Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

16
Jan 10

 

            Ele era um conde, jovem e bonito, alegre e mulherengo. Um dia ele encontrou-se numa estrada com uma bela moça. Ela estava sozinha e andava muito devagar, como se ela estivesse cansada e parecia triste e pensativa.
            O conde Munio, pôs-se a seu lado com intenção de falar-lhe, mas a donzela, jovem e virtuosa, não lhe respondeu. O conde não se desanimou, por isso, e seguiu-a a seu lado, dizendo que eles levavam o mesmo caminho, tendo uma grande satisfação na sua companhia, poderia encontrar alguém que a ofendesse e assim a protegeria e a defenderia.
 
            A jovem agradeceu a sua ajuda tão valiosa e seguiram o caminho juntos.
            Pouco depois, passaram por um bosque. O lugar era solitário, a formosura da mulher e os desejos do conde não se fizeram esperar, que este cometeria com a indefesa jovem um acto vil, e a violência foi consumada. A pobre jovem gritou em vão por socorro, mas ninguém ouviu os seus lamentos aflitivos.
            O conde Munio riu da infeliz e disse:
            - Cala-te mulher, que a coisa não é para tanto soluçar. Quando chegar ao meu castelo, te enviarei um dos meus criados para que te console, e ainda ficarás agradecida.
            E foi acelerando o seu passo muito orgulhoso.
 
            Mas eis que apareceu um velho soldado de longas barbas, que vinha da peregrinação de Compostela, seguindo o mesmo caminho que a jovem percorria. O soldado puxou pela sua longa espada e se aproximou da jovem e perguntou a razão dos seus tristes lamentos e soluços.
A jovem lhe contou qual era a sua desgraça e como esta havia sucedido quando retornou de Santiago, onde havia ido a fim de orar no túmulo do apóstolo, para pedir protecção em sua solidão e desamparo, pois que havia perdido os seus pais.
O velho soldado, com carinhosas palavras, foi acalmando a dor e limpando as suas lágrimas, disse que a iria levar ao rei, para remediar o seu mal.
 
E os dois caminharam até o palácio real.
- Vou exigir, bom rei, pelo apóstolo Santiago, que se faça justiça a esta romeira.
O rei mandou chegar a si o conde Munio e lhe disse:
- Por lei divina você tem a obrigação de casar com esta jovem que haveis ultrajado. Por lei humana deveis de ser decapitado se não cumprires. Não há fidalguia quando se falta a Deus e à honra de uma donzela.
- Venha o carrasco. – respondeu o conde. – Melhor eu morra mil vezes do que viver em vergonha.
- Que seja. – disse o rei. Mas o soldado respondeu:
- Bom rei, fazeis mal a justiça, a não ser bem da verdade, que a honra se deve lavar com sangue, mas não lava o pecado. Primeiro, o conde deve-se casar com a jovem e em seguida deve ser decapitado.
 
Quando acabou de falar, o soldado soltou a sua espada, tirou o manto de romeiro e apareceu com o trajo de um santo bispo. O conde, arrependido ajoelhou-se a seus pés. Em seguida, o bispo tomou a mão da romeira e do conde e no mesmo sítio declarou-os casados.
Mas, o conde, pedia a morte para não se ver desonrado. Então, o bispo absolveu-o do seu pecado, ainda não tinha acabado de pronunciar as últimas palavras, quando caiu o conde Munio morto a seus pés, livrando assim de ser executado.
 E dizem as crónicas que aquele santo bispo era o mesmo Santiago em pessoa, que havia acudido em socorro a jovem romeira.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 17:08

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