Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

08
Jan 11

 

            O português, Abade Faria, foi o primeiro hipnotista a reconhecer que a hipnose era devida à sugestão e não ao “magnetismo animal”, como então se julgava na época.

 

            A hipnose explica-se, entre outras coisas, como um fenómeno de projecção. Ao menos em grande parte, o paciente é vencido pelas suas próprias armas, armas estas que o hipnotista tem de saber seleccionar e utilizar adequadamente. Não percamos de mente que toda a sugestão é, em última análise largamente auto-hipnose, e todo o medo, no fundo, medo de si mesmo.

 

            Contrariamente ao que ensinam os livros populares, a fé inabalável no hipnotismo e a vontade forte não constituem os atributos fundamentais e directos do hipnotista, mas, sim, do paciente. A experiência mostra que os melhores pacientes são precisamente os tipos voluntariosos, em suma, as pessoas de muita vontade ou de vontade forte.  

 

            Os livros do tipo “Querer é Poder” nos quais os autores se comprazem em confundir a simples vontade de poder com o poder da vontade têm contribuído largamente para formar óptimos pacientes e, péssimos hipnotizadores. A notória escassez de bons hipnotizadores pode ser atribuída em grande parte a esse género de leitura sobre o assunto.

 

            Do que se acaba de expor não se insere que o hipnotizador não deva ter vontade, ou que seja, necessariamente, dotado de pouca vontade ou de uma vontade débil.

 

            Todas as teorias e conceitos sobre hipnose, seja qual for a parcela de verdade que contenham e o grau da sua importância prática, não valem senão na medida em que elucidam as motivações e os mecanismos desse fenómeno eminentemente psicológico que é a sugestão, nas suas diversas graduações.

 

            Há uma tendência de desmerecer o fenómeno da hipnose com o argumento de que tudo não passa de sugestão. Como se a sugestão fosse necessariamente coisa superficial, desprezível sem a maior importância para a nossa vida. Acontece que a sugestão representa uma das forças dinâmicas mais ponderáveis da comunidade humana, força essa que transcende os limites da própria espécie, actuando sob a forma de reflexo condicionado, no próprio hipnotismo animal. Não acarreta unicamente alterações sensoriais e modificações de memória, podendo afectar todas as funções vitais do organismo tanto no sentido positivo como no sentido negativo da palavra. A sugestibilidade, embora sujeita a variações de grau e de natureza é um fenómeno rigorosamente geral. Todos somos mais ou menos sugestionáveis e é possível que todos ou quase todos fôssemos hipnotizáveis se dispuséssemos de métodos adequados de indução.

 

            Não fora a sugestão uma força de eficiência social incomparável e não se justificaria a mais abrangente de todas as indústrias modernas, que é a indústria publicitária, isto é, os anúncios que ocupam duas terças partes de quase todos os órgãos da imprensa, além dos dispendiosos patrocínios de rádio e de televisão.

 

            A sugestão é uma força que nos domina a todos, em grau maior ou menor, e longe está de exercer uma acção superficial ou apenas acidental na nossa vida.

 

            O hipnotismo é a arte de convencer, porque só quem hipnotiza convence e quem convence hipnotiza.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 14:04


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