Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

12
Mai 10

 

                O fantasma do poço está entre os dez casos de lendas sobrenaturais mais conhecidos no Japão. Esse acontecimento teria ocorrido no século XVII na mansão de um senhor feudal com o nome de Oyama Tessan. Esse rico feudatário tinha uma bela criada chamada Okiku. Uma garota de família humilde que constantemente sofria assédio sexual de seu patrão, mas sempre esquivava e mantinha-se longe dos braços de seu amo.

 

            A constante recusa da garota levou Oyama a arquitectar uma cilada para que ela se entregasse a ele. Assim, o ricaço entregou um saquinho de moedas à Okiku, dizendo que havia ali dez moedas de ouro, e que ela guardasse cuidadosamente, pois ele teria que se ausentar da cidade durante quatro dias. A moça, ingenuamente, guardou o saquinho sem saber que na realidade só havia nove moedas.

 

            Após breve ausência, o feudatário voltou ao seu palacete e pediu que a jovem devolvesse as dez moedas, uma por uma. A jovem abriu o saquinho e foi contando uma por uma e ficou desesperada ao constatar que só havia nove moedas. Contou várias vezes para ver se não havia se enganado, mas infelizmente teve que reconhecer que estava faltando uma moeda.

 

            Tessan mostrou-se muito furioso com o desaparecimento da moeda. Acusou-a de ter ficado com ela e exigiu sua devolução. Okiku não sabia o que fazer, pois sendo uma simples criada, mesmo que trabalhasse a vida inteira, jamais conseguiria uma moeda de ouro. Então, desesperada, correu para o jardim chorando. O ricaço a seguiu e disse que se ela fosse “boazinha” com ele, iria perdoá-la e a moeda seria esquecida.

 

            Impulsivamente, ela respondeu que não havia feito nada de errado, e que preferia morrer a entregar-se a ele.

            Furioso com a recusa, o velho ricaço agarrou a jovem e atirou-a no fundo do poço existente no jardim dizendo:

            - Se preferes morrer, vou satisfazer o teu desejo.

            Quando passou a fúria, Tessan voltou ao poço e chamou várias vezes o nome dela, mas não houve resposta. Como o poço era fundo, certamente ela morreu afogada.

 

            Ninguém ficou sabendo do paradeiro dela. Chegaram a comentar que ela era uma ingrata, pois sem agradecer o emprego que o patrão tinha lhe dado, foi embora sem dizer uma palavra para a cidadezinha do interior de onde viera. Como ninguém sabia de sua morte, não houve culto religioso dos 49 dias em sua memória.

  

             Depois desse dia, todas as noites, o espectro de Okiku aparecia sobre o poço. Ela tinha aparência triste e a voz de extrema amargura. Repetia o gesto de tirar moeda do saquinho e contar uma por uma: - Um..., dois...., três..., quatro...., quando chegava no nove, a aparição dava um suspiro aflito e desaparecia.

 

            Tessan, que assistiu àquela melancólica cena várias vezes, ficou desesperado. Não conseguia mais dormir, pois cada vez que se deitava para repousar, ouvia a triste voz contando: Um..., dois..., três..., até o nove.

            O ricaço confessou o crime e foi preso pelas autoridades. Na prisão, acabou enlouquecendo, pois não parava de ouvir a voz contando as moedas. 

 

            A propriedade tornou-se uma mansão abandonada e com fama de mal-assombrada. Tempos depois o terreno foi comprado por outro rico senhor. Aflito com o sofrimento da aparição, o novo proprietário solicitou um culto budista em memória a Okiku. Porém de nada adiantou, pois o fantasma continuou aparecendo e contando com amargura de um a nove. Persistente, o novo proprietário pediu para um monge de outra seita que rezasse pela alma de Okiku. Assim, passaram vários religiosos e muitos cultos foram realizados junto ao poço, e de nada adiantou.

