao período romano e outros muito anteriores. Do período pré-histórico há conhecimento de vários testemunhos tais como castros, antas e diversos utensílios.

 

             Em 1256, o rei D. Afonso III concede foral a Penha Garcia. Nos princípios do século XIV a vila é doada aos Templários. Desta passa para a Ordem de Cristo e no século XVI volta à posse do rei. Na Igreja Matriz, reconstruída recentemente, existem vestígios da anterior igreja que em 1515 já aparecia em desenhos da época. No seu interior uma raríssima imagem gótica, em pedra de Ançã, da Senhora do Leite, com uma inscrição que a permite datar: 1469.

 

             Em Penha Garcia persistem alguns velhos costumes e tradições: o madeiro do Natal, o fabrico do pão caseiro, as fogueiras de S. João, a matança do porco, as janeiras, as alvíssaras e a encomendação das almas...

 

            Conta a lenda que D. Garcia, alcaide do Castelo de Penha Garcia, raptou numa noite tempestuosa, D. Branca, figura de rara beleza filha do poderoso Governador de Monsanto.


            Passados meses de perseguição implacável, D. Garcia acaba por ser apanhado nas encostas da serrania pelos homens ao serviço do Governador.

 

             Na época, aventuras deste género eram punidas com a pena capital. No entanto, comovido pelas insistentes lágrimas da filha, foi a D. Garcia poupada a vida e em sua substituição condenado à perda do braço esquerdo, como penhor de justiça.


            A lendária figura do decepado continua ainda hoje vigiando e olhando do alto das torres, o morro sobranceiro de Monsanto.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 19:57

 

                A Ermida de Nossa Senhora do Almortão situa-se nos campos de Idanha-a-Nova e tem um estilo simples e harmonioso. Em 1229 D. Sancho II, no foral dado a Idanha-a-Velha mencionava a SANTCTAM MARIAM ALMORTAM, quando demarcava os limites da Egitânia. A capela-mor e o altar são revestidos de azulejos do séc. XVIII. O alpendre é formado por três arcos de granito.

 

            Como diz a lenda, esta capela foi construída porque um dia de madrugada uns pastores atravessavam o campo pelo sítio «Água Murta» e notaram que havia algo de estranho atrás das murteiras grandes. Ao se aproximarem viram uma linda imagem da Virgem.

 

            Ficaram parados de joelhos a rezar e decidiram levar a imagem para a Igreja de Monsanto, mas pouco depois ela desapareceu sendo encontrada novamente no lugar da aparição no murtão.

 

            Face ao sucedido os habitantes da vila, respeitando a vontade da Senhora, construíram a capela no local da aparição.

 

            Uma das mais importantes romarias do Concelho de Idanha-a-Nova é a Festa da Nossa Senhora do Almortão, que se realiza anualmente na terceira segunda-feira após a Páscoa.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

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28
Abr 10

 

 

                Povoação detentora de alguns vestígios Romanos e que, segundo José Hormigo, até 1505 se chamava Esporão. Foi rebaptizada por Ladoeiro devido aos inúmeros charcos e lodeiros que abundavam na região. O repovoamento conhecido por Ladoeiro faz-se à volta do ano de 1541 (no Reinado D. João III), onde foi sede de concelho com Câmara e Justiça próprias e entrou em decadência, a partir do séc. XVIII, devido aos ataques ferozes do exército durante a Guerra da Restauração, agudizado pelo facto de não possuir nem castelo nem muralhas.

 

            Actualmente, é das freguesias mais prósperas do concelho de Idanha-A-Nova, caracterizada por um considerável dinamismo económico que se deve sobretudo, da actividade agro-pecuária e da Indústria transformadora. São particularmente conhecidas as suas plantações de tabaco e tomate, fontes de rendimento e trabalho para as gentes locais e terras vizinhas.

