Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

04
Jun 11

 

            Deméter (também conhecida por Ceres), na mitologia grega, era o nome da deusa que cuidava da terra fértil, do plantio e da colheita, juntamente com sua filha, Perséfone.


            Diz o mito que, um dia, Hades, o deus do mundo inferior, se apaixonou por Perséfone e a raptou. Deméter, desesperada, saiu do Olimpo em busca de sua filha e, durante nove dias e nove noites, vagou em vão. Hélio, o deus sol, vendo a angústia de Deméter, contou-lhe que Perséfone havia sido levada por Hades.


            Durante o tempo em que Perséfone estava no mundo inferior, Hades lhe deu uma romã para que ela comesse. Quando Deméter chegou para resgatar a filha, soube que não conseguiria, pois uma vez que ela havia se alimentado no reino de Hades, não poderia deixá-lo.


            Muito entristecida pela falta de Perséfone, Deméter não voltou ao Olimpo e a população começou a sofrer com a escassez de alimentos, pois a deusa não estava mais exercendo sua função de promover a fertilidade da terra. Zeus, sabendo o que ocorria, chamou Hermes, o deus mensageiro, para que ele fosse até Hades e o convencesse a devolver Perséfone.


            Sob a ameaça de Zeus, Hades consentiu que a filha de Deméter voltasse para a mãe, desde que passasse um terço do ano com ele, no mundo inferior. Este período do ano corresponde ao inverno, pois Perséfone está com Hades, e Deméter, sentindo sua falta, não consegue ajudar no plantio e na colheita, como nos outros períodos do ano.


            Esta é uma versão do mito, assim como a explicação para o surgimento das estações do ano é uma forma de interpretá-lo.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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09
Mai 10

 

                Este mito é da origem dos índios carajás, do estado Goiás, Brasil.  

            Os carajás (também karajás) são um grupo indígena que falam uma língua alocada ao tronco linguístico macro-jê, que também inclui as famílias jê e maxacali. Os carajás habitam a região do Rio Araguaia desde que deles se tem notícia.

           

            Dividem-se em três subgrupos que também correspondem aos três dialectos por eles falados: os carajás propriamente ditos, os javaés e os xambioás (por vezes referidos como carajás-do-norte). Eles se auto-denominam inã, que é um termo comum aos três subgrupos. Algumas classificações consideram os javaés como um grupo distinto, embora eles partilhem a mesma cultura e a mesma vida ritual dos carajás e xambioás, apenas se distinguindo por alguns detalhes.

 

            Habitam tradicionalmente as margens do Rio Araguaia, a partir da cidade de Aruanã no estado de Goiás, a Ilha do Bananal, onde se concentra o maior número de aldeias, até as aldeias xambioás, já no estado de Tocantins, próximos do município de Santa Fé do Araguaia.

 

            Viveram tradicionalmente da agricultura, da caça de animais da região (caititu, anta) e principalmente da pesca. Actualmente, devido à pressão da colonização brasileira e da criação de uma dependência quanto aos bens dos não índios, acabam por comercializar uma parte dos produtos da pesca, artesanato, entre outras actividades comerciais.

  

            Um casal carajá teve duas filhas: Imaeró (Imaherô), a mais velha e Denaque (Denakê), a mais nova. Num anoitecer de céu estrelado, Imaeró viu Taina-can (Tahina-can) brilhar tão bela que não se conteve e disse:

             - Pai, é tão bonito aquilo! Eu queria possuí-lo!

            O pai riu e disse-lhe que Taina-can estava tão longe que ninguém o poderia alcançar. Contudo acrescentou:

 

            - Só se ele, ouvindo-te, quiser vir.

            Alta noite, quando todos dormiam, a moça sentiu que alguém estava ao seu lado. Sobressaltada, indagou:

 

            - Quem és e o que queres de mim?

            - Eu sou Taina-can, ouvi que me querias e vim. Casa comigo, sim?