 

            Certo dia apareceu por lá o mago Shamon da seita Zenchi. Sua aparência desleixada não inspirou muita confiança do proprietário, que já estava prestes a abandonar aquele terreno. Em todo caso, como já haviam passado vários religiosos por lá, mais um não faria diferença, por isso pediu ajuda ao mago Shamon.

 

            Em vez de fazer um culto religioso próximo do poço, Shamon ficou escondido à noite entre as folhagens do jardim. O fantasma apareceu e contou as moedas até o nove. E nisso Shamon gritou: - Dez!

            Dizem que o fantasma deu um suspiro aliviado e nunca mais apareceu. 

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 21:46

11
Mai 10

 

                Uma antiga lenda, criada há quatro mil anos e inspirada nas estrelas Vega e Altair, conta a história de uma certa Princesa Orihime e seu amado Kengyu.

 

            A Princesa Orihime era uma excelente tecelã e confeccionava a mais perfeita seda de que se tinha notícia. Preocupado com sua excessiva dedicação, o rei ordenou que ela se distraísse, dando passeios diários pelo reino. Em uma dessas ocasiões, Orihime conheceu o pastor Kengyu e os dois se apaixonaram.

 

            Esquecendo-se completamente de suas obrigações, a princesa tecelã e o pastor dedicaram todo o tempo a esta paixão e por este motivo foram castigados, sendo transformados em estrelas e separados pela via láctea. Comovido com a tristeza do casal, o Senhor Celestial permite um único encontro anual entre os dois, num dia de Julho.

 

            Em agradecimento à dádiva recebida, o casal atende aos pedidos feitos em papéis coloridos (irogami) e pendurados em bambus (sassadake).

 

 

            O Festival no Japão

            Levada pela Família Imperial no inicio do século IX, a Cerimónia do Tanabata (Kikoden) sofreu alguns adaptações no Japão, com por exemplo, a substituição da seda por uma tradicional manifestação artística japonesa, o washi ou papel artesanal, na confecção dos enfeites, também denominados Tanabatas. Nessa época, apenas a nobreza tinha acesso a esta comemoração.

 

            A popularização do Festival teve inicio em 1946 com o objectivo de incentivar o povo japonês a ter forças para reconstituir o País depois da guerra.

 

            Os enfeites eram pendurados em bambus, erguidos em vários pontos da cidade e naquele ano, apesar de todas as dificuldades, incluindo a falta de alimentos.

 

            Foram erguidos 52 bambus em Sendai, capital da província de Miyagui. Com a visita do Imperador em 1947, este número subiu para 5.000 (cinco mil).

 

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08
Abr 10

 

                No Japão existe uma lenda que diz que os coelhos moram na Lua e fazem bolinhos de arroz (Mochi, é um bolinho branco feito a partir de uma massa de arroz cozido, amassada num pilão).


            No Ano Novo esse bolinho é muito procurado pelos japoneses porque, segundo a crença, traz prosperidade e longa vida às pessoas que o comerem nesse dia.


            Dizem, que se você olhar atentamente numa noite de lua cheia, poderá vê-los amassando alegremente os bolinhos de arroz!

 

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                A mais curiosa das lendas do arroz é, porém, a lenda japonesa.

            Conta-se no país do sol nascente que outrora, o único alimento ali conhecido, era as raízes e as ervas. Porém, um dia um bonzo viu um minúsculo e formosíssimo rato entrar numa cavidade próxima da sua habitação, arrastando uma pequenina espiga dum cereal para ele desconhecido.

 

            Querendo saber donde viria aquela preciosidade, seguiu o rato, que o levou muito longe, a um país ignorado, onde todos os campos estavam cobertos de arroz e onde o bonzo aprendeu a cultivá-lo, introduzindo-o depois no seu país.

 

            Foi daqui que nasceu a adoração das populações japonesas pobres, pelo rato, que conservam em casa mumificado, considerando-o como símbolo da abundância.

 

            Mitologia: Uhijimi é a primeira divindade dos 5 pares de casais divinos, do grupo de deuses Yami Yoshichidai (Segunda geração de deuses da Alta Planície Celeste). Sua contraparte é Suhajini no Kamii (Senhora da Argila do Mundo). Desse casal teria originado a primeira espiga de arroz, e por isso o Japão foi chamado inicialmente de Mizuho no Kuni.