 

            Ao percorrermos as ruas, são várias as habitações com portadas Manuelinas e outras de adobe com janelas caiadas. O cruzeiro, a Igreja Matriz e a Fonte Grande (com as armas de D. Sebastião de 1571) são locais de encontro para uma amena conversa ao cair do dia.

 

            Nas sextas-feiras de quaresma até Domingo de passos, realiza-se a tradicional Procissão dos Homens, onde apenas estes podem participar e a 15 de Agosto uma grande festa em homenagem a Santo Isidoro e Santíssimo Sacramento que atrai inúmeros visitantes de outros concelhos e da vizinha Espanha.

           

            A Capela de Santa Catarina situa-se no lugar de Antinha perto do Ladoeiro no concelho de Idanha-a-Nova. Esta capela guarda uma imagem de Santa Catarina de Sena muito antiga, inspiradora de forte devoção. É um pequeno e harmonioso templo datado de 1872. 

            Ora a lenda de Santa Catarina é originária da seguinte freguesia:

 

            Andava um honrado lavrador a amanhar a terra com uma junta de vacas no sítio da Antinha, conta-se que um dos animais morreu repentinamente.


            Aflito e desgostoso com a perda de tão útil como necessário animal pôs-se o lavrador a chorar a sua pouca sorte, pois, acabava de perder o "ganha-pão" da sua numerosa e necessitada família e implorava, por isso, o auxílio divino. Apareceu-lhe, então, Santa Catarina que devolveu a vida ao animal e lhe ordenou para ir ao povoado contar o sucedido e dizer do seu desejo que naquele preciso local fosse erguida uma capela em sua honra, mas com o alpendre voltado a poente.


            Acudiram os habitantes a satisfazer prontamente o pedido mas virando o alpendre a nascente como era costume na época, pensando que o lavrador vidente se havia equivocado.


            No dia seguinte, porta e alpendre estavam caídas no chão. Refizeram a obra deixando na mesma o alpendre dirigido a nascente e de novo ele voltou a ruir. Convenceram-se, então, os habitantes de que o lavrador não se havia enganado e executam a obra segundo as indicações recebidas.


            E ainda hoje podemos apreciar a capela com a porta e o alpendre voltados a poente e, estamos certos, a fé dos ladoeirenses jamais deixará cair por terra este pequeno templo que tanto carinho e estima infundem ao povo do Ladoeiro.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

Feira do Ladoeiro em tempos idos

 

A capela de Santa Catarina

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:40

27
Abr 10

 

                Conta-se que, no principal e decisivo confronto entre portugueses e franceses, travado a 19 de Novembro de 1614, diante do Forte de Santa Maria de Guaxenduba, já se tornava evidente a derrota dos lusitanos, por sua inferioridade numérica em homens, armas e munições.

 
            Apesar de lutarem, iam-se arrefecendo os ânimos dos soldados de Jerónimo de Albuquerque, mas eis que surge, entre eles, uma formosa mulher em auréola resplandecente. Ao contacto de suas mãos milagrosas, transforma-se a areia em pólvora e os seixos em projécteis. Revigorados moralmente e providos das munições que lhes estavam faltando, os portugueses impõem severa derrota aos invasores, a cujos sobreviventes só restou o recurso da rendição.  


            Em memória deste feito, foi a Virgem aclamada padroeira da cidade de São Luís do Maranhão, sobre a invocação de Nossa Senhora da Vitória.  


            O Padre José de Morais, em "História da Companhia de Jesus na Extinta Província do Maranhão e Pará" (1759), demonstra a antiguidade desta lenda, escrevendo: "Foi fama constante (e ainda hoje se conserva por tradição) que a virgem Senhora foi vista entre os nossos batalhões, animando os soldados em todo tempo de combate".

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:37

26
Abr 10

 

                Mercúrio o planeta da comunicação e do raciocínio, a sua presença no signo de Touro indica a importância de perceber a realidade que está além da matéria e dos sentidos. Preocupações podem derivar de inseguranças, ou de ênfase excessiva em questões materiais, esquecendo do aspecto espiritual. Recursos podem ser desenvolvidos percebendo que a prosperidade depende de circulação de energias.


