Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

11
Set 10

 

            A romaria de Nossa senhora D’Agonia é considerada a romaria das romarias da bela cidade portuguesa da Viana do Castelo.

 

            Em 1674 foi edificada uma Capela com a invocação de Bom Jesus do Santo Sepulcro do Calvário. Um pouco acima, ou seja, no ponto mais proeminente do sítio onde eram supliciados os condenados à morte - e daí, o designarem por «Cerro dos Enforcados» - erguia-se (e ainda se ergue) a capelinha da Senhora da Conceição.

 

            É aqui que nasce a História da maior romaria de Portugal, é aqui que nasce a devoção à Senhora d'Agonia, padroeira dos pescadores e do povo marinheiro de Viana do Castelo.

 

            Por alturas de 1679, o dia vinte de Agosto era o único da romaria. A tradição aponta o ano de 1772 como sendo aquele em que pela primeira vez ela se mostrou mais rica de expressão, particularmente aos tão devotos olhos das gentes marinheiras.


            A primeira referência escrita ao culto de Nossa Senhora da D’Agonia data de 1744, mas a Romaria só nasce alguns anos mais tarde, por volta de 1823. Passou a movimentar tanta gente do concelho de Viana e de outras terras vizinhas, mas mesmo tanta gente, calculada, por exemplo, em 1862, em mais de 50.000 pessoas, que, em 1929, o Conde de Aurora, profundo conhecedor do Alto Minho, lhe atribuía o epíteto de A Festa Nacional do Minho. Já antes, em 1873, Pinho Leal escrevia que esta era “a mais concorrida” do Alto Minho e agora já é considerada a “ Rainha das Romarias de Portugal”.


            Por efeito de réplica de grandiosidade, a de Lamego, em honra de Nossa Senhora dos Remédios passou a ser chamada de A Romaria de Portugal. Rivalidades à parte, estas são duas das grandes romarias que se fazem em pleno Verão. Desde meados do século XVIII que a imagem de Nossa Senhora D’Agonia é venerada em Viana do Castelo, a 20 de Agosto.

 

            Mesmo antes da festa e da feira terem sido instituídas, já o povo se deslocava à capela da Senhora da Agonia em romaria, ansiando receber as indulgências que os papas e os bispos não se cansavam de atribuir a quem cumprisse com as condições impostas – assistir às missas celebradas em honra de Nossa Senhora D’Agonia; rezar em determinados dias, tantas ave-marias, tantas salve-rainhas ou tantos pais-nossos. Ao mesmo tempo pagavam as suas promessas e contribuíam fortemente para alimentar as obras que durante um século decorreram na igreja. O sal, as peças de vestuário, os cereais, o gado e o dinheiro que deixavam eram uma mais-valia para os construtores do templo.


            Foi assim e com o decorrer do tempo que o culto de Nossa Senhora D’Agonia ficou particularmente ligado à comunidade piscatória. A atestá-lo temos o número de ex-votos que aludem a milagres relacionados com o mar, com náufragos e com tempestades. Este aspecto torna-se mais visível no transporte do andor só por pescadores e no percurso que a procissão toma, privilegiando o bairro dos pescadores. É ainda factor relevante da quase “apropriação” do culto pelos pescadores, a procissão fluvial que desde 1968 passou a fazer-se, sendo a imagem conduzida num barco de pesca.
            As actividades lúdicas foram crescendo. O arraial, os cantares à desgarrada e, mais tarde, a tourada agradavam a todos.

 

             O número de visitantes tem vindo a aumentar, de forma significativa nos últimos anos. Face a este fenómeno, os promotores dos festejos têm procurado promovê-la fazendo incluir um cortejo etnográfico, alusivo aos diferentes concelhos do distrito, e uma festa do traje. Além, de todos estes acontecimentos o fogo-de-artifício, lançado junto ao rio Lima, é um espectáculo único.


            O brio dos organizadores, a disputa entre eles e a fama da romaria fizeram com que novas actividades fossem introduzidas: cabeçudos e gigantones em 1893, fogo preso em finais do século XIX, a Festa do Traje e a primeira parada agrícola, no início do século XX e o Cortejo Etnográfico, em 1933.


            Hoje o programa contempla, para além das celebrações religiosas, manifestações cívicas, cortejos, desfiles, feira de artesanato, arraiais, ruas atapetadas de flores, concertos e muito fogo-de-artifício. A Romaria afirma-se, como festa municipal fundamentalmente desde os anos 30, coroando Viana, rainha e capital do Alto Minho.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 12:26


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