Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

24
Abr 11

 

            Há muito tempo atrás havia ao norte do Amazonas uma tribo de índios chamada Ianomâmi. O feiticeiro também o chefe religioso da tribo, sempre reunia os curumins, em volta da fogueira para contar-lhes velhas lendas da tribo. O pajé muito esperto sentia que as crianças adoravam suas histórias e quando as contava, notava em seus rostinhos o brilho dos olhos denunciando o interesse e a participação na vivência.

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            Contava que certa vez em sua tribo nascera uma indiazinha de cabelos claros, quase dourados. Foi um verdadeiro reboliço na tribo, pois nunca haviam visto coisa assim. Foi chamada de Ianaã, que queria dizer a deusa do sol.

 

            Todos a adoravam, os fortes e mais belos guerreiros da tribo e da vizinhança também, não resistiam aos seus encantos. Mas ela os recusava dizendo ser ainda muito cedo para assumir compromisso.

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            Um dia, estava ela alegremente brincando e nadando no rio, quando sentiu que o Sol lhe enviava raios como se fossem grandes braços acariciando levemente a sua pele dourada. Só agora, o sol havia tomado conhecimento daquela figurinha tão linda e se apaixonou perdidamente por ela.

 

            Ianaã também sente se atraída por ele, e todas as manhãs ela esperava o nascer do sol toda feliz. Ele ia aparecendo aos poucos e o seu primeiro sorriso e os raios dourados e morninhos eram para ela. Era como se dissesse: bom dia, minha flor!

              Por onde ela passava os pássaros voavam e pousava sobre seus ombros, ela os beijava e os chamava de amiguinhos.

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            Um dia a pequena índia ficou muito triste e adoeceu, quase não saia de sua choupana. O Sol apaixonado fazia de tudo para alegrá-la, tudo era em vão. Ela morreu.

            A mata ficou em silêncio, o Sol deixou de aparecer, tudo se transformou em tristeza na aldeia.

 

            O povo da tribo chorou muito. Enterraram Ianaã perto do rio que ela tanto amava. O Sol derramou muitas lágrimas até que decidiu aquecer a terra onde sua amada estava sepultada.

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            Depois de vários meses, nasceu uma planta verdinha que foi crescendo e abriu uma grande flor redonda com as suas pétalas amarelas e ao centro formada por sementes escuras, que ficava voltada para o Sol desde ao amanhecer até o seu crepúsculo vespertino, e à noite ela se pendia para baixo como se quisesse adormecer. Acordando no início do novo dia pronto para adorar o Sol e por seus raios ser beijada e acariciada. As suas sementes seriam o alimento para os seus queridos amiguinhos.   

            Essa flor tão bela recebeu da tribo o nome de girassol.

 

             Existe outra lenda romântica do girassol:

            Dizem que existia no céu uma estrelinha tão apaixonada pelo Sol que era a primeira a aparecer de tardinha, antes que ele se escondesse.

 

            E toda vez que o Sol se punha ela chorava lágrimas de chuva. 

 

            A Lua falava com a estrelinha que assim não podia ser. Que a estrela nasceu para brilhar à noite e que não tinha sentido esse amor.

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            Mas a estrelinha amava cada raio de sol como se fosse a única luz de sua vida. Esquecia até sua própria luzinha.

 

            Um dia ela foi falar com o Rei dos Ventos para pedir a sua ajuda, pois queria ficar olhando o Sol, sentindo o seu calor eternamente.

 

            O Rei dos Ventos disse que seu sonho era impossível, a não ser que ela abandonasse o céu e fosse morar na Terra, deixando de ser estrela.

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            A estrelinha não pensou duas vezes: virou uma estrela cadente e caiu na Terra em forma de semente.

 

            O Rei dos Ventos plantou esta sementinha com muito carinho e regou com as mais lindas chuvas.

 

            A sementinha virou planta. As suas pétalas foram se abrindo, girando devagarinho, seguindo o giro do Sol no Céu.

 

            É por isso que os girassóis até hoje explodem seu amor em lindas pétalas amarelas.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 13:03

30
Jun 10

 

                Certa feita, um carroceiro gritava  com os seus bois, fatigados pela carga excessiva de toras de peroba. Era ajudado por seu filho, que chicoteava grosseiramente os animais, não avaliando que era impossível os bois saírem do local, num lamacento buraco. Os bois respiravam aos sufocos, largando uma saliva espumosa pela boca, enquanto o homem esbracejava.