            A entrada deste planeta no signo de Touro nos forçará a colocar o pé no freio. 
            O ritmo das pessoas estará em marcha bem mais lenta, fazendo com que as ideias estejam mais voltadas para o que é prático, o pensamento para o que é mais fácil e as conversas para desenvolver o que ainda não nos parece maduro. A dica é procurar a saída mais objectiva.

 

            Com aspectos positivos revela calma e ponderação; ideias objectivas, práticas, razoáveis, pacificadoras. Metódico, obstinado. Sentido comum.

            Mercúrio, o planeta da comunicação, entra no signo de Touro, então ficamos mais meticulosos, por vezes lentos, mas dotados de uma faculdade perceptiva, cuidadosa e perseverante.

 

            Com aspectos negativos revela materialismo exacerbado. Falta de flexibilidade nas opiniões. Dificilmente mudará de opinião. Reflexos lentos. Falta de diplomacia.

            Os contactos interpessoais tendem a ficar um pouco mais difíceis, com maior propensão a confusões e dificuldades na transmissão de ideias. Qualquer comunicação, seja por correio, telefone ou mesmo e-mails, pode não chegar a seu destino, atrasar ou ter seu conteúdo nada compreendido. Esse não é um bom período para  fazer cirurgias, mas é indicado para rever, revisar, repensar, retomar e/ou refazer projectos inacabados.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 01:10

25
Abr 10

 

                A anemomancia é a previsão pela observação dos ventos.

            Todos os fenómenos da natureza não deixaram o homem indiferente. Esta mancia nasceu e desenvolveu-se entre todos os povos, e é um dos sistemas de adivinhação mais antigo.

 

            Vejamos algumas interpretações da anemomancia que chegaram até nós:

           

            Quando o vento sul assopra, e não chove, e ora faz frio, ora calor, e começa a chover várias vezes, e logo para é sinal de pestilência e graves enfermidades.

 

            Quando o vento sul assopra muitas vezes no verão, denuncia febres agudas e dores de ventre, principalmente nas mulheres, ou nos que forem de húmida constituição.

 

            Quando chove, e faz vento sul no Verão e Outono, denota enfermidades no Inverno.

 

            Rajada de ventos: grande viagem iminente, ou importante notícia do estrangeiro.

 

            Correntes de ar: mudança brusca de situação. Mudança de casa improvisada.

 

            Vento sibilante: maledicência, calúnias, informações fraudulentas.

 

            Vento impetuoso: expedição longínqua cheia de riscos e de descobertas excitantes.

 

            Zéfiro: o sujeito deve descansar e distrair-se.

 

            Vento rodopiante: excelente presságio no domínio intelectual. Circunstâncias imprevistas e agitadas mas dinâmicas.

 

            Vento murmurante: múltiplos projectos sem futuro. Mal-entendidos e aborrecimentos.

 

            Furacão: é tempo de varrer as rotinas, os condicionamentos restritivos, as servidões acumuladas.

 

            Existe um processo muito praticado na Onemomancia que é o seguinte:

 

            Consiste em observar os efeitos do vento sobre as folhas das árvores ou sobre bocados de tecidos. Faz-se uma pergunta e olha-se na direcção indicada pelo vento: ascendente, a resposta é positiva; descendente, anuncia contrariedades importantes; oblíqua, trata-se de atrasos; a direito, é sinónimo de esforços coroados de êxito.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 01:57

24
Abr 10

 

                A xilomancia é a adivinhação pelas árvores. Os processos adivinhatórios ligados às árvores são inúmeros e universais. De maneira geral, os ramos partidos ou as quedas de folhas prematuras são presságios funestos para as pessoas da vizinhança: ruína, doença ou morte.

