Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

26
Fev 10

 

            Primitivamente pertencente à freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, com a com a criação, em 1996, da freguesia do Jardim da Serra, a Furneira acabaria por ficar repartida por estas duas freguesias.

            A sua denominação tem a ver com a existência de várias furnas na localidade, algumas das quais, segundo a tradição, teriam servido de habitação a mouros, que para ali se vieram fixar, sendo outras utilizadas para a recolha de animais, apresentando as destinadas a habitação características diferentes das destinadas a animais.

            Relativamente aos mouros, apesar de não existirem documentos que comprovem a sua presença na localidade, a verdade é que as pessoas mais idosos, com base em informações que lhe foram transmitidas oralmente por seus pais e avós, que por sua vez, as haviam recebido da mesma forma, afirmam peremptoriamente, a sua presença chegando até ao pormenor de identificar alguns dos habitantes deste e de sítios limítrofes, como seus descendentes.

            Para além de, nalguns casos, apresentarem alguns discretos traços fisionómicos similares aos habitantes do Norte de África, a estas famílias encontram-se associadas comportamentos reveladores de alguma agressividade e que, são suficientes para que a generalidade da população, que os conhece, mantenha alguns cuidados no seu relacionamento com eles e, só à boca pequena, se atrevam a tecer comentários sobre as suas origens.

            Ainda que não se saiba ao certo a origem da comunidade tida como moura e acreditando-se como certa, desde tempos remotos, a sua presença, nesta localidade, é possível admitir que ela se tivesse constituído a partir de escravos que foragidos do povoado, ali se refugiaram.
            A presença, junto das furnas, de infra-estruturas destinadas à conservação de alguns produtos utilizados na sua alimentação é outra das provas de que estas terão em tempos sido utilizadas como habitação.

            Aliás, a presença de mouros nesta região é ainda atestada pela toponímia, que chamou de banda de Mouro a um lugar, próximo da Furneira, no sítio do Pomar Novo e onde, uma lenda diz ali existir uma mina de ouro e estar acorrentada e encantada uma moura, cujo desencanto constitui a chave para a acessibilidade ao tesouro.

            Este lugar é referenciado pela existência de uma um talude de cor amarelo ouro, donde brota água proveniente de uma nascente ai localizada.

            Segundo a lenda, para desencantar a moura e ter acesso ao tesouro, que ela guarda, é necessário cumprir escrupulosamente um ritual que consiste em lá ir um dia à meia-noite, provido de um gato ou galinha preta, de uma garrafa de aguardente, ler uma determinada passagem do livro de São Cipriano e cavar 7 palmos ou 7 passos distante da nascente, em direcção a poente.

            Contudo, apesar de já várias tentativas terem sido efectuadas, para desencantar a moura, tal ainda hoje não aconteceu, talvez porque o tesouro e a moura encantada não passem mesmo de uma lenda, ou porque o ritual não foi escrupulosamente cumprido.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 22:36

 

             A Levada da Velha que teria sido construída para captação de água no Curral das Freiras e seu transporte até ao Estreito, Quinta Grande e Campanário, permanece ainda hoje envolvida num grande mistério, onde o real se confunde com o lendário. Efectivamente  se não subsistem dúvidas sobre a existência de segmentos do traçado dessa levada cavada nos rochedos do Curral, já todo o processo que envolveu a  sua construção é pouco claro e difícil de explicar, situação que muito provavelmente fez eclodir a imaginação popular, atribuindo a sua construção a uma velha rica.
 
            Quem se deslocar de automóvel à freguesia do Curral das Freiras e, a partir do lugar da Estrela começar a olhar com alguma atenção para os rochedos que constituem o limite oeste do Curral das Freiras e que o separam da freguesia do Estreito e do Jardim da Serra, verificará que em determinadas zonas existem vestígios de um e às vezes de dois traços horizontais e paralelos cavados na rocha.  Melhor apreciados desde a Eira do Serrado ou a partir do troço de estrada entre os dois túneis de acesso ao Curral das Freiras, estes sulcos correspondem a uma antiga levada, denominada de Levada da Velha, por ter sido, segundo a tradição, mandada construir por uma velha rica para irrigar as suas propriedades nas freguesias da Quinta Grande e do Campanário.