             Imaeró acordou os pais e acendeu o fogo. Taina-can era um velho, de cabelos brancos e pele enrugada. Vendo-o à luz da fogueira, Imaeró disse:

            - Não te quero para meu marido. Eu quero um moço forte e bonito.

 

            Taina-can ficou muito triste e chorou. Então, Denaque, compadeceu-se dele e procurou consolá-lo dizendo:

            - Pai, eu me caso com ele!

             E, o casamento realizou-se, com grande alegria do velhinho. Depois de casado, Taina-can disse:

            - Vou trabalhar para te sustentar, Denaque. Vou fazer um roçado para plantar coisas boas, que carajá ainda não possui nem conhece.

 

             E foi ao rio Araguaia (Berô-can), dirigiu-lhe a palavra e, entrando nele, ficou com as pernas abertas, de maneira que as águas passavam entre elas. Curvado para a corrente, de vez em quando mergulhava as mãos e apanhava as boas sementes que iam jogando rio abaixo. Assim, as águas deram-lhe um punhado de milho cururuca, feixes de raiz de mandioca, e muito mais. Saindo do rio, ele disse a Denaque:

 

            - Vou derrubar mato para fazer roçado. Porém, não venhas me ver no trabalho, fica em casa, cuidando da comida.

             Taina-can foi, mas demorou tanto que, preocupada, Denaque resolveu desobedecer às recomendações e foi, de mansinho, procurá-lo. Ah! Que surpresa! Quem estava ali a trabalhar era um belo moço, alto, cheio de força e de vida, que tinha no corpo os enfeites e as pinturas que os carajá ainda hoje usam. Denaque não se conteve, louca de alegria correu a abraçá-lo. Depois, o levou consigo para casa, contente por mostrar aos pais como seu esposo era na verdade. Foi então que Imaeró o desejou também e disse a Taina-can:

            - Tu és meu marido, pois vieste para mim e não para Denaque.

             Mas Taina-can respondeu-lhe:

            - Só em Denaque encontrei bastante bondade, para ter pena do pobre velhinho. Agora não te quero, só Denaque é minha!

 

             Imaeró, de despeito e inveja, soltou um grito, caiu no chão e no lugar dela, viu-se um Urutau, pássaro que ainda hoje dá um grito triste e tão forte que parece ser uma ave muito maior. Foi assim que a nação carajá aprendeu com Taina-can a plantar o milho, o ananás, a mandioca e outras coisas boas que antes não conhecia.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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                O professor de física da Universidade Federal do Paraná, Brasil (UFPR) Germano Affonso, descobriu que as principais constelações dos tupinambás, que habitavam a costa brasileira no século 16, são comuns a diversas outras etnias do Brasil. Entre elas, destacam-se as constelações de Ema, Anta, Homem Velho e Veado, de um total de cerca de cem grupos de estrelas.

 

             As constelações indígenas, segundo ele, têm as funções práticas semelhantes às das constelações ocidentais: marcar a passagem do tempo, as estações do ano e servir como pontos de orientação. Mas são maiores, mais facilmente reconhecíveis e formadas não só a partir de estrelas, como de manchas na Via Láctea (Caminho de Anta ou Caminho dos Espíritos, para os tupinambás).

 

             A cultura ocidental reconhece, actualmente, a existência de 88 constelações. O maior número delas entre os povos indígenas, segundo ele, tem uma explicação: "Para os índios, a terra nada mais é que um reflexo do céu. Tudo que há aqui tem de ter estado lá. No céu há necessariamente mais coisas que na terra", afirmou. Entre essas "coisas", "constelações espirituais", que seriam entidades benéficas e maléficas e que, dependendo de sua aparição no céu, influenciam a vida dos povos indígenas.

 

            A constelação da Ema, é comum a quase todos os povos do Brasil. Sua aparição por inteiro no céu quando anoitece, para os índios do sul do país, indica a chegada do Inverno, e, da seca, para os índios próximos ao equador. O Veado é a estação que marca o Outono, e a Anta, a Primavera. A constelação do Homem Velho indica a chegada do Verão ou da estação chuvosa. Constituída por estrelas do escudo de Órion, ela é semelhante a um homem velho segurando um bastão para se equilibrar.