 

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Papel de arroz do Japão

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publicado por professorkibersitherc às 11:08

14
Mar 10

 

            No folclore japonês, existem seres imortais chamados sennin. São eremitas que vivem nas montanhas, dotados de poderes mágicos. A eles são atribuídos vários truques ilusionistas ou feitos milagrosos, como voar montados em animais e nuvens. Nos antigos casos que o povo conta, os sennin são citados em várias regiões do Japão, sendo conhecidos mais de 500 deles. Eles aparecem aos humanos em estradas montanhosas ou em sonhos caracterizados como um velhinho de barba branca que porta um cajado. Existem também muitos personagens reais, que, após acumular sabedoria durante toda a vida, se tornaram sennin em idade avançada.
 
            Certa ocasião, há muitos e muitos anos, um carregamento de melões (uri) saiu de Yamato (antiga capital do Japão) rumo a Heian-kyo (nova capital) numa carroça coberta por um pano grosso e puxado por três homens. No meio do caminho, a norte de Uji, os transportadores resolveram parar para um bom descanso, sob a sombra de um pé de caqui. Devido ao forte calor de verão, resolveram comer um melão cada um e deliciaram-se com a doce e cheirosa fruta.
 
            Nesse momento, apareceu por lá um velhinho portando um bastão que parou, de olho nos melões que os homens saboreavam.
            – Estou com muita sede, será que não podem me presentear com um pedaço de melão?
            – Gostaríamos de lhe oferecer um melão inteiro, mas a carga desta carroça é uma encomenda do palácio imperial, portanto, não podemos desfalcá-la – respondeu um dos homens, em tom de escárnio.
            – Vocês deviam ser mais educados com as pessoas de idade. Mas tudo bem, vou cultivar meus próprios melões para matar a minha sede.
            – O senhor vai morrer de sede antes de os melões amadurecerem – disse um dos rapazes, rindo do velhinho.

            O ancião, sem se importar com a troça dos homens, fez o desenho de um canteiro com o bastão, juntou as sementes de melão que os homens haviam espalhado pelo chão e plantou no canteiro improvisado.
            Os homens pararam de rir quando perceberam que as sementes recém plantadas começaram a brotar, e as folhas foram se abrindo diante dos olhares de espanto. Os rebentos cresciam sem parar e, em seguida, as flores se abriram e os frutos foram nascendo por toda a parte. Em questão de minutos, o velhinho estava colhendo grandes melões maduros e de agradável aroma.
 
            Os homens ficaram boquiabertos com o milagre que acabaram de assistir. Nem tiveram tempo para raciocinar sobre o que estava acontecendo, pois o velhinho disse:
            – Vamos comer o melão que plantei e distribuí-lo para todas as pessoas sedentas que por aqui passarem.
            Os homens pediram desculpas por terem sido egoístas e aceitaram de bom grado os melões que o bom velhinho estava oferecendo. Fartaram-se de comer e distribuíram a todos os transeuntes. Em dado momento, o velhinho disse:
            – Vou continuar minha caminhada, porque já matei a minha sede – assim, continuou em frente, até desaparecer nas curvas da estrada.

            Quando os três homens voltaram também a seguir para a capital, perceberam que a carroça estava mais leve. Tiraram a lona que cobria os melões e perceberam que eles haviam desaparecido. Concluíram, então, que haviam cruzado com um sennin. E o truque ilusionista do sennin fez com que eles comecem e distribuíssem os próprios melões.
 
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06
Mar 10

 

            Ora, conta a lenda que há muitos e muitos anos, vivia numa cidade do litoral do Japão uma jovem e sua velha avó. A garota perdeu os pais na infância e foi criada pela avó. Os anos foram passando e sua avó estava com a idade bastante avançada. Assim, não podendo mais trabalhar, a moça sustentava a casa trabalhando de manhã até de noite na mansão de um milionário.
 
