Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

05
Jan 11

 

            Pode-se reconhecer um judeu pelo sobrenome?   É verdade que os sobrenomes de plantas e animais são de origem judaica?   Os apelidos 'complicados' são nomes judeus?  

 

            Na Antiguidade os judeus não usavam sobrenomes propriamente ditos. A pessoa era designada como Fulano filho de Beltrano: Itzhak ben-Avraham (Isaque filho de Abraão), Iaacov ben-Itzhak (Jacó filho de Isaque), Iosua ben-Nun (Josué filho de Nun), Selomó ben-David (Salomão filho de David)...

 

            Os 'nomes de famílias' mencionados na Bíblia em Números 1:20-50, referem-se antes aos nomes dos antepassados comuns a cada grupo genealógico (os descendentes de...). Seguindo a regra, se necessário um indivíduo seria identificado, além do pai, também pelo nome do avô: Iaacov ben Itzhak ben-Avraham ben-Terah ben-Nahor. Só em casos muito restritos se adicionaria ao nome uma alcunha: Imanuel ben-Iossef ou  Iehosua Ha-Nozri (Emanuel filho de José ou  Jesus, o Nazareno), ou então o seu clã: Iossef ben-Matatiahu Ha-Cohen (José filho de Matatias o sacerdote - este é o famoso historiador Flávio Josefo).

 

            Quando o Aramaico substituiu o Hebraico como língua falada, em vez de ben usou-se bar, cujo significado é o mesmo. E é assim que vamos encontrar grafados muitos nomes judaicos na Idade Média, quer no Oriente Islâmico ou no Ocidente Cristão.

 

            Na Península Ibérica os judeus começaram a adoptar nomes espanhóis e portugueses a partir do século XIV, aproximadamente. Antes, ainda no período chamado 'Época de Ouro do Judaísmo Ibérico' (séc. X a XII) sob o domínio árabe, os judeus ainda  não usavam nomes espanhóis, ou portugueses mas o ben, ou nomes árabes como Ibn, Al:  Mosé ben-Maimon (o Maimónides), Samuel Ibn-Negrela, Ichudá ben-Xaul, Selomó Ibn-Gabirol, Abraham Ibn-Ezra, Iaacov Alfassi (porque era da cidade marroquina de Fez), Iehufá Ha-Levi, etc. O famoso Benjamim de Tudela foi assim chamado porque era da cidade de Tudela, em Navarra.

 

            A expulsão progressiva dos árabes, a pressão do ambiente cristão e os baptismos forçados, levaram os judeus ibéricos (sefaraditas), pouco a pouco, a adoptar sobrenomes espanhóis ou portugueses tirados do lugar de residência (de León, de Aragón, de Ávila, do Porto), de alguma profissão (del Médigo, Mercande, del Mercado), por imitação aos costumes locais ou ainda tomados de eventuais padrinhos.

 

            Expulsos da Espanha (1492) e de Portugal (1497), os judeus sefaraditas vão levar estes sobrenomes ibéricos para o norte da África, Bordéus, Amesterdão, Londres, Hamburgo, Ferrara, Jugoslávia, Bulgária, Turquia, etc., onde são identificados como 'nomes judaicos' por serem diferentes dos nomes locais, sobrenomes que só os judeus sefaraditas usavam. Ainda hoje, um alemão, austríaco, búlgaro, grego, turco, marroquino, etc., usam um sobrenome português ou espanhol, só pode ser judeu.

            Na Europa Central e Oriental, os judeus asquenazitas permaneceram com sobrenomes usando o ben ou o bar até bem mais recentemente. Os nomes de residência são ainda esporádicos e só aparecem como alcunhas.

 

            No século XVIII, os 'déspotas esclarecidos' da Áustria, Rússia, Prússia e outros estados alemães, cada um por sua vez, impuseram aos judeus o registo de sobrenomes para que fossem identificados para efeito do pagamento de impostos. Só assim os judeus asquenazitas das áreas de língua alemã tomam sobrenomes em alemão, e os das áreas eslavas adoptam sobrenomes em polaco, russo, etc. No século XIX, o nacionalismo húngaro leva muitos judeus dali à adopção de sobrenomes magiares.