 

            Aos urros e berros escoantes, com blasfémias de todas as espécies e contra as divindades, os animais se contorciam de um lado para outro, sem o efeito esperado que o carro pudesse ser removido dali. O homem recorreu a todos os santos e demónios; por fim, gritou: “talvez quem pudesse nos ajudar, só mesmo o diabo!”. E o seu santo, naquela hora, passou a ser o demónio, já que não resolveram nada os demais santificados.

            Que surgisse, então, o demónio. Para resolver uma situação que se encontrava sem remédio.

 

            Repentinamente, ouviu-se um barulho, com grande claridade e um pouco de fumaça. Lá estava “ele” sobre as toras amarradas na carroça atolada, lançava pela boca e olhos uma lasciva chama avermelhada e observava o carroceiro atónito.

 

             O carroceiro pôs as suas mãos no bolso à procura de um rosário e encontrou somente fumo de rolo. Tentou se lembrar dos seus santos e recitava até orações nunca ouvidas! Mas nada resolvera. Ele, o diabo, continuava ali, sentado e indiferente ao homem que tentava agora se lembrar dos santos e dos desafios que fizera anteriormente contra a divina providência.

 

            Enquanto isso, como por encanto os bois lentamente saíram da lama e caminhavam com o peso, como que ajudados por alguma força diferente, invisível.

 

            Essa história se espalhou pelo lugar. E o Diabo de Capanema permaneceu no folclore do lugar. Até hoje, alguns fazem troça, outros ignoram, os demais comentam com dedicação e curioso interesse. E foi assim que aconteceu; a figura ilusória e persistente na imaginação de muitos ficou, vagando por longos tempos.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 16:58

29
Jun 10

            Conta-se que na região de Matinhos, do estado do Paraná, existiam muitos índios carijós e que havia muito ouro nas montanhas. Das histórias dos primeiros colonizadores, destaca-se a figura de um “homem de branco” que, à época, começou a fazer contacto com os índios e ficou amigo deles.

 

            Os índios perceberam que o homem queria o ouro deles e tentaram logo se proteger. Cada vez que este homem os procurava, eles se afastavam, porque constataram que o ouro estava desaparecendo.

  

            Na verdade os brancos queriam a região, o Bairro Tabuleiro, morro do Cabaraquara, onde existem, ainda, muitos sambaquis entre as matas.

 

            Um dia o “homem de branco” começou a ficar doente, com muitas dores. Acredita-se que o motivo tenha sido por envenenamento, causado pelos próprios indígenas, através de bebidas que foram oferecidas ao homem.

 

            Até hoje, alguns moradores do antigo local, relatam que o “homem de branco” ainda assombra a região e a quem mora ali.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:48


            Conta-se que por volta de 1850 o tráfico de escravos negros, embora proibido, era praticado vergonhosamente. Com a emancipação política do Paraná, em 1853, iniciou-se a marcha para o progresso do Estado. Entre os anos de 1856 a 1858, o toldo dos índios Kaingang, no vale do Piquiri, foi cruelmente atacado e destruído. A partir dessa data, tropeiros paranaenses começaram as suas passagens pelos campos de Guarapuava e, bem mais tarde, pelo picadão que unia Guarapuava ao Mato Grosso do Sul, sendo Campo Mourão o local de repouso para os peões e as tropas.


            Contam os moradores da região de Guarapuava, Pitanga e Campo Mourão, que naquela época prevalecia a lei do mais forte; havia muitas chacinas e emboscadas, pois a ganância era muito grande. Pela região sempre aparecia um senhor idoso, longas barbas brancas, sandálias de couro nos pés, um lenço na cabeça, roupas maltrapilhas, um autêntico andarilho. Homem de poucas palavras, porém de sábias acções, era apenas conhecido como João Maria de Agostinho, “o profeta”. Chamavam-no de São João Maria, o santo profeta que curava pestes, doenças e até domesticava animais ferozes e cobras venenosas.


            O incrível é que ele sempre aparecia na hora e no lugar onde estavam precisando. Nada se sabia dele. Só que realizava milagres. Dizem que passou por um olho d’água do Jordão, em Guarapuava, e que até hoje aquela água tem poder de cura para os que têm fé.


            Todo mundo queria encontrar e falar com o tal profeta. A fonte virou um verdadeiro local de romeiros que ficavam de molho nas águas e no próprio barro e afirmavam que eram curados. Por onde o monge passava, falava de Jesus e plantava uma cruz. Ensinava sobre o amor, a fé e a caridade para com o próximo. Também ensinava a utilizar ervas caseiras e dizia que até a água pura curava, se a pessoa tivesse fé em Deus, não nele. Sempre ressaltava isso.