            Ainda que, a este propósito, a informação escrita seja muito escassa, encontramos quer em 1933, quer em 1952, no Jornal da Madeira, dois textos aparentemente do mesmo autor, que não só descrevem com algum pormenor aquilo que a tradição oral fez chegar até aos nossos dias, como adiantam algumas explicações relativamente ao construtor e época em que foi construída e, que apesar de especulativas, não deixam de parecerem convincentes.
 

            Segundo o Jornal da Madeira de 27 de Julho de 1952, “os mais antigos aquedutos, hoje abandonados por várias circunstâncias, passaram a ser denominados genericamente por levadas velhas, ou no singular, levada velha. Esta denominação facilmente se converteu em Levada da Velha.
            A mais antiga e mais célebre refere-se a um aqueduto que conduziria água de rega desde os flancos do Pico Ruivo e Torres em direcção à Boca dos Namorados, atravessando despenhadeiros e rochas alcantiladas, num percurso de mais de 20 quilómetros.
            Nenhum documento escrito demonstra a existência deste aqueduto, mas é certo que existiram dois, em vez de um, no sítio já indicado, como se prova à evidência, pelos vestígios de duas linhas paralelas, obliteradas onde o terreno era movediço, mas cortadas a picareta em rochas vivas ou moles, como se pode verificar encontram-se pedaços de caixa de levada, cavada na rocha, que os séculos ainda não destruíram.
            Aqueles aquedutos foram construídos em remotíssima época, provavelmente no último quartel do século XV e um deles deveria ser destinado à irrigação de terrenos do Estreito, Quinta Grande e Campanário. Ainda existem nessas paróquias alguns vestígios e tradições da obra formidável, de incalculáveis vantagens agrícolas e económicas”.
 
            Quem a mandou construir?
            O destino das águas, referenciado na tradição oral como sendo Quinta Grande e Campanário, associado à falta de informação, a propósito da data da sua construção, permite-nos não só admitir que ela tenha acontecido em tempos muito remotos, como ainda admitir que a sua construção possa ser atribuída a Rui Teixeira. Para além de possuir propriedades no Campanário, onde residia, Rui Teixeira era também proprietário do Curral, terrenos que haviam sido doados, a 22 ou 28 de Agosto de 1474 a sua mulher Branca Ferreira, por João Ferreira, que por sua vez os havia recebido, por sesmaria, do primeiro capitão donatário, João Gonçalves Zarco.
            Só assim se compreende a relação entre o Curral das Freiras e o Campanário e a acessibilidade, por parte do proprietário do Campanário, às águas nascidas no Curral das Freiras.

            Ainda que a tradição refira que a levada foi mandada construir por uma velha rica e que o Padre Eduardo Clemente Nunes Pereira, nas Ilhas de Zarco chega a referir como sendo de origem  castelhana ou moura, o autor do texto publicado no Jornal da Madeira, que vimos citando, rejeita naturalmente esta hipótese. Ao se interrogar sobre quem havia mandado construir a Levada da Velha, coloca também de fora a hipótese de ter sido o Estado a construí-la, uma vez que se o tivesse sido, seria de admitir a existência de documentação escrita, o mesmo acontecendo com a hipótese de se ter tratado de um empreendimento de natureza popular. Era pouco viável que o povo fosse capaz de se unir  para um empreendimento tão dispendioso, difícil e demorado na execução.
            Sendo assim, só havia uma hipótese que adianta tanto no texto de 1933 como no de 1952: O Curral das Freiras pertenceu, até ao último quartel do século XV a Rui Teixeira, casado com D. Branca Ferreira, residente no Campanário.

            Nesse tempo,   os donatários, além de riqueza em propriedades e dinheiro, tinham ao seu serviço centenas de escravos que obedeciam cegamente aos seus senhores.
            Rui Teixeira, homem de vistas largas, corajoso e empreendedor, concebeu o arrojado pensamento, seguido de execução, de valorizar os seus domínios no actual concelho de Câmara de Lobos pela irrigação, conduzindo até lá, em aqueduto as águas que nasciam nas fraldas do Pico Ruivo e montes anexos.
 