 

             Conta o mito guarani que essa constelação representa um homem casado com uma mulher muito mais jovem do que ele. Sua esposa ficou interessada no irmão mais novo do marido e, para ficar com o cunhado, matou o marido, cortando-lhe a perna na altura do joelho direito.

 

             Os deuses ficaram com pena do marido e o transformaram numa constelação. A constelação da Ema se localiza numa região do céu limitada pelo Cruzeiro do Sul e Escorpião. Sua cabeça é formada pelo Saco de Carvão, nebulosa escura que fica próxima à estrela Magalhães. A Ema tenta devorar dois ovos de pássaro que ficam perto de seu bico, representados pelas estrelas alfa Muscae e beta Muscae.

 

             As estrelas alfa Centauro e beta Centauro estão dentro do pescoço da Ema. Elas representam dois ovos grandes que a Ema acabou de engolir. Uma das pernas da Ema é formada pelas estrelas da cauda de Escorpião. As manchas claras e escuras da Via Láctea ajudam a visualizar a plumagem da Ema. Conta o mito guarani que a constelação do Cruzeiro do Sul segura a cabeça da Ema. Caso ela se solte, beberá toda a água da Terra e morreremos de seca e sede.

 

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                Os Bororos são uma tribo indígena brasileira do estado do Mato Grosso  Também é o nome da língua falada por essa tribo.


            Os Bororo também são conhecidos pelos nomes de "Coroados" ou "Parrudos". A sua população actualmente É de cerca de 2.000 indivíduos, são caçadores, porém, adaptaram-se à agricultura, como sua subsistência.

            Este mito é originário desta tribo brasileira.

 

            Entre os índios, os homens passam os dias na caça e na pesca. São as mulheres que tecem as redes, vão à roça plantar mandioca e conseguem outros alimentos. Numa tarde, algumas mulheres saíram para procurar milho. Caminharam até a noite e só acharam uns pezinhos mirrados. Voltaram à tribo com o punhadinho de espigas. Julgando que teriam mais sorte, na tarde do dia seguinte, levaram junto um menino.

 

            O curumim (criança) andava sempre na mesma direcção. Parecia saber onde estava o que procurava. De facto, pouco tempo depois, depararam com um campo coberto de pés de milho. As índias trataram de colher as espigas, esquecendo do menino que, sorrateiramente, apanhou algumas para si. Ele voltou correndo para casa:

            - Vovó pode fazer um pão para mim?

 

            A velhinha concordou. Debulhou os grãos, moeu-os e preparou a massa. O curumim foi chamar os companheiros. Vieram. O pão já estava pronto. Comeram-no como se estivessem quase a perecer de fome. Depois, puseram-se a cismar:

            - E se as nossas mães descobrissem o que fizemos?

             Decidiram cortar a língua e os braços da avó do menino: ela poderia contar qualquer coisa...

            - Vamos cortar também a língua do papagaio!

             Preveniu outro, temendo que a pobre ave repetisse o que tinha ouvido. Tendo feito isso, ficaram ainda com mais medo. Se as mães voltassem agora, como iriam explicar o que acontecera?

 

             Resolveram fugir. Pediram a um colibri que pegasse a ponta de um cipó: "Amarra-o no galho de alguma árvore lá do céu!" Os indiozinhos agarraram-no e começaram a subir, segurando-se nos nós. Enquanto isso, as mulheres retornaram. A velha não podia falar. Viram o cipó: lá estavam os meninos; gritaram para que eles que descessem; os garotos subiram mais depressa. As mães começaram a trepar também. Quando elas chegaram ao céu, os meninos cortaram a sua "escada". As índias caíram e transformaram-se em feras. Os curumins viraram estrelas, por castigo. Foram obrigados a ficar eternamente olhando para a terra, vendo a desgraça de suas mães.

 

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20
Abr 10

 

                Brahma, é o deus criador do universo, segundo a mitologia hindu.

             Brahma é o primeiro deus da Trimurti, a trindade hindu mas não recebe tanta importância como os outros dois: Vishnu e Shiva.

