Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

24
Nov 10

 

            Rodrigo, João, Afonso, Maria, Beatriz e Ana foram os nomes mais populares de 2009. "Não me chateia nada haver muitos Afonsos." Ana foi mãe pela primeira vez há quase três meses e resolveu dar o nome Afonso ao filho, precisamente no ano em que este, foi o terceiro mais escolhido dos portugueses. Mas o grande número de crianças com o mesmo nome do filho não a incomoda: "Chamo-me Ana e sempre tive mais umas sete na turma. Isso não me preocupa." Apesar do grande número de Afonsos, em 2009, estes foram ultrapassados pelos Rodrigos e Joões, em primeira e segunda escolha, respectivamente. Do lado das meninas, as preferências foram para Maria, Beatriz e Ana.

 

            Os nomes mais populares do ano passado não são muito diferentes dos mais comuns em 2008. De facto, "os portugueses escolhem nomes muito parecidos", considera o antropólogo João Pina Cabral. Por outro lado, "as pessoas são conservadoras no que toca a escolher nomes diferentes", acrescenta.

 

            Ainda assim, o co-organizador do livro "Nomes: Género, Etnicidade e Família" reconhece que a escolha dos nomes também está dependente de modas. "Nos anos 1980 e 1990 as pessoas foram muito influenciadas pelas telenovelas, por exemplo." Uma influência que deu ao País uma geração de Vanessas, Cátias, Sandros e Rubens.

 

            Mas existem ainda outras explicações para a escolha e até recuperação de nomes menos usados. "Os nomes Rodrigo, João, Beatriz e Ana simbolizam uma tradição. Os Gonçalos, Pedros, Catarinas e Franciscas eram associados à aristocracia ligada ao período do antigo regime e a sua recuperação mostra uma intenção conservadora de consolidação identitária", analisa Pina Cabral.

 

            Se é verdade que os portugueses têm uma lista reduzida de nomes que escolhem, também é certo que a escolha não é completamente livre. O Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) tem uma lista de nomes que não são aceites, de acordo com a língua e cultura nacionais. Nesta lista constam apenas os nomes em que houve dúvidas e se indica se podem ou não ser utilizados.

 

            Esta limitação na liberdade de escolha dos nomes é para Pina Cabral "um aspecto pouco democrático". O antropólogo mostra-se contra qualquer tipo de proibição, "mesmo quando pensamos que o Estado está a proteger as pessoas da escolha dos pais". "Está provado que elas se adaptam ao nome e aceitam", garante. Um desses casos é um jovem brasileiro que se chama Já Falei e que "usa o seu próprio nome com algum humor", conta João Pina Cabral. O nome foi escolhido pelo pai para mostrar que já não queria mais filhos, já que no Brasil a expressão "já falei" significa pôr um ponto final na conversa.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

    

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publicado por professorkibersitherc às 00:19


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