Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

02
Jan 10

 

            Lia ni’an é como se chamam os contadores de histórias em Timor. São eles quem através de gerações foram mantendo vivas as histórias tradicionais da ilha. É nestas histórias que aqui se mostram, como em tantas outras que ainda se ouvem nas vozes timorenses, que assenta a luta de um povo contra o esquecimento.
 
            Dizem os mais idosos, em Ermera, que no inicio dos tempos só existia terra e agua no planeta Terra. Mais tarde, apareceram as ilhas e cresceram os continentes. Depois, um dia, a Ordem Suprema de todas as coisas decidiu popular o mundo com animais e, finalmente, também com homens…
 
            Dizem que, quando Deus decidiu por os homens na Terra, tinha de encontrar uma porta por onde eles pudessem entrar. E esta não podia ser uma porta qualquer… esta porta tinha de ficar exactamente no centro do mundo! Deus decidiu criar essa porta perto da aldeia Hatu Hei, em Letefoho, sub-districto de Ermera.
            Ele queria que o primeiro homem saísse pelo leito de um rio. Nessa época, Hatu Hei era uma região plana e só mais tarde, com o tempo, foram criadas as montanhas, entre as quais a majestosa montanha Ramelau, a mais alta de Timor Leste e da qual nasce o rio Besitei.
 
            Em pouco tempo, o rio Besitei, tapou com as suas aguas a porta pela qual os primeiros homens entraram no mundo, e esta permanece assim, ate hoje, escondida dos olhares dos homens. Porem, dizem que, quem olhar bem, pode ainda encontrar as pegadas dos primeiros homens da Terra no fundo do rio… a prova de que este foi, realmente, o lugar do nascimento dos primeiros seres humanos na Terra.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 21:26

 

            Em Timor, existe a interessante lenda sobre a descoberta do fogo.
            Kera-Kia e Kiri-Kosse pescavam juntos e dividiam o resultado do seu trabalho ao final do dia. Porém, nunca conseguiam fazer uma divisão justa, pois sempre um ficava com um pouco mais do que o outro. Por isso, Pikassa ofereceu-se para entrar na sociedade e fazer uma divisão.
 
            O problema deles é que, por não conhecerem o fogo, comiam os seus peixes crus. Certo dia, descobriu Pikassa uma pedra vermelha perto de um bocado de ferro. Sem querer, tropeçou nesse ferro, que bateu na pedra e faiscou. Então, Pikassa teve a ideia de passar gamute sobre uma pedra e esfregar o ferro nela. Tanto que esfregou, usando o gamute, que faiscou e pegou fogo. Assim, Pikassa descobrira o fogo, que proporcionou, a todos os habitantes da Ilha, a possibilidade de assarem peixes e comererem.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
  

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 15:18

30
Dez 09

 

            Liky-raka é uma grande gruta situada no topo da montanha Uatu Lawa, cerca de três quilómetros acima da estrada entre Baucau e Viqueque. Reza a lenda que há muitos anos atrás, um homem chamado Loi Huno, foi caçar numa gruta. Loi Huno levou com ele uma grande tocha para iluminar a gruta, que era escura e estava habitada por centenas de morcegos.
 
            Passou largas horas a caçar morcegos, e quanto mais tempo caçava, mais fundo ia entrando na gruta. Quando finalmente Loi Huno se apercebeu que tinha ido longe demais, e queria voltar a sair, a sua tocha apagou-se. A escuridão rodeou-o. Loi Huno passou alguns dias a tentar encontrar a saída da gruta, mas sem sucesso. Quando ficou com fome, comeu os morcegos que tinha apanhado e quando já não havia morcegos para comer, começou a comer as próprias roupas.
 
            Um dia, duas cobras compridas, uma preta e outra branca, encontraram o homem perdido. Loi Huno agonizava. As cobras ofereceram-se para o ajudar a encontrar a saída.
 

            Então, decidiu seguir a cobra branca que o guiou por um riacho dentro das montanhas. Era um riacho tenebroso e longo... muito longo…
            Entretanto, na sua aldeia em Viqueque, a família e os amigos de Loi Huno, tinham perdido a esperança de o encontrarem com vida. Ele tinha desaparecido há já um ano, e eles estavam a assinalar o primeiro aniversário, do que eles pensavam ser o dia da sua morte. Durante a cerimónia, começaram a aparecer rachas na montanha Uata Lawu. Um som profundo irrompeu da terra, e esta abriu quando um riacho forte e furioso explodiu em forma de jacto. Tinha irrompido uma queda de água na encosta de Uata Lawu, e Loi Huno estava sentado nu numa das rochas.
            As pessoas olhavam com espanto o que se estava a passar e alguns decidiram dar as suas roupas a Loi Huno, que estava nu.
 