            Brahma é considerado pelos hindus a representação da força criadora activa no universo.

 

            A visão de universo pelos hindus é cíclica. Depois que um universo é destruído por Shiva, Vishnu se encontra dormindo e flutuando no oceano primordial. Quando o próximo universo está para ser criado, Brahma aparece montado num Lótus, que brotou do umbigo de Vishnu e recria todo o universo.

 

            Depois que Brahma cria o universo, ele permanece em existência por um dia de Brahma, que vem a ser aproximadamente 4.320.000.000 anos em termos de calendário hindu. Quando Brahma vai dormir, após o fim do dia, o mundo e tudo que nele existe é consumido pelo fogo, quando ele acorda de novo, ele recria toda a criação, e assim sucessivamente, até que se completem 100 anos de Brahma, quando esse dia chegar, Brahma vai deixar de existir, e todos os outros deuses e todo o universo vão ser dissolvidos de volta para os seus elementos constituintes.

 

            Brahma é representado com quatro cabeças, mas originalmente, era representado com cinco. O ganho de cinco cabeças e a perda de uma é contado numa lenda muito interessante. De acordo com os mitos, ele possuía apenas uma cabeça. Depois de cortar uma parte do seu próprio corpo, Brahma criou dela uma mulher, chamada Satrupa, também chamada de Sarasvati. Quando Brahma viu a sua criação, ele logo se apaixonou por ela, e já não conseguia tirar os olhos da beleza de Satrupa. Naturalmente, Satrupa ficou envergonhada e tentava se esquivar dos olhares de Brahma movendo-se para todos os lados.

 

            Para poder vê-la onde quer que fosse, Brahma criou mais três cabeças, uma à esquerda, outra à direita e outra logo atrás da original. Então Satrupa voou até o alto do céu, fazendo com que Brahma criasse uma quinta cabeça olhando para cima, foi assim que Brahma veio a ter cinco cabeças. Da união de Brahma e Satrupa, nasceu Suayambhuva Manu, o pai de todos os humanos.

 

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16
Abr 10

 

                É um mito originário do Brasil, o Anhangá é uma criatura assustadora, um grande veado cujo olho é lança-chamas. Ele representa um grande pesadelo para os caçadores, que, quando com ele se defrontam, ao tentarem baleá-lo, vêem seus tiros serem desviados em direcção a entes queridos e pessoas amigas.

            A sua fúria contra os caçadores se amplia quando as vítimas são animais lactantes ou filhotes que ainda precisam ser amamentadas.

 

            Os animais das florestas e campos vivem tranquilos, pois têm um defensor contra o homem-caçador. Seu nome é Anhangá. É o deus protector das matas e de todos os animais.

            Anhá-Angá, “anhang” do tupi-guarani. “Ang” significando Alma e “Anhá”, correr, ou seja, uma alma que corre. Pode ser traduzido por alma errante dos mortos, sombra, espírito ou, como fala o caboclo, visagem, que é o mesmo que espectro, fantasma e assombração.  Como tal é invisível, entretanto pode assumir diversas formas. As formas nas quais se apresenta depende para quem aparece.

 

            Quando visível poderá tomar a forma de um macaco, morcego, rato, pássaro galinha-do-mato etc. Ele assinala a sua presença com um assobio e a caça desaparece como por encanto, o que nos remete à imagem e função de protector.

            A sua forma mais comum de aparição é como um portentoso veado branco ou cervo, de cor avermelhada, chifres cobertos de pêlos, olhos de fogo e uma cruz na testa, que desvia o caçador do seu objectivo.

 

            O Anhangá traz para aquele que o vê, ouve ou pressente certo prenúncio de desgraça, e os lugares frequentados por ela são mal-assombrados.


            Existem caçadores e pescadores astutos que, rapidamente logo reconheçam seu assobio, com ela compactuam para uma boa caça ou pesca oferecendo-lhe tabaco.

            - Minha comadre me dê uma boa caça, que lhe presenteio com um pouco de tabaco.