            Porquê duas levadas?
            Encontrado o construtor, o articulista do Jornal da Madeira interroga-se sobre os motivos da existência de dois aquedutos, desde as rochas da Boca dos Namorados até à região das nascentes.
            E a explicação dada também não deixa de ser convincente. Apesar de possuir meios humanos e financeiros faltariam a Rui Teixeira meios técnicos, ou seja um Amaro da Costa, que como todos sabem foi o autor do projecto da levada do Norte. Ora, esta falha viria a condicionar alguns erros de cálculo na sua construção.
            Rui Teixeira terá começado por construir uma levada a partir das rochas da Boca dos Namorados, mas quando chegou à zona das nascentes, esta sairia acima delas, facto que impedia a captação das suas águas. Contudo, não desanimou e deu início a outra levada, partindo desta vez, das nascentes e trazendo a água a servir de nível.
            Explicada satisfatoriamente a existência de dois aquedutos paralelos que ainda hoje se reconhecem facilmente, nalgumas zonas, faltava agora explicar o abandono a que ficou votada e que, ao que parece, nunca terá chegado a transportar água.
            Da mesma forma que se procurou na relação entre as propriedades do Campanário e Curral das Freiras, uma justificação para o início do empreendimento, também se aponta o fim dessa relação para o seu abandono. Com efeito, por escritura de 11 de Setembro de 1480, Rui Teixeira vendeu os terrenos que possuía no Curral das Freiras ao 2º Capitão Donatário do Funchal, João Gonçalves da Câmara que, possuindo outros interesses não terá dado continuidade ao projecto inicial.
 
            A maldição cai sobre a velha.
            Ainda que não havendo certezas relativamente ao facto da água ter chegado, ou não, a sair do Curral das Freiras, a tradição diz que chegou mesmo à freguesia do Estreito e até ao Campanário, mas que a velha muito rica, a quem a lenda atribui a autoria do empreendimento, depois de ver chegar a água, em vez de agradecer a Deus a graça alcançada pôs-se a lamentar o dinheiro gasto nos seguintes termos:
 
            - Levada, minha levada.
            Levada que aqui me tens.
            Gastei uma pipa de patacas.
            E um quarto de vinténs.
 
            A partir desse momento, como castigo, a levada começou a rebentar ora numa parte, ora noutra, não sendo mais possível pôr a água a correr.

            Uma outra versão da lenda da levada da velha refere que a velha terá também morrido, por castigo de Deus, por não ter agradecido a Nosso Senhor, com humildade e acção de graças, o auxílio dispensado à obra, que parecia impossível de realizar-se, e que os seus herdeiros aterrorizados por aquele divino castigo, ou desinteressados do alto valor da obra, abandonaram-na até perderem o direito às referidas águas, que passaram para a Levada do Castelejo ou de Santo Amaro, construída muito tempo depois.

            A propósito da levada da velha, o Heraldo da Madeira na sua edição de 16 de Maio de 1909 dá outro desfecho à velha, ao referir que a velha teria falecido de desgosto ao ver que depois de ter gasto tanto dinheiro, o empreendimento não havia resultado, em virtude do defeito de desnivelamento verificado na sua construção.
Azar de uns sorte de outros!

            No dizer, do autor do artigo publicado em 1933 no Jornal da Madeira, a propósito da levada da velha,  se estas levadas tivessem funcionado, não haveria quase que cultura nem no Curral das Freiras, nem em São Martinho, nem em Câmara de Lobos porque as levadas dos Piornais, do Castelejo e da Torre não teriam metade da água.
            Reforçando ainda mais o seu pensamento refere que se a levada da velha, como o povo lhe chama não tivesse sido abandonada, a balança da fortuna ter-se-ia inclinado completamente para as freguesias do Estreito, Quinta Grande Campanário e Ribeira Brava e o Curral das Freiras, São Martinho e São Pedro beneficiadas pelas águas do Castelejo e Piornais seriam hoje (1933) terrenos árduos como a maior parte do Caniço e São Gonçalo.
 