            Com o súbito acontecimento, a cerimónia do aniversário da morte foi transformada numa festa de boas-vindas para Loi Huno. Depois do seu aparecimento miraculoso, Loi Huno nunca mais voltou a ser visto, mas a queda de água continua e é, muito provavelmente, o mais popular parque de merendas de Viqueque nos dias de hoje.
 
PROF. KIBER SITHERC
 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 17:20

 

            Em tempos que já lá vão, vivia na ilha Celebes um crocodilo muito velho, tão velho que não conseguia caçar os peixes do rio.
            Certo dia, morto de fome, decidiu aventurar-se pelas margens em busca de algum porco ou cão, distraído que lhe servisse de refeição. Andou, andou, até cair exausto e desesperado, sem forças para regressar à água.
            Quem lhe valeu foi um rapaz simpático e robusto que teve pena dele e o arrastou pela cauda.
 
            Em paga pelo serviço prestado, o crocodilo ofereceu para o transportar às costas sempre que ele quisesse navegar. Foi assim que começaram a viajar juntos.
            Mas, apesar da amizade que sentia pelo rapaz, quando o crocodilo teve novamente fome, lembrou de o comer. Antes, porém, quis ouvir a opinião dos outros animais e todos se mostraram indignadíssimos. Devorar quem o salvara? Que terrível ingratidão! Envergonhado e cheio de remorsos, o crocodilo resolveu partir para longe e recomeçar a sua vida onde ninguém o conhecesse. Como o rapaz era o único amigo que tinha, chamou-o e disse-lhe assim:
            -Vem comigo à procura de um disco de ouro, que flutua nas ondas perto do sítio onde nasce o sol. Quando o encontrarmos seremos felizes. Mais uma vez viajaram juntos, agora sulcando o mar que parecia não ter fim mas, a certa altura, o crocodilo percebeu que não podia continuar.
 
            Exausto, deteve-se na intenção de descansar apenas um instante mas, logo que parou, o corpo transformou-se numa ilha maravilhosa! O rapaz, que se viu homem feito de um momento para o outro, verificou, encantado, que trazia ao peito o disco de ouro com que o crocodilo sonhara.
            Percorreu então as praias, as colinas e as montanhas e compreendeu que aquela era a ilha dos seus sonhos. Instalou-se e escolheu o nome para a ilha. Chamou-lhe Timor, que­ significa "Oriente".
            Como já devem ter percebido, esta lenda surgiu para tentar explicar a forma especial que tem a ilha de Timor. Parece um crocodilo a nadar.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 

 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 16:29

 

            Lia ni’an é como se chamam os contadores de histórias em Timor. São eles quem através de gerações foram mantendo vivas as histórias tradicionais da ilha. É nestas histórias que aqui se mostram, como em tantas outras que ainda se ouvem nas vozes timorenses, que assenta a luta de um povo contra o esquecimento.
 
            Houve uma altura em que ir da Terra ao Céu e voltar à Terra era a coisa mais fácil de fazer. Para o fazer, só era preciso subir a uma planta trepadeira, chamada calêic, que ligava o Céu à Terra.
 
            Havia uma mulher que tinha por hábito subir pela planta trepadeira para ir buscar lenha. Um dia subiu como habitualmente fazia mas demorou tanto tempo que o marido, zangado, cortou a planta trepadeira antes de ela descer. Desde aí o Céu e a Terra ficaram separados para sempre. A população de Ramelau acredita que esta planta trepadeira estava no topo da montanha chamada Darolau e que a raiz ainda lá está.
 
            Para a população da costa sul, esta planta trepadeira é originária de um lugar chamado Ria-Tu, onde ainda está uma pedra a marcar o local. As pessoas de Matebían, no entanto, têm a certeza absoluta que a planta trepadeira era de Quelicai, onde dizem que também ainda é possível ver a raiz da mesma. De acordo com as pessoas que vivem na costa Este da ilha, era em Mua-Pitini, distrito de Lautém, que se podia subir ao Céu.
 
PROF. KIBER SITHERC
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 15:35


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