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17
Jan 11

 

            Na época da crise dinástica de 1383-1385, o reino de Portugal esteve ocupado pelos castelhanos, tendo sido o Mestre de Avis, futuro D. João I, o líder da revolta portuguesa. Com a Batalha de Aljubarrota, as praças portuguesas em poder de Castela começaram a cair. Assim, depois de o porto de Atouguia ter sido abandonado pelos castelhanos, os obidenses entregaram-se ao Mestre de Avis, que organizou militarmente o território, com o intuito de defender melhor o reino.

 

            Um dos combatentes da “Ala dos Namorados”, designação dada, de acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, “ao lado direito do quadrante, mais exactamente à vanguarda virada para Leiria, que os portugueses formaram como táctica de combate na Batalha de Aljubarrota” foi D. Antão Vaz Moniz, fidalgo de Óbidos e cavaleiro a pé. Depois da vitória na referida batalha, D. Antão, em 1386, mandou edificar uma capelinha em honra do santo do mesmo nome. Essa ermida foi construída no cimo de um monte, a norte da vila, de onde se obtém uma vista panorâmica deslumbrante. D. Antão passou aí os últimos anos da sua vida, enquanto asceta, tendo pedido para ser sepultado no interior da capela, sem qualquer tipo de inscrição.

 

            Estes acontecimentos históricos originaram a famosa romaria de Santo Antão, que se realiza nesta freguesia, a 17 de Janeiro. A ermida situada nu local de difícil acesso, mas de grande importância agro-pecuária, tendo o porco um papel relevante.

 

            Em meados de Janeiro, celebra-se a tradicional festa do Santo Antão de Óbidos. Uma festa que mistura a componente religiosa com uma outra profana, onde centenas de pessoas comem, bebem e divertem-se à volta de diversas fogueiras espalhadas pelo recinto.

 

            Esta festa realiza-se junto à ermida de Santo Antão, o Santo de protege os animais, no cimo de um amplo cabeço com o mesmo nome, com cerca de 80 metros de altura. Durante muitos anos não faltaram os tradicionais pinhões, as laranjas, as cavacas e muitas outras guloseimas. Hoje os vendedores aproveitam para vender, além destes artigos, muitos outros, como se de uma feira se tratasse.

 

            O Santo Antão de Óbidos encontra-se no centro duma vasta região agro-pecuária, onde o porco tem papel de grande importância. No caso de doença, ou de desejo de uma boa ninhada, não há nada como fazer uma promessa a Santo Antão para que tudo corra bem, mas se houver problema com outro animal, não faz mal, nem é de hesitar, Santo Antão a todos acode. Esta é a filosofia base destas cerimónias.

 

            As promessas são pagas na casa de esmolas ou na sacristia, recebendo em troca, como “recibo”, uma vela enrolada numa fita de nastro cor-de-rosa e um “registo” do Santo. As fitas cor-de-rosa devem ser amarradas à cabeça dos animais para ficarem protegidos contra qualquer mal. Estas fitas designadas, entre os romeiros, por “sacramentais” são previamente benzidas. Quem não pode ir pagar a promessa, pede a alguém que o faça por si. A entrega de vela e da fita são prova que a promessa foi paga.

 

            Actualmente, poucos são os que pagam as promessas em géneros. Dirigem-se à casa das esmolas, ou à sacristia a fim de comprarem as velas com as fitas cor-de-rosa e os ex-votos de cera dos animais sobre os quais recaíram as promessas. Alguns dos ex-votos são queimados conjuntamente com as velas no tabuleiro. Contudo, a sua grande maioria é depositada aos pés da imagem do Santo.

 

            Todos os romeiros que quisessem ir à romaria não teriam mais que comprar, na casa das esmolas, os chouriços ou chouriças desejadas, fazer uma fogueira com os arbustos existentes, assá-los, comê-los e regá-los com bom vinho. E, rodeados pelos animais que tinham levado até ao cabeço, aí comiam, bebiam e divertiam-se.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 19:42


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