            A levada e a veia poética  popular.
            Construída pela tal velha rica, por Rui Teixeira ou por outra entidade, um facto incontestável é que, passados tantos e tantos anos, lá está a marca da levada, levada essa que continuará, muito provavelmente, sem que se saiba a sua verdadeira história e, por isso mesmo, a ser tema de lenda e alvo de inspiração para a veia poética popular, como demonstram os versos recolhidos pelo Grupo Folclórico do Curral das Freiras e que servem até de tema do seu reportório:
 
Era uma senhora rica
E já de maior idade
Tinha uma grande fazenda
Não tinha água para rega.
Estava sempre a pensar
Aquilo que ia fazer
Vou arranjar a levada
Para ter muito comer.
Os homens eu já tenho
Vamos todos trabalhar
Quando a água chegar
A fazenda vou regar.
Levada minha levada
Levada que aqui me tens
Gastei uma pipa de patacas
E um quarto de vinténs.
Com a água da fazenda
Já estava a regar
Não dei as graças a Deus
Começou a rebentar.
A levada rebentou
Ficou o vizinho gloriado
Que tinha gasto o dinheiro
E não me tinha lucrado.
 
PROF. KIBER SITHERC 

 

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:44

 

            Fora dos dois grandes pólos (Funchal e Machico) de colonização, foi o Caniço uma das primeiras porções de terra a serem povoadas e onde sem demora se procedeu ao loteamento e cultivo das terras.
 
            Começaram por surgir então várias fazendas povoadas, tendo alguns dos primitivos colonizadores aqui se estabelecido e cultivado muitas terras de sesmaria e outros vieram mais tarde estabelecer-se, alargando a área da população e a cultura e amanho dos terrenos incultos.
           
            Mas, nem tudo foram rosas, pois diz a lenda que por este sítio, do Caniço, apareceu de noite o diabo, em forma de caminheiro, a um clérigo, que tinha fama de possante, cometendo-o a experimentar forças e o foi levando ladeira abaixo sobre alta rocha par que lutassem. Pressentindo o logro, se benzeu o padre e ali se deitou o demónio pela penedia com grande ruído, arrastando consigo uma quebrada.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 19:40

 

             No tempo em que a ilha da Madeira era aterrorizada por piratas, terá vivido o jovem Cambaral, o mais temido de todos os corsários. Os seus permanentes ataques à Ponta do Sol e à Ribeira Grande (a sul do arquipélago), levaram o senhor daquelas terras a capturá-lo. Após repetidos confrontos, Cambaral é encontrado à beira da morte, com sérios ferimentos.     
 
            O fidalgo leva-o então para sua casa (para que recuperasse antes de ir à forca), deixando-o aos cuidados da sua própria filha, Leonor. É então que o inesperado acontece: os dois jovens apaixonam-se. Já recuperado, e a poucos dias de ser enforcado, o pirata propõe à sua amada fugir. Na noite combinada, Leonor vai ter com ele à ponte sobre a ribeira de Ponta do Sol. Só que... os dois são surpreendidos pelo pai, que fora avisado. Cego pela raiva que sentiu, o pai magoado corta as cabeças dos dois amantes de um só golpe. 
 
PROF. KIBER SITHERC
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publicado por professorkibersitherc às 16:35

03
Jan 10

 

            É o povo do Porto Santo alcunhado de “Profeta” pelo ridículo a que se sujeitou toda a população, desde 1532 a 1533.
 
            Habitava na ilha, em sítio ermo da parte nortenha, um pastor eremita e selvagem que, por suas poucas relações e falas, era conhecido por bravio ou bravo.
            Aproveitando-se do mistério que rodeava a sua vida, resolveu fazer-se passar por profeta iluminado pelo Espírito Santo, que lhe guiava os passos e ditava as palavras.
 
            Certa noite desceu ao povoado, trazendo uma campainha e alarmando todo o povo que de todos os lados acorria curioso. O Espírito Santo ocupava a alma do profeta “ Fernão Nunes” mandando-o desvendar publicamente os defeitos e as culpas secretas de toda a gente.
 
            O Povo foi-se deixando levar pelo pastor, acontecendo tamanhas barbaridades. Então, um dia três habitantes da Ilha que não acreditavam nas palavras do tal profeta, partiram para “Machico” pedindo auxílio às autoridades.
 
            O pastor foi preso juntamente com a sua sobrinha Filipa, também envolvida, sendo mandados para o tribunal de El-Rei que os condenou, a estarem à porta da Sé de Évora durante a missa de terça, com círios acesos na mão e grande letreiro que dizia: “Profetas do Porto Santo”.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 18:53

 

           No Porto Santo, o apóstolo S. Pedro, começou a ser mais venerado pelos seus habitantes especialmente pelos homens do mar, a partir, do Séc. XVI. A sua imagem, a primeira a surgir na Ilha e que ainda hoje permanece no culto dos fiéis, está envolvida numa lenda.
 