 

            Os videntes dos tempos bíblicos examinavam e interpretavam os desenhos formados sobre o solo por galhos, ramos, brotos e outros pedaços de árvore. No início, só se usavam galhos que tivessem caído de forma natural. Num método posterior, os adivinhos retiravam metade da casca dos galhos e os jogavam sobre a terra, formando um desenho aleatório. Os galhos que caíssem com a face descascada para cima seriam interpretados.

 

            A árvore é um dos símbolos tradicionais mais essenciais, e seu culto tem sido parte importante e altamente influente na história da religião de quase todas as raças sobre a face da Terra. No culto às árvores de muitas culturas pagãs antigas, a maioria delas era tida como feminina, e a sua seiva, oferecida em cálices dourados aos deuses. Acreditava-se que todas as suas partes possuíam poderes místicos.


            As árvores eram símbolo essencial da religião caldeia. Símbolos em forma de árvore foram encontrados nos templos antigos e em cilindros gravados, e há descrições de usos dos ramos tanto nas cerimónias religiosas como mágicas nos textos sagrados dos caldeus.


            Árvores sagradas estilizadas, cercadas de seguidores e decoradas com grinaldas aparecem em muitas esculturas indianas dos tempos antigos. (Outro estágio de estilização da árvore sagrada é sua decoração com máscara ou artigo de vestuário para simbolizar a deidade; e por fim, a escultura do seu tronco numa estátua.)

 


            Na Grécia, quando se honrava um deus ou uma deusa, eram colocadas grinaldas feitas dos galhos da sua árvore sagrada sobre a mesma, que era então adorada.

 

            Mas cada espécie possui o seu significado, as  suas virtudes e os seus poderes específicos. Eis alguns exemplos:

 

            O teixo é um símbolo, ao mesmo tempo de morte e de imortalidade. Deve, portanto, ser tratado com respeito, sob pena de atrair a desgraça.

 

            O salgueiro é uma árvore essencialmente romântica, tradicionalmente ligada aos males do coração. Basta usar um ramo para reconquistar um parceiro volúvel.

 

            A sorveira assegura uma protecção eficaz contra os demónios e os feitiços.

           

            O carvalho é uma árvore mágica por excelência. O conteúdo das bolotas é revelador; assim, uma aranha dentro de uma bolota anuncia a doença, ao passo que um verme é sinal de fortuna, e, uma mosca, de má notícia.

 

            Um mirto que floresce no jardim é uma promessa de casamento para um dos habitantes da casa.

 

            A aveleira tem poderes excepcionais. Basta formular um desejo com ramos de aveleira nos cabelos: será satisfeito.

           

            Se uma criança que acaba de nascer for colocada debaixo de um ácer, terá uma existência próspera e uma notável longevidade.

 

            A madeira de sabugueiro nunca deve ser queimada numa lareira: isso seria atrair a desgraça para a casa.

 

            O loureiro atirado às chamas deve crepitar alegremente: anuncia então, a fortuna e o êxito. Se arder em silêncio torna-se presságio de insucesso e de aflição.

 

            Uma macieira que floresce fora da estação anuncia uma recrudescência de casamento e de nascimentos na região.

 

            Uma rapariga que deseje conhecer a identidade do futuro marido deve meter uma folha de freixo no sapato esquerdo. O primeiro homem que encontrar será o feliz eleito.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 22:46

 

                A lua é dita em exaltação no signo de Touro; isso significa que é aí muito influente. De facto, governa parcialmente o signo. Tem, pois, uma grande influência sobre os nativos. Sublinha os aspectos femininos do signo, a sua estabilidade, o seu carácter influenciável e genésico. Dá uma acentuação dos valores maternais.

 

            Por outro lado, a Lua acentua o sentido da criatividade, há, pois, no nativo deste signo, uma bela imaginação criadora, uma interessante fecundidade intelectual, artística, ou ligada a qualquer outro domínio; a Lua acentua igualmente a produtividade, em qualquer sentido que seja. Isto traduz-se, na vida corrente, por uma grande actividade do nativo, actividade sempre produtiva; não experimentará o sentimento cansativo de trabalhar para nada, de trabalhar no ar, nem de empreender tarefas que não tenham fim, como se tivesse que encher o tonel das Danaides.