 

            Que sobrenomes foram adoptados?   Lugares de origem (Berliner, Wiener, Warshavsky, Polakiewsky…), profissões ou actividades (Treiger, Miler, Milmann, Fishmann, Weismann, ...), uma alcunha qualquer imposta pelo registante anti-semita, que eram normalmente nomes não usados pelas populações cristãs locais, ou nomes ridículos - carimbos. Nomes sonoros ou comuns custavam muito dinheiro. Algumas vezes o Ben-Sicrano era germanizado como o conhecido caso de Moishe ben-Mendel, que na Universidade de Berlim alterou o seu nome para Moses Mendelsohn. Nestes casos é preciso conhecer bem o comum dos nomes alemães, polacos, russos, por exemplo, para identificar os nomes 'estranhos' ou ridículos que só os judeus usavam.

 

            Na Itália, os judeus italquitas em geral adoptaram nomes de cidades; na Grécia os judeus helénicos usam nomes gregos; nos países árabes os judeus orientais usam nomes árabes; na Índia, nomes indianos; na China, nomes chineses; e assim por diante, de acordo com a língua e os costumes de cada país.

 

            E os judeus portugueses?   Quando consultamos as listas de nomes de judeus portugueses nos processos da Inquisição, ou dos judeus portugueses de Bordéus, Amesterdão, Londres, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e alhures, notamos que não diferem em nada dos nomes portugueses comuns, mas os nomes de plantas e animais são quase inexistentes.

 

            E os nomes 'complicados', nomes ‘estrangeiros’?   Qualquer descendente de imigrantes de países não-latinos tem sobrenome estranho, complicado para a pronúncia do português comum. E quanto mais eslavo e mais cheio de consoantes, mais será 'impronunciável', mas isto raramente significa que sejam nomes judaicos. E no caso dos sobrenomes dos judeus ibéricos (sefaraditas), que praticamente se confundem com o nomes ditos portugueses (Salgado, Rodrigues, Calderón, Pinto, ...), estes não chegam a chamar a atenção. Fica mais fácil distinguir o judeu se ele usar prenomes bíblicos como: Samuel, Salomão, Abraão, David, Jacó, Sara, Ester, Rebeca…

 

            Os judeus usam nomes hebraicos?   Houve uma fase na moderna colonização de Israel, em que os judeus que retornavam à terra ancestral, por zelo sionista (nacionalismo), costumavam trocar seus sobrenomes de exílio (nomes 'estrangeiros') por nomes hebraicos. Assim: Grin (verde) virou Gurion (filhote de leão), Meier virou Meir (da luz) e outros foram traduzidos ou simplesmente trocados. Mas isto nunca foi regra, e menos ainda actualmente. É mais fácil encontramos filhos de libaneses, mas que não são judeus, com os sobrenomes Abraão, David, Salomão…   Também ocorrem casos em que uma coincidência fonética permita tomar por hebraico um nome que não é hebraico. Praticamente só os que usam os sobrenomes: Levi (levita) e Cohen (sacerdote), é que os têm em hebraico.

 

            Concluímos que os judeus usam sobrenomes de acordo com a língua do país onde os seus antepassados viveram: o século XVIII para os asquenazitas, os séculos XIII a XV para o sefaraditas e a Idade Média para os italquitas, helénicos, orientais e outros.  

 

            Reconhece-se um 'sobrenome judeu' quando já se conhece a família, ou se sabe que só os judeus usam aquele apelido. Diferenciar os sobrenomes judaicos dos seus semelhantes em alemão, polaco, russo, espanhol, português, árabe, etc., é uma arte, mas muitas vezes é impossível determinar com certeza sem um estudo mais aprofundado. 

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 14:12

24
Nov 10

 

            Rodrigo, João, Afonso, Maria, Beatriz e Ana foram os nomes mais populares de 2009. "Não me chateia nada haver muitos Afonsos." Ana foi mãe pela primeira vez há quase três meses e resolveu dar o nome Afonso ao filho, precisamente no ano em que este, foi o terceiro mais escolhido dos portugueses. Mas o grande número de crianças com o mesmo nome do filho não a incomoda: "Chamo-me Ana e sempre tive mais umas sete na turma. Isso não me preocupa." Apesar do grande número de Afonsos, em 2009, estes foram ultrapassados pelos Rodrigos e Joões, em primeira e segunda escolha, respectivamente. Do lado das meninas, as preferências foram para Maria, Beatriz e Ana.