            Se a pessoa for atendida, dever cortar uma vara, rachar sua ponta e nela introduzir o tabaco, mortalha para cigarros e fósforo.

            Feito isso espeta a vara nas proximidades onde a caça foi abatida, dizendo:

            - Comadre está aí o tabaco prometido.

            Contam que todos que se dispuseram voltar para procurar o ofertório, jamais o encontraram.

            Mais uma vez o fumo assume um relevante papel no quotidiano das gentes do mato. O tabaco é utilizado também como ofertório para aplacar a ira, a cólera, dos seres punitivos e vingativos, ou agradar os benfeitores; para afastar as influências maléficas e atrair a protecção das deidades do mato.


            Segundo relatos, se alguém fizer pouco caso de Anhangá, apanha na hora sem saber de quem, como se fosse atacado por alguém armado com um pedaço de pau.
Caçador desprevenido que aproximar-se de Anhangá em forma de veado e tentar abatê-lo, terá uma desagradável surpresa, pois expelindo fogos pelos olhos, o atacará com incontrolável fúria.


            Dizem que se o caçador quiser ter uma caça tranquila, evitando a presença de Anhangá, antes de entrar na mata deve acender foguetes com duas ou três cargas. Se já estiver dentro da mata pode defumar com castanha de caju ou ainda, mais fácil, é fazer uma cruz com madeira da própria mata.

 

            Um caçador que ameaça algum animal, principalmente se for uma fêmea amamentando seu filhote, é perseguido por anhangá.

            Dizem que a muito tempo, um índio insistiu em perseguir uma veada, mesmo vendo que ela estava com a sua cria. No alto de uma montanha, anhangá, com seus olhos vermelhos e ar majestoso, observava a cena.

 

            Com grande crueldade, o índio armou o seu arco e fecha e disparou contra o filhotinho, ferindo o pobre animalzinho. Não satisfeito com tanta crueldade, agarrou  o pobrezinho e escondeu-o atrás de uma árvore. Apavorado, o veadinho gritou pela sua mãe. Ao ouvir os gritos desesperados do filhote, a veada aflita correu na direção da árvore.

            O índio, com sua arma preparada, disparou uma flechada no pobre bicho. Todo alegre aproximou-se do animal caído e para sua surpresa… viu a sua mãe caída no lugar do grande cervo.

            Aos gritos o índio o percebeu que fora vítima de uma ilusão criada pelo grande veado branco. E saiu correndo pela floresta.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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15
Abr 10

        

 

              É um mito do Brasil que nasceu no século XIX.

            O Labatut é um monstro que apresenta origem europeia ao qual foi acrescentado elementos indígenas. A princípio, Labatut adquiriu o seu carácter de malvado como herança da imagem que ficou na lembrança do povo sobre a actuação do general Pedro Labatut, que esteve no Ceará, de Junho de 1832 a Abril de 1833, reprimindo a insurreição de Joaquim Pinto Madeira. Dizia-se que esse general era extremamente violento e muito cruel. Fuzilou muitos negros, surrou muitas negras, e em virtude da incontrolável crueldade acabou revoltando até o exército.


            A sua forma monstruosa foi acrescentada pelo imaginário indígena que era fértil na composição de monstros animalescos.


            Vejamos a descrição de Labatut, segundo José Martins de Vasconcelos:


            “Era noite e a cidade dormia pacificamente em seu habitual conchego sertanejo.

             - Cala esse assobio, menino! - gritava minha mãe, aturdida com o meu assobiar.

Era a hora em que todos descansavam da labuta e dormiam placidamente.

            - Cala esse assobio menino! Não ouves?

            - O quê? - indaguei, curioso e insistente, procurando descobrir naquilo alguma pieguice para zombar...

            - Então não ouves o tropel de Labatut? Escuta...ele vem na ventania que já se aproxima rugindo! O vento geme longe... ele vem...Ao sair da lua entrará na cidade como um cão danado, devorando tudo que encontrar: homens, mulheres e meninos! Ai do que cair nas suas mãos, porque jamais verá os seus queridos entes: irá dormir eternamente nas suas entranhas insaciáveis, cheias de fogo!