            Conta-se que o pescador, o barqueiro carreireiro e o lavrador eram favorecidos pelo Santo. A fé no S. Pedro tem-se mantido e, ainda hoje, lhe fazem promessas nas horas de aflição. O culto é prestado na capela com o mesmo nome, localizado no sopé do Pico Ana Ferreira, bastante desviada do mar, mas visível a tais mareantes. Este tempo primitivo, desconhecendo-se o ano da sua fundação a quem a custeou.
 
            A lenda que envolveu a imagem, que se encontra na capela, ainda hoje é contada pelas pessoas mais velhas, passando de geração em geração.
 
            Reza a lenda que, há muito tempo atrás, um pastor que andava a pastorear o seu gado nas proximidades do Ribeiro da Quebrada, mesmo por cima da Capela de S. Pedro, foi beber água, a uma nascente que ali havia e encontrou a imagem do Santo. Logo correu a dar a notícia que a imagem foi levada em procissão para a Igreja Matriz.
 
            No entanto, a imagem, como que milagrosamente, veio a aparecer no mesmo Ribeiro. Até que por fim, foi tomada a decisão de fazer a Capela no local mais abaixo da aparição, onde actualmente se encontra, ficando a imagem neste Templo. A Capela não ficou no lugar exacto da aparição, por causa das chuvas e da erosão, que ali se faziam sentir.

            A tradição diz ainda que, numas vezes, a imagem aparecia de costas para a porta, e outras ocasiões, de costas para o altar.
PROF. KIBER SITHERC 
 
 
 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 16:52

 

Depois de Alcácer Quibir
El Rei D. Sebastião
Perdeu-se num labirinto
Com seu cavalo real

As bruxas e adivinhos
Nas altas serras beiras
Juravam que nas manhãs
De cerrado de nevoeiro
Vinha D. Sebastião

Pastoras e trovadores
Das Regiões litorais
Afirmaram terem visto
Perdido entre os pinhais
El Rei D. Sebastião

Ciganos vindos de longe
Desconhecidos falcatos
Tentando iludir o povo
Serem enguias afirmaram
El Rei D. Sebastião
E que voltava de novo

Todos foram desmentidos
Condenados às tempestades
Pois nas praias dos Algarves
Trazidos pelas marés
Encontraram o cavalo
Farrapos do seu gibão
Pedaços de nevoeiro
A espada e o coração
de El Rei D. Sebastião

Depois de Alcácer Quibir
virá D. Sebastião
E uma lenda nasceu
Entre a bruma do passado
Chamam-lhe "O Desejado
Pois que nunca mais voltou
El Rei D. Sebastião
El Rei D. Sebastião
 
JOSÉ CID 
 
            Desde o desaparecimento do Rei D. Sebastião, que o povo português esperava o regresso do seu monarca, e o povo desta freguesia não constitui excepção.
 
            Assim sendo, reza a lenda que os Portossantensses acreditavam que o rei estava refugiado numa pequena Ilha, situada atrás do Porto Santo, mas nunca ninguém a podia ver, porque estava submersa. Mas, um dia de nevoeiro, essa Ilha viria emergir, e o esperado rei viria a Porto Santo.
 
            Existia ainda uma outra versão desta lenda, que conta que o Rei D. Sebastião ia aparecer numa Quinta- Feira e no dia de S. João. Nesse dia, a cidade do Funchal era arrasada e a escada do Monte servia de cais. Contava o povo local que ele ia aparecer numa bela praia do Porto Santo. Nesse momento as pessoas tinham de fugir e não olhar para trás, senão transformavam-se em pedras de mármore.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
 
 
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 15:16

 

            As Furnas do Cavalum, na vila de Machico da ilha da Madeira, são umas grandes grutas escavadas na rocha de basalto, que o povo diz serem a morada de um monstro. Cavalum é um diabo, em forma de um enorme cavalo com asas de morcego que deita fogo pelas narinas. Ainda é possível, em dias de temporal, ouvir os urros e as patadas do Cavalum ecoar nas paredes da gruta. Embora haja quem diga que estes ruídos não são mais do que o eco do ribombar dos trovões, o povo afirma serem do monstro que ali foi obrigado a ficar contra a sua vontade.
 