            Certa noite, quando a moça voltava para casa e estava no meio do caminho, começou a chover, e ela teve que se proteger debaixo de um enorme pinheiro. O vento era tão forte, que fez os galhos da árvore uivarem como voz humana em forte sussurro. Primeiro, ela levou um susto, mas depois apurou os ouvidos e pôde escutar perfeitamente o que a árvore dizia através do vento:
            – Moça, eu sei que tu trabalhas muito e levas uma vida muito difícil, por isso quero ajudar-te. A minha vida também está muito difícil: daqui a três dias vou ser cortado por lenhadores e transformado em madeira por ordem do governador desta província. Depois, serei transformado num enorme navio e levado para o mar dentro de três meses.

            – Oh! Sinto muito – disse a moça, abraçando a árvore penalizada.
            – Quando forem me lançar no mar, eles terão uma surpresa. Eu simplesmente não vou me mover na rampa de lançamento. Então, certamente o governador dirá: “já tentámos de todas as maneiras mover esse navio, mas não estamos conseguindo. Aquele que conseguir fazer o navio mover vai ganhar uma grande recompensa. Então, tu deves dizer bem alto “navio entra em movimento: um, dois, três!” Daí eu vou me mover lentamente ao mar, e tu será feliz pela recompensa que receberás do governador e poderás tratar bem da tua avó, sem teres que trabalhar fora até altas horas da noite.
 
            Na manhã seguinte, ao acordar, a moça pensou que na noite anterior estava muito cansada e andou imaginando coisas, devido ao clima de ventos e trovoadas. Porém, três dias depois, a árvore foi cortada e transformada em madeira. E, três meses mais tarde, um grande navio ficou pronto no estaleiro.
            Então, chegou o dia do lançamento do navio ao mar. Todos da cidade foram ao estaleiro para ver o grande acontecimento. Na rampa de lançamento, as travas foram tiradas e muitos homens tentaram empurrar o navio ao mar. Porém, para a surpresa de todos, o navio não se movia. Fizeram de tudo, tentaram alavanca com toras, puxaram com bois, mas de nada adiantou.
            Por fim, o governador ofereceu uma generosa recompensa para quem fizesse o navio se mover.
            Muitas pessoas se prontificaram, porém, sem sucesso. Então, a moça candidatou-se. O homem que estava a receber as inscrições disse:

            – Muitos homens fortes tentaram e não conseguiram. Como uma moça frágil como tu vais conseguir?
            E todos se riram dela.
            – Qualquer pessoa que quiser tentar é bem-vinda – disse o governador.
            A moça foi para perto do navio e disse em voz alta:
            – Mova-se navio. Um, dois, três!

            Para a surpresa de todos, o navio começou a deslizar rampa abaixo em direcção da água e, em poucos minutos, estava flutuando glorioso no mar.

            O governador e todos os presentes exclamaram:
            – Que moça misteriosa! Que estranho poder!
            – Não tenho poder nenhum. Eu só repeti o que a árvore me disse.
             E contou o ocorrido para todos os presentes.
            – Vou lhe dar a recompensa prometida – disse o governador – Peça o que quiser, qualquer coisa, sem limites.
            – Eu tenho uma avó de idade bastante avançada e doente. Somos pobres e não temos dinheiro para comprar arroz e roupas.
            – Tu és uma neta dedicada, por isso a árvore resolveu ajudar-te.

            No dia seguinte, os homens do governador chegaram carregando muitas sacas de arroz e vários baús de roupas.
            Assim, a garota pôde oferecer a sua avó uma vida confortável e cheia de carinho.
 
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publicado por professorkibersitherc às 04:41

 

            Esta é uma lenda muito antiga do Japão. Do tempo em que os fogões eram à base de carvão. Havia então um jovem carvoeiro chamado Choji, que vivia numa casinha no meio da montanha. Muito trabalhador, ele acartava lenha diariamente e preparava carvão para vender na cidade.
 