            Também passou por Campo Mourão e dizem que aqui havia muitas cobras venenosas. Quando aparecia alguma cobra na propriedade era só pensar no profeta e ele aparecia. Ele ia até o local e conversava com a cobra, ordenando que ela e toda a sua prole sumissem dali. Em seguida a essa ordem, fazia uma oração e nunca mais aparecia cobras naquele local.


            Em uma ocasião apareceu uma velha beata que começou a tirar vantagens em nome do profeta. Fazia bolinhas de barro e as vendia como pílulas milagrosas de São João Maria, dizendo que curavam todos os males.

 

            Era só engolir com um pouco de água e se livrar dos vermes, febres e outras doenças. Um dia, essa senhora adoeceu gravemente, porém nem médicos, nem as pílulas milagrosas conseguiam curá-la. No leito de morte, gritava:


            - Perdoe-me profeta, a minha ganância foi maior que minha fé.


            Ao anoitecer, ela faleceu. Dizem que o profeta passou a noite sentado num tosco banquinho, próximo à tarimba onde a morta era velada. Cabeça baixa, pernas cruzadas, sem pronunciar uma só palavra.


            Quando o cortejo saiu para o sepultamento, ele gritou:


            - O amor, a fé e a caridade não têm preço. Jesus Cristo foi exemplo disso. Deu sua vida por nós. Vão em paz. Quando precisarem, basta invocá-lo, que ele está sempre perto de vocês.


            A partir daquele dia, nunca mais ninguém viu, ou ouviu falar sobre o profeta, que era sempre o mesmo, com as mesmas roupas e sandálias.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:23

11
Mai 10

 

                O corcovado de Ubatuba é uma formidável corcunda de pedra que se eleva da silhueta da Serra do Mar, da qual é, nestas redondezas, o ponto mais elevado, fazendo realçar até a ponta do Martim de Sá, nas proximidades de Caraguatatuba.

 

            Aqui o Corcovado não tem a airosidade e o prestígio do seu colega do Rio de Janeiro, não recebendo visitas de turistas deslumbrados. Não recebe, mesmo porque as rejeita. Castiga severamente quem ousa mergulhar no mistério em que vive.

 

            Pouco depois de Jordão Homem da Costa vir com diversas famílias povoar a antiga aldeia de Iperoig, já então com o nome de Ubatuba, aventureiros daquele tempo quiseram ir ao topo do Corcovado. Os primeiros que tentaram isso, foram dois rapazes, jovens ainda, Pablo e Juan, filhos de um fidalgo espanhol, proprietário aqui de vasta sesmaria.

 

            Partiram aos primeiros clarões de uma fresca madrugada de Abril, confiantes no êxito dessa aventura. Mas, passaram-se dias sem que voltassem, começando aí a inquietação na família dos moços. Julgou-se que eles se haviam perdido, mas, ao certo, não se conseguiu saber por que não regressavam.

 

            Um escravo do espanhol, favorito de Pablo, prometeu ao seu amo ir buscar notícias do "Sinhô Moço" no cimo do gigante de pedra. Seus companheiros, ao pé da escarpa, viram-no subir agilmente agarrando-se aos cipós e às saliências da pedra e depois sumir lá no alto por entre moitas de samambaias.

 

            Esperaram-no até o dia seguinte. Nada. Voltaram outros dias à sua procura, mas, como os desventurados Pablo e Juan, nunca mais o preto apareceu.

  

            Em 1697, quando ao primeiro centenário da morte de José de Anchieta, veio de São Vicente, rezar missa na Capelinha de Ubatuba por intenção da alma do grande catequizador, frei Bartolomeu, da Ordem dos Franciscanos. Esse frade permaneceu mais alguns dias nesta vila e, ouvindo dos habitantes a narrativa do facto acima relatado, e de outros que se sucederam, declarou decididamente que iria ao topo do Corcovado, onde, para provar a ascensão, colocaria uma grande bandeira vermelha, perceptível aos que o acompanhassem até ao pé, da aterrorizadora escarpa. E se bem o disse melhor o fez. A grande comitiva que nesse lugar ficou postada viu, horas depois, bem lá no alto, o desfraldar da sanguinolenta bandeira que frei Bartolomeu levara consigo.