            - E o que é Labatut, mamãe?" - perguntei, agora mais trémulo e assustado que zombeteiro, crendo ver ali uma monstruosidade do outro mundo, coisa tida para mim "in illo tempore", como caverna incomensurável cheia de bichos descomunais, ferozes, e tudo isso, misturado com tais almas penadas que me faziam tremer, ouvindo-lhes as histórias fantásticas e macabras!


            - Fala baixo! Queres morrer engolido? Labatut ouve de longe! Ele traz a ventania para ninguém ouvir-lhe a bulha dos passos pesados e remitentes, e para mais facilmente abocanhar a presa!"


            E eu, engolindo um grito prestes a explodir, engasguei-me alguns segundos, tendo os esbugalhados, luzindo na escuridão do quarto, como se alguém me comprimisse a garganta, fazendo-me fustigar-me, impiedosamente! Afinal, estourei, balbuciando surdamente:

            - Mas quem é Labatut? Diga Tenho medo!

            E, minha mãe, sibilando por entre os dentes uma resposta arranjada a jeito, prosseguia:

            - Labatut é um bicho pior que o Lobisomem, pior que a Burrinha, pior que a Caipora e mais terrível que o Cão-Coxo. Ele mora, como dizem os velhos, no fim do mundo, e todas as noites percorre as cidades, para saciar a fome, porque ele vive eternamente esfaimado. Anda a pé; os pés são redondos, as mãos compridas, os cabelos longos e assanhados, corpo cabeludo, como o porco-espinho, só tem um olho na testa como os ciclopes da fábula e os dentes são como as presas do elefante! Ele gosta muito mais de meninos, porque são menos duros que os adultos! Ao sair da lua, ele, que anda ligeiro, entrará pelas ruas num trote estugada, pairando às portas para ouvir quem fala, quem canta, quem assobia e quem ressonar alto e zás! Devorar.Os cães dão sinal, latindo-lhe atrás!”

 

PROF. KIBER SITHERC

 

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                Angola comporta em si vários contos, lendas e personagens míticas. Como lufadas de ar fresco, alimentam o imaginário de pequenos e graúdos e conferem riqueza à história e cultura angolanas.

 

            A Kianda por exemplo, é uma personagem muito amada. Deusa das águas, é tradicionalmente venerada através de oferendas. Pepetela, um dos expoentes máximos da literatura em Angola, tem inclusive um livro intitulado “O silêncio da Kianda”.

 

             As gentes do povo em Angola acreditam convictamente na existência de sereias, que dizem ser dotadas de poderes sobrenaturais. Em quimbundo (uma das línguas nacionais) as sereias são chamadas ianda, no singular de Kianda. Cada meio aquático tem uma sereia, isto é, cada rio, cada lagoa, cada charco tem a sua kianda que toma o nome do rio, lagou ou cacimba. De certa forma, ela é a encarnação do próprio meio aquático.

 

            Conta-se do aparecimento de uma sereia a um homem pobre, a quem ela revelou a existência de um tesouro. Subitamente enriquecido, o homem passou a comportar-se de uma maneira egoísta, gastando toda a riqueza em seu proveito pessoal e não em benefício da comunidade. Como castigo, a sereia acabou por fazer desaparecer o tesouro, ficando o homem na mais completa miséria.

 

             Por vezes o castigo era mais duro e o homem ficava para sempre encantado no fundo do rio ou da lagoa. Há histórias de sereias em que é toda a aldeia que se comporta de modo egoísta ou com avareza, sendo neste caso o castigo aplicado a toda a comunidade, que fica então encantada no fundo do lago ou do rio.

 

            Há angolanos que juram mesmo, pelo “sangue de Cristo”, que ouviram o som de mulheres a pilar, de cães a ladrar ou de galos a cantar vindo de uma aldeia condenada a viver para sempre no fundo da lagoa ou do rio.

 

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03
Abr 10

 

                O mito do Minhocão, é uma das famosas lendas do Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.