            Segundo a lenda, nos tempos em que o Cavalum andava à solta, foi a besta bater à porta de igreja para falar com Deus. Quando Deus lhe perguntou ao que vinha, o Cavalum disse-lhe que lhe queria propor um desafio: o monstro tinha a intenção de destruir toda a povoação, igreja incluída, e queria ver se Deus, que já estava um bocadinho velho, tinha forças para o impedir. Deus mandou-o embora dizendo que não tinha paciência para tais brincadeiras.
             Mas o Cavalum, que achou que tinha sido honesto em o avisar, reuniu o vento e as nuvens e juntos despertaram uma grande tempestade que se abateu terrível sobre a povoação. Do alto do penhasco, o Cavalum relinchava de satisfação perante a aflição dos habitantes. Mas Deus, envolvido nas suas mantas diante da lareira, não mexeu um único dedo, pensando que o Cavalum depressa se cansaria da sua brincadeira. Mas a tempestade subiu de intensidade e o povo, atemorizado, viu as casas e os campos serem arrasados. Até o crucifixo voou pelos ares até ir parar ao mar, levado pelo vento, por indicação especial do insolente Cavalum.
 
            Foi aí que Deus começou a ficar mesmo muito irritado e decidiu acabar com toda aquela provocação infantil. A sua primeira reacção, claro está, foi fazer com que um barco que estava no mar achasse o crucifixo. Depois chamou o sol que apareceu com toda a sua força, afastando as nuvens, o vento, os trovões e os relâmpagos. O céu ficou azul e a felicidade voltou ao coração dos homens. Não querendo mais ser interrompido nos seus afazeres pelas tropelias do monstro, Deus decidiu prender o Cavalum nas grutas, onde ainda hoje de vez em quando se ouvem os seus protestos de raiva e desespero.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 14:18

01
Jan 10

 

            No mês de Agosto realiza-se a maior festa de devoção popular do arquipélago da Madeira, conhecida como Arraial do Monte, sendo também célebre em todas as partes do mundo onde existam emigrantes madeirenses.

            É considerada a festa mais importante do ano, é na Igreja da Nossa Senhora do Monte, padroeira da ilha da Madeira, que se celebram as cerimónias religiosas. A festa é muito animada, e por toda a ilha, pode-se apreciar a boa comida típica e dançar ao ritmo de alegres músicas. Por detrás da Senhora do Monte conta-se a seguinte lenda:
 
            Nos primeiros tempos da colonização, da ilha da Madeira, havia uma ribeira de água límpida e abundante, rodeada de terras férteis, que encantou os portugueses que lá chegaram. Mas um dia, um senhor poderoso resolveu ter aquela água só para si, e canalizou a fonte para as suas terras. A população ficou desesperada, porque aquela água era imprescindível à sua sobrevivência, resolveu fazer uma procissão à Senhora do Monte, implorando para que a água voltasse a brotar naquela fonte.
 
            O milagre aconteceu e a água encheu de novo a fonte, mas em quantidade menor do que no início. O povo utilizou então em seu benefício a ideia do desvio da água e, construindo regos ou cales, levaram a água mais longe, tornando férteis muitos campos e quintas. A ribeira ficou a ser conhecida como a ribeira de Cales, e o milagre da Senhora do Monte ficou para sempre na memória popular.
 
            Contam-se inúmeras histórias e lendas sobre a Senhora do Monte. Dizem os "antigos" que ela sempre escolheu onde queria ficar, conversava com uma pastora e resistiu aos corsários e aos espanhóis.
            Ela, apesar de pequenina no tamanho, desaparecia do lugar onde a guardavam para aparecer num espaço mais amplo, no Largo da Fonte.
 
            Diz-se também que quando os corsários chegaram à Madeira e roubaram as pratas da Sé, de Santa Clara e de outras Igrejas, também decidiram levar a imagem da Senhora do Monte. Só que, ao perceberem que ela não era tão valiosa quanto esperavam, atiraram-na ao chão, mas o degrau de basalto quebrou e a santa ficou intacta.
            Mais tarde os espanhóis roubaram a imagem, mas ao que consta ao chegarem ao barco, a senhora desapareceu para voltar a aparecer na Igreja do Monte.
 