 

            Um frémito de alegria espalhou-se por todos aqueles observadores, ansiosos pela volta do padre que, de regresso por certo desvendaria o porquê misterioso do Corcovado. Esperaram-no debalde. Alguns homens dos mais corajosos dispuseram-se a ficar durante a noite à espera do missionário. Mas era por demais apreensiva a situação daqueles homens. O silêncio parecia estrangular a Natureza que, de instante a instante, num arranco horrível, gemia agonicamente pela garganta de um pássaro nocturno.

 

            Meia-noite! Seria meia-noite, quando uma exclamação quase de alívio partiu daqueles peitos ofegantes:

            - Ei-lo!

            De fato, pela rocha nua, lentamente, arrastava-se frei Bartolomeu, pelo mesmo trajecto pelo qual havia subido. Devia estar cansado. De vez em quando parava arrumando o hábito marrom, sustendo na cintura o frouxo cordão branco, e parecendo levar por vezes aos lábios o níveo crucifixo de marfim que lhe pendia ao peito. Um vago clarão de lua jorrou sobre a monástica figura denunciando um semblante funéreo em suas faces tristes e descamadas. Correram todos para recebê-lo, mas...

 

            - Onde está frei Bartolomeu? Perguntaram-se com os olhos. Não mais o viram. Esperaram-no mais algum tempo, porém o frade não desceu. Um deles gritou e o eco respondeu lá no fundo, nas gargantas sombrias da cordilheira.

            Logo depois um gemido horrível partiu, não sabem de onde, envolvendo a floresta inteira!

            Um frio de morte, uma sensação ignota agitou as carnes daqueles homens. Sem articular palavra, lívidos, completamente desnorteados, abandonaram em disparada aquele sítio maldito, ouvindo o eco sumir longe, muito longe, na imensidão da noite!

 

            Hoje ainda, à meia-noite, quem se for postar ao pé, da misteriosa elevação verá a figura do venerável frei Bartolomeu descer lentamente pela rocha nua, sem nunca, porém, chegar à base.

 

            Dizem que o Corcovado é encantado, ocultando uma rica mina de ouro pertencente a um génio que a defende dos homens. Veja o seguinte post: “A LENDA DO OURO DO CORCOVADO”.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 15:08

10
Mai 10

 

                O Corcovado de Ubatuba é um dos pontos mais altos do município, elevando-se por mais de mil metros do nível do mar. Em dias limpos, pode-se ver desde Paraty até muito abaixo de Caraguatatuba.

            Pico de beleza insuperável em toda a região. Guarda até hoje lendas e histórias como a lenda do Ouro do Corcovado da época dos fidalgos e escravos. Do alto se tem a melhor vista de toda a região do Litoral

 

            Conta a lenda que um Capitão chamado Manoel Fernandes Corrêa era proprietário de uma fazenda na praia Dura. Um dia a sua filha Alice resolveu fazer um passeio e embrenhando-se pela mata acabou se perdendo.

 

             Como prémio o pai de Alice prometeu, ao escravo que a encontrasse, liberdade imediata. Pedro, um escravo forte, conseguiu encontrá-la após longa procura, trazendo-a carregada de volta. Alice fora encontrada no alto do Corcovado. No dia seguinte o escravo foi açoitado por não trabalhar devido ao cansaço, pelo esforço despendido na procura de Alice.

 

            Esta, sabendo do acontecido, exigiu do pai que cumprisse o prometido, ou seja, libertar o escravo que a encontrara. Vendo-se liberto, Pedro beijou as mãos da moça Alice e partiu sem destino para os lados do Corcovado, lá instalou a sua choça ao lado de uma velha cascata, próxima à escarpa misteriosa. Pedro vinha sempre à Vila trocar canudos de taquaruçu cheios de grãos de ouro, por fumo, cachaça, géneros etc.

 

            Essa notícia chegou à fazenda do Capitão Corrêa, então, uma noite, em companhia de um grupo armado, foi à choça de Pedro, e capturou o ex-escravo e levou-o para a fazenda. Quando chegou, Pedro foi torturado para contar como e onde descobrira aquele fabuloso tesouro. O escravo suplicava para não o forçarem a falar, pois não podia contar.

 

            Após novas chicotadas e sofrimentos, Pedro resolveu falar: Estava morando no Corcovado, na choça perto da cascata, quando soube da morte de Alice. A noite não conseguira dormir parecendo-lhe ouvir ao longe a voz cristalina da moça numa canção de amor. De repente, a porta do casebre tremeu e escancarou-se, e penetrou por ela um vulto de mulher!