 

            A Lua traz também o amor do campo, a ligação à terra alimentadora. O carácter do nativo é simples e bom.

 

            Dá provas de uma grande simplicidade de espírito, no sentido em que não procura motivações complicadas para as suas tendências, nem para os seus actos, nem, aliás, para os dos outros. Para ele, as coisas são assim, muito naturalmente, e não lhes diria a ideia de as discutir.

 

            Nas mulheres, a presença da Lua mo céu de nascimento acentua todos os traços tipicamente femininos.

 

            Com aspectos favoráveis a Lua favorece harmonia, gostos artísticos e bem-estar. Favorece os projectos de longa duração e aqueles que requeiram previsão e vontade. E o mesmo sucede com os casamentos, os trabalhos manuais e artísticos e os jogos de azar.

 

            Com aspectos negativos favorece extremamente a sensualidade. Dificulta os trabalhos relacionados com o ferro e o fogo, e prejudica as viagens curtas e as operações cirúrgicas que afectam a garganta e o nariz.  

 

PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 12:48

 

            A origem dessa superstição, referente ao espelho pensa-se que tem a ver com o mito da Grécia antiga sobre Narciso, que se apaixonou pela própria imagem reflectida num lago, mas morreu de inanição ao passar o resto da vida tentando acariciá-la. "Esse mito mostra que a beleza, assim como o reflexo, são efémeros e transitórios. A quebra da imagem representa simbolicamente a própria morte", diz o helenista António Medina Rodrigues.

 

            Na Grécia antiga praticava-se um método de adivinhação chamado catoptromancia, pensa-se que deu outro impulso importante à superstição. Provável precursor da bola de cristal, o método consistia em usar um copo raso ou uma tigela de louça com água para reflectir a imagem da pessoa que queria saber de sua sorte. Se durante a sessão o recipiente caísse e quebrasse, significava que a pessoa iria morrer ou os dias vindouros seriam catastróficos.

 

            Os romanos adoptaram esse costume de adivinhação helénica, acrescentando que a má sorte se estenderia por sete anos, tempo que acreditavam levar para se iniciar um novo ciclo de vida do ser humano. O pânico diante da possibilidade de que o reflexo fosse quebrado existia porque a imagem reflectida era tida como a própria alma da pessoa. Esse tipo de interpretação explica o aparecimento de outras lendas posteriores, como a de que os vampiros não aparecem reflectidos aí, justamente por não terem alma.

 

            Outra explicação vem do fim do século 13, quando surgiram os primeiros espelhos de vidro como conhecemos hoje, na Itália. Na época, esses objectos eram muito caros, e as pessoas que costumavam limpá-los eram advertidas que se o quebrassem teriam muitos anos de azar. No Brasil, os historiadores dizem que essa crença deve ter vindo com os portugueses e se juntado a outras crenças dos índios e de outros povos. Na verdade, tudo isso é apenas superstição, sem nenhum fundamento. O que traz má sorte são ter pensamentos nocivos e ficar pensando neles.

 

            Para os supersticiosos, há duas formas de impedir o azar: moer os cacos do espelho quebrado até que não se possa ver qualquer reflexo ou enterrá-los no chão. Quem acredita nisso diz que o importante é lançar fora o objecto quebrado pois pode atrair energias negativas para o ambiente. No entanto, os vidraceiros garantem que, dependendo do tamanho, o espelho pode ser reaproveitado. Quando não há mais jeito, é reciclado e vira outro.

  

            Provavelmente você dá uma olhada no espelho antes de sair de casa. Dentro de um elevador de paredes espelhadas, é certo que aproveita para ajeitar a roupa ou o cabelo. As superfícies que refletem a luz são tão fáceis de ser encontradas no ambiente urbano que é difícil imaginar o quanto elas foram disputadas no passado.