            Certa noite, o carvoeiro teve um sonho bem diferente e muito bonito. Em seu sonho, ele andava por um caminho cheio de névoa, dentro de uma paisagem onírica, quando um homem de barba branca e cabelos compridos surgiu montado num belo cavalo branco de asas enormes em sua frente e disse categoricamente:
            – Choji, vá à cidade, e procure Takarabashi, a ponte do tesouro, e você se tornará uma pessoa afortunada.
            Na manhã seguinte, lembrando do sonho que lhe pareceu tão real ao mesmo tempo fantasioso, Choji ficou pensando que aquele senhor que falou com ele num sonho só podia ser Zenchi-no-Mikoto, o “Deus das Graças Divinas”, e resolveu ir até o referido local.
            Como tinha algumas entregas para fazer, colocou dois sacos de carvão nas costas e desceu a montanha em direcção à cidade.

            Depois de entregar os sacos de carvão para o comerciante que lhe havia encomendado, Choji foi até a ponte do tesouro e ficou ali parado, esperando, mesmo sem saber o que ia acontecer.
            – Que tipo de fortuna virá ao meu encontro neste local? – pensou com os seus botões.
            Assim, o jovem carvoeiro ficou de plantão no meio da ponte, durante horas e horas, mas nada aconteceu. Exausto de tanto esperar, acabou sentando no assoalho da ponte e, ao anoitecer, pegou no sono ali mesmo.

            No segundo dia, o sol estava muito forte, mas ele aguentou firme, com medo de não estar ali caso algo de bom viesse acontecer. Porém, o dia passou, a noite chegou e nada aconteceu.
            No terceiro e no quarto dias, igualmente esperou dia e noite, mas nada aconteceu.
            Na noite do quinto dia, o dono da loja de tofu (queijo de soja) que ficava quase em frente à ponte, despertado pela curiosidade, veio até perto de onde estava Choji e perguntou:
            – Tenho observado você e já faz cinco dias que está aqui no meio da ponte. O que está esperando afinal?

            – Eu tive um sonho em que Zenchi-no-Mikoto, o “Deus da Graça Divina”, me disse para vir a essa ponte – respondeu Choji.
            O tofuyá (fabricante de tofu), ouvindo o rapaz , deu uma gostosa gargalhada e disse:
            – Isso é uma coisa absurda! Eu não acredito em sonho. Sonho não tem nexo. Eu também sonhei que o deus Zenchi-no-Mikoto, com sua enorme barba branca, cavalgando um belo cavalo branco, aparecia de repente e dizia: “Na montanha, vive um homem chamado Choji. Vá até lá e cave a terra ao pé do pinheiro que fica ao lado da casa dele. Você ficará muito feliz com o que vai encontrar”. Por isso que não acredito em sonho, eu não conheço ninguém chamado Choji, muito menos alguém que mora na montanha.
            Ao ouvir o seu nome, o carvoeiro ficou muito surpreso. Porém, como estava muito cansado, não deixou transparecer o susto. Em seguida, voltou para casa, cavou perto do pinheiro ao lado da casa e encontrou uma arca cheia de tesouros.
A partir dessa data, passou a ser chamado de Choja (milionário) e não mais de Choji, como de costume.
 
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publicado por professorkibersitherc às 00:32

28
Fev 10

 

            Há muitos e muitos anos no Japão, existiu um homem muito rico, que vivia lustrando uma estatueta de Buda fundida em ouro. Sentia-se orgulhoso mostrando a toda a gente aquela preciosidade que lhe pertencia.
 
            Num quartinho no fundo do quintal de sua mansão, vivia um jovem empregado, cujo trabalho diário consistia em preparar banho quente de imersão (ofurô) para todos que lá viviam.
            Um dia, quando o jovem foi à montanha cortar lenha, encontrou um toco de árvore retorcido, cuja forma lembrava uma estatueta de Buda. O rapaz levou-o para seu quarto e, com uma faca conseguiu um belo trabalho, fazendo acabamento na madeira. Então, colocou-o sobre um móvel e, diariamente, rezava para o Buda de madeira. Uma oração simples, mas com toda a dedicação, pois assim ele se sentia protegido.
 