 

             Era Alice! Ele a reconheceu. Como que agarrado por mãos invisíveis, não pôde se mover do lugar em que estava. Mas ouviu perfeitamente a visão dizer:

 

            - Pedro! Tu foste um dia o meu salvador. Dei-te a liberdade, mas sei que tu sofres neste exílio maldito, onde te arrojou a crueldade de meu pai. Não te assustes e ouve-me. Não muito longe daqui, oculta nas entranhas da terra, existe uma grande mina de ouro. Ela será tua, sob a única condição de nunca revelares a outrem esse lugar cobiçado. Se isso tentares a vingança do génio protector da mina cairá sobre a tua cabeça, ouviste? Cuidado, pois, e segue os meus passos.

 

            - Negro maldito - gritou o capitão. - Não retardes a revelação. Onde está o tesouro?

            - Sinhô... Tá lá para a banda do...

            E o ruído do estrondo de um corpo encheu a sala da casa grande. Pedro caíra morto, fulminado antes de revelar o sítio misterioso do cobiçado tesouro, que até hoje jaz nas proximidades do Corcovado. Pedro bem dizia: "Pedro num pode contá..."

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:10

 

                  Lenda do centro oeste do Brasil

            Filho de negro trabalhador, Romãozinho nasceu vadio e malcriado. Tinha todos os dentes, fisionomia fechada, hábitos errantes, nenhuma bondade no coração.

            O seu divertimento preferido era maltratar animais e destruir plantas. Era um menino absolutamente perverso.

 

            Um dia, a mãe mandou-o levar o almoço para o pai que trabalhava num roçado, distante da casa.

            Romãozinho foi de má vontade. Pelo caminho, parou, abriu a cesta, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, recolocou-os na toalhinha, e foi entregar ao pai.

            Quando o velho deparou ossos em vez de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela.

            Romãozinho entendeu vingar-se da mãe, que ficara fiando algodão no alpendre da casinha:´

 

            - Foi o que me deram... Minha mãe comeu a galinha com um homem que aparece lá em casa quando o senhor não está por perto. Pegaram os ossos e disseram que trouxesse. Eu trouxe. É isso aí...

            O negro meteu a enxada na terra, largou o serviço e veio correndo. Encontrou a mulher fiando, curvada, absorvida na tarefa.

            Dando crédito ao que lhe dissera o filho, puxou a faca e matou-a.

 

            Morrendo, a velha amaldiçoou o filho que estava rindo:

            - Não morrerás nunca. Não conhecerás o céu, nem o inferno, nem o descanso enquanto o mundo for mundo...

            O marido morreu de arrependimento. Romãozinho desapareceu rindo ainda.

            Faz muito tempo que este caso sucedeu em Goiás.

 

            O moleque ainda está vivo e do mesmo tamanho; anda por todas as estradas, fazendo o que não presta; quebra telhas a pedradas, espanta animais, assombra gente, tira galinha do choco, desnorteia quem viaja, espalhando um medo sem forma e sem nome; é pequeno, preto, risão, sem ter fé nem juízo.

 

            Homens sérios têm visto Romãozinho, que vagueia por Minas Gerais até hoje, quebrando panelas e derrubando ferramentas nas casas de família.

           

            Não morrerá nunca enquanto uma pessoa humana existir no mundo.

            E, como levantou falso contra a própria mãe, nem mesmo no inferno haverá um lugar para ele...

 

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publicado por professorkibersitherc às 17:52

27
Abr 10

 

                Conta-se que, no principal e decisivo confronto entre portugueses e franceses, travado a 19 de Novembro de 1614, diante do Forte de Santa Maria de Guaxenduba, já se tornava evidente a derrota dos lusitanos, por sua inferioridade numérica em homens, armas e munições.

 
            Apesar de lutarem, iam-se arrefecendo os ânimos dos soldados de Jerónimo de Albuquerque, mas eis que surge, entre eles, uma formosa mulher em auréola resplandecente. Ao contacto de suas mãos milagrosas, transforma-se a areia em pólvora e os seixos em projécteis. Revigorados moralmente e providos das munições que lhes estavam faltando, os portugueses impõem severa derrota aos invasores, a cujos sobreviventes só restou o recurso da rendição.  


            Em memória deste feito, foi a Virgem aclamada padroeira da cidade de São Luís do Maranhão, sobre a invocação de Nossa Senhora da Vitória.  


            O Padre José de Morais, em "História da Companhia de Jesus na Extinta Província do Maranhão e Pará" (1759), demonstra a antiguidade desta lenda, escrevendo: "Foi fama constante (e ainda hoje se conserva por tradição) que a virgem Senhora foi vista entre os nossos batalhões, animando os soldados em todo tempo de combate".