 

            Os nomes mais populares do ano passado não são muito diferentes dos mais comuns em 2008. De facto, "os portugueses escolhem nomes muito parecidos", considera o antropólogo João Pina Cabral. Por outro lado, "as pessoas são conservadoras no que toca a escolher nomes diferentes", acrescenta.

 

            Ainda assim, o co-organizador do livro "Nomes: Género, Etnicidade e Família" reconhece que a escolha dos nomes também está dependente de modas. "Nos anos 1980 e 1990 as pessoas foram muito influenciadas pelas telenovelas, por exemplo." Uma influência que deu ao País uma geração de Vanessas, Cátias, Sandros e Rubens.

 

            Mas existem ainda outras explicações para a escolha e até recuperação de nomes menos usados. "Os nomes Rodrigo, João, Beatriz e Ana simbolizam uma tradição. Os Gonçalos, Pedros, Catarinas e Franciscas eram associados à aristocracia ligada ao período do antigo regime e a sua recuperação mostra uma intenção conservadora de consolidação identitária", analisa Pina Cabral.

 

            Se é verdade que os portugueses têm uma lista reduzida de nomes que escolhem, também é certo que a escolha não é completamente livre. O Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) tem uma lista de nomes que não são aceites, de acordo com a língua e cultura nacionais. Nesta lista constam apenas os nomes em que houve dúvidas e se indica se podem ou não ser utilizados.

 

            Esta limitação na liberdade de escolha dos nomes é para Pina Cabral "um aspecto pouco democrático". O antropólogo mostra-se contra qualquer tipo de proibição, "mesmo quando pensamos que o Estado está a proteger as pessoas da escolha dos pais". "Está provado que elas se adaptam ao nome e aceitam", garante. Um desses casos é um jovem brasileiro que se chama Já Falei e que "usa o seu próprio nome com algum humor", conta João Pina Cabral. O nome foi escolhido pelo pai para mostrar que já não queria mais filhos, já que no Brasil a expressão "já falei" significa pôr um ponto final na conversa.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

    

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 00:19

23
Nov 10

 

            Nos últimos cinco anos 22 544 crianças receberam o apelido materno. Afonso Miguel Loja Vaz e Pedro Nuno Vaz Loja, são iguais, menos no nome. Os dois gémeos recém-nascidos têm os apelidos trocados. O Afonso tem o do pai em último lugar e Pedro o da mãe. Uma opção que tem vindo a conquistar adeptos, mostram os números do Instituto dos Registos e Notariado.

 

            Como Pedro, há mais 3036 bebés, dos 97 255 registados em 2010, que têm no nome o último apelido da mãe, representando já 3% dos registos. Se somarmos os últimos cinco anos são 22 544 as crianças registadas desta forma.

 

            Em Portugal, a escolha da ordem dos apelidos cabe unicamente aos pais, ao contrário de países como a Espanha em que a lei dá preferência ao apelido do pai. Em Portugal, a maior prevalência do nome do pai deve-se unicamente à tradição. O que Carla Loja quis contrariar. "Desde pequenina que queria pôr o meu apelido a um dos meus filhos e até já tinha combinado que o primeiro teria o apelido do pai e o segundo o meu. Como tive gémeos arrumei já este assunto", contou ao Diário de Notícias a mãe.

 

            Esta opção foi feita "de modo a que o meu nome não acabasse. Como o único irmão homem que tenho, não pensa em ter filhos, se não tomasse esta decisão o meu apelido acabava", refere. O desejo de que o nome materno não desapareça é o mais frequente nestes casos, considera a socióloga Ana Reis Jorge.

 

            A especialista em questões de género e família da Universidade do Minho acrescenta, no entanto, que este não será o único motivo. "A escolha do apelido, pode também estar relacionado com o prestígio, nos casos em que o nome da mãe possa estar mais associado a esta dimensão."