            Certo dia, um dos criados que queria agradar ao patrão sugeriu que fosse realizada uma luta de sumô entre o Buda de ouro e o Buda de madeira.
            – Patrão, o seu Buda de ouro é magnífico. Com certeza que vai vencer a luta de sumô.
            – Sem dúvida nenhuma.
            Assim, mandou chamar o jovem e fez a seguinte proposta:
Se o teu Buda de madeira vencer a luta, dou-te toda a minha fortuna. E todos os dias vou preparar o ofurô para ti da mansão. Esta é uma proposta irrecusável.

            O jovem voltou ao seu quartinho e contou ao Buda de madeira a proposta que havia recebido. Mas se sentia desconfortável ao tratar o seu Buda como se fosse um objecto de apostas.
            Porém, o Buda de madeira disse:
            – Por mim está bem assim, não te preocupes. Vamos nessa.

            O jovem apanhou um susto, pois era a primeira vez que ouvia o seu Buda falar. Depois, recuperado do susto, levou o seu Buda para a disputa. Todos, excepto o jovem, achavam que o Buda de ouro ganharia a luta.
            A luta consistia em colocar os dois Buda sobre um tablado redondo, imitando a arena de sumô. Os dois jogadores batiam com os punhos de leve, porém repetidamente no suporte, fazendo vibrar a arena. Um Buda empurraria o outro movido pela vibração.
            Aquele que caísse ou saísse da arena perdia a luta. Teoricamente, o Buda de ouro venceria a partida, pois ouro é muito mais pesado que madeira, portanto, mais difícil de ser derrubado, ou de ser empurrado para fora por causa da vibração.
            Todos queriam apostar na vitória do Buda de ouro. Entretanto, quando começou o embate, o Buda de madeira foi empurrando o Buda de ouro até a borda da arena. Para surpresa de todos, o Buda de ouro foi posto para fora da arena.

            Desesperado, o homem rico perguntou ao seu Buda:
            – Por tua causa tornei-me um homem pobre. Por que foste cair?
            – Não queiras me culpar, porque o culpado és tu. Faltou devoção de tua parte, por isso, eu não tenho força. Como tu querias apenas me exibir para toda a gente por eu ser de ouro, vivias me lustrando ao invés de rezar. Eu estava tão liso de lustro, que o Buda de madeira me deu apenas um empurrão e eu escorreguei para fora da arena.
            Nesse momento, o homem reconheceu seu erro e prometeu que mudaria seu modo de ser.
            O jovem ficou muito feliz com a vitória. Recebeu a fortuna prometida e viveu feliz para sempre, pois era muito generoso e distribuía comida diariamente para os pobres da região.
 
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publicado por professorkibersitherc às 22:53

27
Fev 10

 

            No templo Byodo-in, onde havia famosos monges guerreiros, o “guardião do tesouro budista” morreu numa luta com o famoso espadachim Miyamoto Musashi. O mestre superior convocou, então, todos os monges lanceiros para escolher quem ocuparia o honroso cargo.
 
            – Será o guardião do tesouro budista aquele, dentre vós, que conseguir solucionar o problema que eu vou apresentar – disse o mestre aos discípulos que estavam concentrados no grande salão.
            Acto seguinte, o mestre colocou uma mesinha e, sobre ela, fez um lindo arranjo floral.
            – Eis o problema! Resolvam!
            Todos ficaram olhando a bela ikebana sem entender o que o mestre quis expressar com aquele arranjo, simples, porém de extrema beleza. Então, começou um zunzum de pessoas pensando alto:
            – O que significa?
            – Qual é o mistério?
            – Por que um vaso achatado e uma flor esguia? Seria in (yin) e yô (yang)?
            – O que a ikebana está representando?
            De repente, um dos discípulos levantou-se empunhando uma lança, foi até o centro do salão e, num gesto rápido, decepou a flor e destruiu o vaso. Depois, voltou ao seu lugar e sentou-se.
 