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:37

15
Abr 10

 

                Esta lenda é originária de São Luís do Maranhão.

            No século XIX viveu em São Luís, uma Senhora chamada: Dona Ana Joaquina Jansen Pereira, comerciante que tendo acumulado grande fortuna, exerceu uma forte influência na vida social, administrativa e política da cidade.

 

            Conta-se que, quando viva, a Donana Jansen, assim chamada vulgarmente na época, foi uma mulher perversa que sentia prazer em espancar os seus escravos. Ela mandava arrancar os dentes e as unhas das crianças, filhos de escravos, que visse a apanhar frutas em seus pomares. Ordenava que açoitassem cruelmente os escravos, às vezes por nenhum motivo. Conta-se que usava os escravos para variadas diversões, aplicando neles toda a sorte de suplícios e torturas, que não raro, terminavam com a morte dos infelizes.


            Após alguns anos do falecimento de Donana, criou-se uma lenda fantástica, segundo a qual nas noites escuras de quinta para sextas-feira, começaram a deparar com uma assombração e apavorante carruagem, que partindo do cemitério do Gavião, correria em desenfreada pelas ruas de São Luís, puxada por muitas parelhas de cavalos brancos sem cabeças, guiados por uma caveira de escravo, decapitada também, conduzindo o fantasma da falecida senhora, penando, sem perdão, pelos pecados e atrocidades, em vida, cometidos.

 

            Ai do incauto que a encontre pelo caminho, Ana Jansen, oferece uma vela acesa que na manhã seguinte se transformará em osso de defundo.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 19:30

08
Abr 10

 

                A lenda brasileira da origem do arroz, fundamenta-se no século XVII, em que os indígenas brasileiros conhecem esse cereal relativamente tarde em relação aos outros povos.


            Conta a lenda que em 1637, quando os bandeirantes de Raposo Tavares devastaram o actual município de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, destruindo todos os aldeamentos indígenas que os Jesuítas haviam fundado, conseguiu sobreviver apenas um jovem índio chamado Tuti.

 

            Desesperado com a perda dos seus pais e de sua morada, Tuti sentava-se à margem do Rio Jacuí e via ali noites e dias nascerem e morrerem.

            O índio chorava. Chorava de fome, chorava de dor, e de saudades. E tudo parecia chorar com ele; o sol era pálido, a noite era negra, as florestas haviam se curvado e as águas endoideceram.

 

            Seis sóis eram passados. Tuti, sentado no mesmo lugar, braquiado de fome e de dor, com a face chicoteada pelo vento e os olhos cravados ao céu, como a pedir clemência, enxergou um vulto.

 

            Neste momento tudo cessou.

            As águas continuaram enfurecidas, mas em profundo silêncio, o vento adormecera nas moitas e no céu, como que prevendo felicidade, a lua sorria.

            Sobre as águas, o vulto aproximava-se de mansinho. Era um vulto de mulher, trazia em suas vestes a cor do rio com todos os seus peixes, a cor do céu com suas estrelas, a cor das matas com suas aves.

 

            Trazia o sol em seus cabelos, e seus olhos luziam como diamantes.

            Deixando rastros luminosos nas águas enfurecidas do rio, aproximava-se mais e mais, até chegar frente ao índio desconsolado. Então, falou-lhe:

 

            - Tenho aqui em minhas mãos a semente que saciará a tua fome e de todos que virão. Tome-as. Eu as recolhi de tuas próprias lágrimas caídas no rio.

            Dizendo isto, o vulto luminoso deixou escorrer de suas mãos uns poucos pingos dourados, os quais o índio, com gestos selvagens, colheu. O vulto sumiu. Um violento temporal desabou.

 

            O índio de tão fraco desmaiara, apedrejado pelo granito caído do céu. E as sementes foram levadas pelas águas. Após noites e dias de chuva, quando o sol, radiante, voltou, Tuti encontrou uns cachos, já dourados, com as sementes.

 

            Colheu-os, preparou-os e saboreou.

            Era uma plantinha frágil, mas que lhe dera muita vitalidade. Hoje chamamos esta plantinha-ternura de arroz.

 

            E para maior mistério, conta a lenda, que à meia-noite, nas margens do Rio Jacuí, há um profundo silêncio, embora as águas desçam tresloucadas.

            Isto, talvez, em homenagem à Deusa das Águas, que saciou a fome de Tuti e nos semeou o arroz.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 16:55


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