            No Rio Cuiabá e frequente os pescadores pantaneiros que vivem na localidade de Barão de Melgaço descreverem a saga do minhocão, como sendo um monstro que vive dentro do Rio Cuiabá e quando sente-se incomodado pelos barulhos causados pelos pescadores, ou ate mesmo quando e jogado caco de vidro ou cabeça de porco no local onde mora, ele fica furioso e começa a cavar buraco no fundo do rio e com isso desmorona grande quantidade do barranco do rio, derruba as casas dos ribeirinhos, emborca as canoas dos pescadores e muitas vezes consegue mudar ate mesmo o percurso do rio.

 

            Ele recebe esse nome devido ser um monstro parecido com uma minhoca que aparece quase sempre nas noites calmas de lua cheia nas margens do Rio Cuiaba, com isso, há sempre um grande movimento dos peixes no leito do rio.

             Tem 12 metros de comprimento e 1,20 centímetros de largura. Sua cor é preto acinzentado. A sua cabeça é igual a de um cavalo, porém, sem orelhas. Possui até filhotes.


            Foi visto por vários homens, durante a construção da barragem do Passo Real, porém, imergiu nas águas.

            Ele é violento. Sente-se furioso com a presença de estranhos ao seu redor.


            Numa noite clara, foi visto por um pescador que, munido de arma de fogo atirou-lhe, mas ele fugiu. Dois dias após, foram encontrados vestígios do Minhocão numa cachoeira próxima, mas ele não morreu. Quem morreu, foi um de seus filhotes. 
            Muita gente teme a família do Minhocão.

 

            Diz-se que na Lagoa do Armazém, em Tramandaí, aparecia nas águas do minhocão, uma espécie de serpente monstruosa, muito grande, olhos de fogo verde, língua também de fogo, com pêlos na cabeça. Virava embarcações com rabanadas e comia nas margens porcos e galinhas. Hoje, o povo acredita que o Minhocão deixou a lagoa e voltou para o mar.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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02
Abr 10

 

                O Mapinguari é um ser do mundo fantástico da selva Amazónica, do Brasil. Ele povoa a imaginação simples daqueles povos. Uma espécie de “monstro” lendário que muito se aproxima de um grande macaco de longa pelagem castanha escura. A sua pele assemelha-se ao couro do jacaré, com garras e uma armadura feita do casco da tartaruga. Os seus pés têm formato de pilão e com uma boca tão grande que em vez de terminar no queixo estende-se até a barriga. É quadrúpede, mas, quando em pé, alcança facilmente dois metros de altura.

 

            A sua lenda é contada por Hugolino de Mendonça em "Letras Brasileiras" de Abril de 1945, trazendo à nossa luz os pavores do pobre e destemido seringueiro Pedro Primo que acabou por enlouquecer, depois de uma luta com o fantástico bicho orangotango monstruoso.

            A crença da existência de grandes macacos pré-históricos, fez surgir um grupo especial de pesquisadores e aventureiros, os Criptozoólogos, que percorrem o mundo investigando relatos que possam levá-los à comprovação destes seres fantásticos.

 

            Uma criatura semelhante ao Mapinguari foi avistada centenas de vezes nos EUA e Canadá (muitas vezes no Noroeste) desde o século 19. Do mesmo modo o Yeti na Ásia ou o Abominável Homem das Neves, o Bigfoot é descrito com a altura de 2-3 m e pesando mais de 200 kg, com pegadas de 43 cm de comprimento.

            Os cientistas foram à Amazónia em busca do Mapinguari, mas não tiveram sucesso. Um cientista da Universidade de Havard, o biólogo David Oren, acredita que o Mapinguari é uma espécie de preguiça gigante, supostamente extinta há alguns milhares de anos, mas teria sobrevivido oculto na selva Amazónica.


            Seria um mamífero pré-histórico, de mais de 12 mil anos, remanescente das antigas preguiças gigantes. Talvez seja o último representante da fauna gigante da Amazónia brasileira. A maior parte dos cientistas negam a existência de tal criatura.