            – Você é o novo guardião do tesouro budista – disse o mestre. Não importa que o problema seja algo de extrema beleza. Se for um problema, precisa ser eliminado.
            Nunca é demais lembrar um pensamento japonês que diz: “Não é possível beber saquê numa xícara cheia de chá; é necessário esvaziar primeiro a xícara, para então enchê-la de saquê”.
 
PROF. KIBER SITHERC 

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 02:17

26
Fev 10

 

            Em tempos antiquíssimos, antes dos guerreiros samurais e de seus enormes castelos, o Grande Santuário de Ise, da religião nativa xintoísmo, era a mais bela obra construída pelo homem no Japão. Havia uma expressão popular que dizia: “Visitar o Grande Santuário de Ise e morrer!”. Era desejo do povo japonês da época visitar esse famoso santuário, pelo menos uma vez na vida. Esse desejo, conforme contam as lendas, não se limitava apenas ao homem, mas a todos os seres viventes.

            Naquela época, moravam, numa montanha na província de Mie, um macaco e uma carpa. Certa ocasião, o macaco estava na margem do rio, e a carpa comentou:
            – Há muito tempo que tenho vontade de visitar o Santuário de Ise.
            – Eu também sempre tive esse desejo. Por que não vamos juntos? – perguntou o macaco.

            Dito e feito. A carpa saiu nadando rio abaixo e o macaco desceu a montanha pulando de galho a galho, até encontrar um enorme campo. O macaco mediu com os olhos a dimensão da pradaria e disse à carpa:
            – Eu gosto de montanhas cheias de árvores e confesso que sou um fracasso para percorrer um campo tão grande e tão recto. Não sei o que fazer...
            Enquanto eles pensavam numa solução, apareceu por lá, de passagem, um cavalo e perguntou:
            – O que vocês fazem tão pensativos?

            Então o macaco contou que pretendiam visitar o Grande Santuário de Ise, mas estavam em dificuldades, pois o verde campo que tinham que atravessar eram demais para as suas pernas tortas.
            – Visitar o Santuário de Ise é uma maravilha. Eu também sempre tive esse desejo. Deixem-me acompanhar vocês. Venha, macaco, suba no meu dorso e vamos embora.
            Assim, o macaco montou nas costas do cavalo, e a carpa seguiu nadando pelo rio.
            Mais para frente, o rio em que a carpa seguia nadando desembocava numa praia. Então, a carpa parou e disse para os dois amigos:
            – Eu não gosto do mar. Não consigo nadar em águas salgadas.

            A carpa, o macaco e o cavalo ficaram pensando em como vencer aquela dificuldade.
            – Eu tenho uma boa ideia – disse o macaco, logo em seguida – Precisamos providenciar um balde, colocar água doce nele e a carpa vai andando junto com a gente dentro do balde.
            – Um balde cheio de água é pesado. Eu não tenho mão para carregá-lo – disse o cavalo.

            – Deixe comigo, que eu tomo conta da carpa – disse o macaco, todo prestativo.
E o macaco foi até o povoado e trouxe um balde de madeira, típico balde japonês daquela época. Encheu-o de água, colocou a carpa dentro dele e subiu no dorso do cavalo com o balde.

            – Obrigada pela ajuda – disse a carpa, agradecida.
            – Foi uma grande ideia – observou o cavalo.

            Assim, seguiram a viagem ao Santuário de Ise, quase todos muito felizes.
Quase, porque o cavalo teve que carregar o macaco e um balde de madeira cheio de água nas costas. A carpa, apesar de não fazer nenhum esforço dentro do balde, não conseguia apreciar a bela paisagem a caminho do santuário. Já o macaco, sentado confortavelmente no dorso do cavalo, usufruiu a visão privilegiada do alto e ia ditando o caminho:
            - Agora, vire à direita e, em seguida, vire à esquerda!

            Assim, chegaram ao Santuário de Ise sem maiores problemas, provando que “a união faz a força” e que quem tem ideias faz menor esforço.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 22:03


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