 

            Tudo indica que a primeira vez que o ser humano viu seu reflexo foi na água. Isso deve ter mudado em cerca de 3000 a.C., quando povos da atual região do Irã passaram a usar areia para polir metais e pedras. Esses espelhos refletiam apenas contornos e formas. As imagens não eram nítidas e o metal oxidava com facilidade.

 

            Pouco mudou até o fim do século 13. Nessa época, o homem já dominava técnicas de fabricação do vidro, mas as peças eram claras demais, e por isso não tinham nitidez. Até que, em Veneza, alguém teve a ideia de unir o vidro a chapas de metal. “Os espelhos dessa época têm uma pequena camada metálica na parte posterior do vidro. Assim, a imagem ficava nítida, e o metal não oxidava por ser protegido pelo vidro”, diz Claudio Furukawa, pesquisador do Instituto de Física da USP. Surgia assim o espelho como o conhecemos até hoje.

 

            Mas este era um produto raro e caro. Os chamados espelhos venezianos eram mais valiosos que navios de guerra ou pinturas de gênios como o renascentista italiano Rafael (1483-1520). A democratização do artigo começou em 1660, quando o rei da França Luís XIV (1638-1715) ordenou que um de seus ministros subornasse artesãos venezianos para obter o segredo deles. O resultado pode ser conferido na sala dos espelhos do palácio de Versalhes.

 

            Com o advento da Revolução Industrial, o processo de fabricação ficou bem mais barato e o preço caiu. “Mesmo assim”, afirma o antropólogo da PUC-RJ José Carlos Rodrigues, “o espelho só se popularizou e entrou nas casas de todos a partir do século 20.”

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 01:11

23
Abr 10

 

                Não passar debaixo de uma escada é superstição espalhadíssima no Brasil, especialmente nas cidades do litoral.

 
            Há pessoas que dizem não serem supersticiosas, mas nunca passariam por debaixo de uma escada.

             Acredita-se que dá azar, que os desejos serão furados, inclusive que não se crescerá.


             “Estudei o motivo, idêntico na França, Bélgica, Holanda, Itália, Espanha, Portugal. Na Espanha acresce a ameaça para as moças que se passam por debaixo de uma escada não se casarão e têm má sorte” (José A. Sanchez Pérez, Supersticiones Españolas, 120, Madrid, 1948).

 

             A escada é a imagem da subida, da elevação, do acesso social, económico, financeiro. Passar por debaixo de quem se eleva é simbolicamente renunciar, afastar-se de quem sobe, progride, vence. Decorrentemente perde a boa sorte quem passa debaixo de uma escada.

  

            A versão mais aceite é a de que ela tenha se originado durante a Idade Média, época dos castelos protegidos por altas muralhas: quando eram atacados, levantavam-se as pontes e fechavam-se os portões de entrada, de modo tal que era o único meio de invadi-los era com uso de escadas.

 

            Como defesa para esse tipo de investida costumava-se derramar óleo fervente sobre os inimigos, e nessa hora, quem subia ou firmava a escada recebia um banho mortal. Daí surgiu a certeza de que segurar uma dessas peças por baixo não era um bom desempenho, porque isso poderia trazer má sorte para o infeliz que estivesse em tal posição, pensamento que atravessou os séculos e permanece até hoje simbolizando o receio dos passantes, quanto à possibilidade de que alguma coisa possa escapar das mãos do pedreiro ou pintor que esteja trabalhando lá no alto, e lhes caia na cabeça.

 

            Dessa forma, a crença de passar por baixo de escada dá azar pode ser considerado como precaução, uma forma de evitar acidentes. Onde tem uma escada, geralmente há alguma obra, e passar por ali significa que o pedestre pode estar correndo o risco de que alguma coisa despenhe lá de cima e o atinja no crânio ou qualquer outra parte do corpo, ferindo-o até mesmo com alguma gravidade. Essa é uma probabilidade que não envolve nenhum misticismo, a não ser, é claro, que se queira acreditar nisso.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

  

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 14:52


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