            Outros acreditam na origem do monstro num velho pajé amaldiçoado e condenado a viver para sempre vagueando pelas selvas e nessa forma aterrorizante. Outros, ainda, justificam a sua origem em índios com idade avançada e que foram desprezados por suas tribos.


            O Mapinguari, também é conhecido pelos nomes de pé de garrafa, mão de pilão e juma. A lenda sobre a “besta malcheirosa” de um cheiro insuportável é uma das mais difundidas pelos indígenas.


            A simples menção ao nome do Mapinguari é suficiente para dar calafrios na espinha da maioria daqueles que habitam a floresta. A sua presença na floresta é marcada por gritos e um rastro de destruição

 


            Foram relatos casos de índios em pontos remotos da mata nos estados de Rondônia, Amazónia e Pará, bem como de garimpeiros, nativos que avistaram a fera, com mais frequência durante o dia. Há quem diga que o Mapinguari só anda pelas florestas de dia, guardando a noite para dormir. Outros relatos e informam que ele só aparece nos dias santos e feriados.


            Os relatos são semelhantes e afirmam que ao depararem com o tal Mapinguari o mesmo assume postura bípede e ameaçadora, exibindo suas robustas garras. Nos relatos de alguns índios a confirmação da eliminação de um fedor que dizem originar-se na barriga. 

            O Mapinguari, segundo informações jornalísticas, teria devorado vários indígenas no estado do Acre nos anos 80. Segundo alguns cronistas, o Mapinguari se alimenta apenas da cabeça das pessoas. Segundo outros, devora-as por inteiro, arrancando-lhes grandes pedaços de carne, mastigando-as como se masca fumo.


            Contam também histórias de grandes combates entre o Mapinguari e valentes caçadores, porém o Mapinguari sempre leva vantagem e os caçadores felizardos que conseguem sobreviver muitas vezes lamentam a sorte: ficam aleijados ou com terríveis marcas no corpo para o resto de suas vidas.

            Ao andar pelas selvas, emite um grito semelhante ao dado pelos caçadores. Se um deles se encontra perto, pensando que é outro caçador e vai ao seu encontro, acaba perdendo a vida

 

            Conta-se que um seringueiro que um dia esbarrou com o ser. Ele encontrava-se num planalto onde as águas se dividiam, em plena mata virgem, quando ouviu um grito, depois outro e mais outro, como se alguém por ali estivesse perdido. Procurou então andar de encontro a voz, que acreditava ser de um outro homem que em idênticas condições às suas, viera parar naquele ermo. De repente, avistou um vulto, que não pode distinguir devido ao emaranhado de cipós que ficava na sua frente. O monstro já vinha no faro e não contente com o seu achado solta um novo grito, que foi um como revirar de árvores gigantescas para o seringueiro que esperava um outro homem e não um animal daquele género e que lhe era totalmente desconhecido.

 

            O homem, com uma coragem extraordinária, pôs bala na agulha do rifle, fez pontaria certeira, atirou sobre o vulto que uma hora lhe parecia um jacaré (tendo pernas e braços) e outra lhe parecia um índio velho, cheio de tatuagens, só deixando de atirar quando não havia mais balas. Os projécteis não surtiram nenhum efeito e o seringueiro desapareceu com os pés em polvorosa. Porém, em outra ocasião, o mesmo seringueiro descobriu o ponto frágil da criatura: a sua boca, o seu grande umbigo. Um disparo nesta zona é fatal para o Mapinguari.

 

            Na região amazónica, dizem que existe apenas um Mapinguari, morando no igarapé do Papagaio. Os caçadores, cortadores de madeiras e colectores de leite de maçaranduba ou copaíba, preferem seguir viagem do que pernoitar no lugar.     

             

            Se pretenderes ir ao interior para conhecer as belezas da floresta amazónica, vá, mas com muito cuidado. Pois, além das belezas podes dar de frente com uma de suas assombrações, como o Mapinguari.

 

PROF. KIBER SITHERC 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 21:05
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