 

            Até porque, para Ana Reis Jorge "não são todas as mães a ter esta atitude". Embora reconheça "uma maior paridade das relações em que as mulheres têm cada vez mais uma palavra a dizer e são ouvidas".

 

            Ainda assim, existem entraves para uma maior dimensão deste fenómeno. "A maior parte das pessoas nem sabe que se pode pôr o nome da mãe em último lugar e por isso nem colocam essa hipótese", defende a socióloga.

 

            Apesar dos números mostrarem uma realidade crescente, Ana Reis Jorge acredita que "ainda há muito a fazer pela igualdade das relações". Isto porque, "mesmo quando a mãe pensa em dar continuidade ao nome, o seu último apelido é ainda o da linha do seu pai".

 

            Além disso o apelido da mãe acaba por ser dado ao segundo filho e o do pai continua a ser para o primeiro, logo se não houver dois filhos o apelido do pai continua a prevalecer, conclui.

 

            De facto era esta a opção de Carla Loja, mas como teve gémeos resolveu a questão logo com os primeiros filhos. Carla não parece incomodada por os dois irmãos iguais terem nomes diferentes. "Vai ser um bocadinho estranho mas vai ser também a individualidade de cada um", defende a mãe.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 23:22

 

            Todos os anos mais de 600 portugueses querem mudar o seu nome, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça. Quem mais procura esta alteração são luso-descendentes que pretendem usar em Portugal o mesmo nome próprio aceite nos países de origem.

 

            Há pais de recém-nascidos que alegam terem-se precipitado na forma como baptizaram os filhos ou ainda casos de adultos sem identificação emocional com a sua assinatura. Mas o próprio Ministério da Justiça reconhece que os pedidos mais frequentes vêm de pessoas nascidas no estrangeiro.

 

            Os números oficiais mostram que na última década mais de 6600 portugueses mudaram o seu nome, estando excluídos destes dados as alterações por casamento, divórcio ou adopção.

 

            Até 1982, a lei não admitia que as crianças filhas de emigrantes que nasciam fora de Portugal usassem nomes próprios estrangeiros.

 

            “O que acontecia era que os nossos pais nos registavam de uma forma nesse país e depois, no consulado português, eram obrigados a aportuguesar o nosso nome”, conta à agência Lusa a presidente do Observatório dos Luso-descendentes, Emmannuelle Afonso.

 

            Assim, quem nasceu Silvie ou Michel por vontade dos pais, viu-se obrigada a registar os documentos portugueses enquanto Sílvia ou Miguel.

 

            Muitos são os luso-descendentes que pretendem fixar-se em Portugal e se vêem confrontados com este problema.

 

            Pascal Gonçalves nasceu em França em 1972 e só 20 anos depois veio para Portugal para continuar os estudos.

            “Sou Pascal para tudo. Mas nos actos oficiais em Portugal tenho de ser Pascoal”, conta.

            A responsável do Observatório dos Luso-descendentes contesta que estes cidadãos tenham de pagar pela mudança de nome, uma vez que considera tratar-se de uma correcção.

 

            “A lei não permitia que em Portugal estes nomes escolhidos pelos pais nos países de origem fossem usados. Depois, a própria lei veio fazer essa correcção, por isso não é uma alteração. Não deveriam ter de pagar por isso”, advoga Emmanuelle Afonso.

            Em resposta à Lusa, o Ministério da Justiça refere apenas que “o meio próprio para a mudança de nome é o Processo de Alteração de Nome, que é pago”.

            O preço, segundo as tabelas do Instituto dos Registos e do Notariado, é de 200 euros para este procedimento administrativo, que pode implicar apenas a introdução de um “L”.

  

            É o caso de Michelle Vanslette, que surge no certificado de nascimento e no BI português como Michele.

            Todos os seus documentos norte-americanos surgem com os dois “L” em Michelle, incluindo o registo de casamento.

            Contudo, quando tratou dos documentos portugueses teve de manter o Michele apenas com um “L” e lamenta agora não ter o seu casamento, que realizou nos EUA, registado em Portugal.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 18:11


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