            A primitiva Capela da Encarnação, foi construída em 1470,  por Adão Gonçalves Ferreira, o primeiro homem que nasceu na Ilha, filho de um companheiro de Zarco.  A actual igreja data de 1741. A imagem milagrosa de Nossa Senhora foi para a Sé Catedral, voltando para a nova igreja a 14 de Junho de 1747. A igreja foi destruída em 1748 pelo terramoto e reconstruída em 1818.
            No altar mor está a imagem de N. S. do Monte. A igreja está a 598 metros da altura do mar e tem 68 degraus de pedra. Na capela lateral está o túmulo de Carlos de Habsburgo, imperador da Áustria, hoje beato, vítima de pneumonia.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 

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publicado por professorkibersitherc às 16:07

29
Dez 09

 

            Na corte britânica de Eduardo III, vivia um homem de sangue plebeu e alma nobre, Roberto Machim, que tinha como melhor amigo e companheiro de armas o fidalgo D. Jorge. Roberto Machim era um homem sensível e tinha o dom da palavra, por isso, D. Jorge veio pedir-lhe para ir com ele esperar a sua jovem e bela prima, Ana de Harfet, que D. Jorge queria impressionar. Os primeiros olhares e as primeiras palavras trocadas, entre Ana de Harfet e Roberto Machim, foram suficientes para que surgisse um amor tão intenso, que resignou sinceramente D. Jorge.
 
            Mas os pais de Ana de Harfet, não aceitaram uma união com um pretendente de tão baixa linhagem, e ordenaram o casamento de Ana com um dos fidalgos da corte. Roberto Machim, não escondeu, nem a sua cólera nem a sua intenção de lutar por Ana, e foi preso por ordem do rei durante alguns dias, enquanto uma cerimónia de casamento se realizava.
 
            À saída da prisão, esperava o seu fiel amigo D. Jorge, que obteve a informação que Ana estava a morrer de amor por ele. Com a ajuda de D. Jorge, Ana e Roberto fugiram num barco em direcção a França, mas uma violenta tempestade desviou para uma ilha paradisíaca.
 
            Ana, encontrava-se doente após tanto tempo no mar, desembarcaram na enseada que é hoje a baía de Machico. O seu desespero por terra firme era tal, que saíram sem tomarem as devidas providências quanto à ancoragem do barco. Não se aperceberam que nova tempestade se avizinhava. Procuraram refúgio por entre as raízes de uma árvore frondosa que lá se encontrava, o diâmetro da circunferência do tronco era tal, que na sua base, havia uma concavidade que conseguia albergar muita gente, sem que houvesse falta de espaço.
 
            Após amainar a tempestade aperceberam-se que o mar tinha-lhes levado o barco. A dama desesperada, cujo estado de saúde estava já debilitado, viria a falecer passados poucos dias. Machim ergueu uma enorme cruz em madeira, junto à sepultura da sua amada (perto da frondosa árvore onde haviam encontrado abrigo), e foi afectado por uma tal melancolia, que em menos de uma semana juntou-se à sua amada na morte.
 
            Todos os restantes membros da expedição que ficaram lá tentaram sobreviver, alguns sucumbiram, outros resistiram até à passagem de um barco de mouros, que os levou para o Norte de África como escravos para serem vendidos. Um destes teria sido resgatado por cristãos, que faziam negócios com os africanos. Assim os que escaparam contaram a saga de Machim, e assim chegou aos rumores dos portugueses.
 
            A lenda refere que os “primeiros” descobridores portugueses, quando aí chegaram alguns anos depois, conseguiram descobrir uma cruz de madeira e a inscrição. Ergueram a primeira capela da ilha e assim atribuindo o nome de Machico em honra dessa inscrição. A origem destes relatos é duvidosa, pois não há relatos escritos do achado da cruz pelos descobridores portugueses e, segundo se consta, baseia-se em registos desses sobreviventes que ficaram nos arquivos marítimos ingleses.
 
PROF. KIBER SITHERC
 

 

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Sensuais - Recados e Imagens (4830)

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:41


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