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03
Mai 11

 

            A Feira das Cantarinhas, logo nos primeiros dias do mês de Maio, divulga as tradicionais cantarinhas em barro da região, as quais, segundo se diz, dão muita sorte a quem as recebe. Nos dias seguintes tem lugar a Feira de Artesanato com a presença de artesãos de várias proveniências.

 

            A Feira das Cantarinhas, de origem medieval, realizava-se dentro ou fora da Cidade de Bragança, conforme a paz da feira o permitia. Manteve-se até há 40 ou 50 anos com marcas tipicamente medievais. De manhã bem cedo, já os habitantes das aldeias limítrofes convergiam para a cidade. Sem as estradas actuais, serviam-se de caminhos secundários ou de alguma via militar romana que facilitava a passagem de algumas linhas de água.

 

            A Feira das Cantarinhas constituía uma celebração festiva. De véspera, à noite, preparavam-se os alforges com os produtos que se mercadejavam na feira: gradura, batatas. Tudo se acomodava de modo que sobrasse um pequeno espaço onde cabia também a ração dos animais. Enfeitadas iam também as albardas. Uma colcha de lá vermelha eu branca, tecida no tear da casa, enfeitava a burricada que fazia um arraial medonho. Os donos, seguros de que ninguém iria violar os enfeites festivos dos animais, deixavam-nos seguros, à aldrabe de uma porta velha.

 

            Todos se apressavam para escolher um lugar bom, onde a exposição dos produtos facilitasse a venda. Dos ventres flácidos dos alforges saía a gradura e outros produtos para vender. No largo de S. Vicente, a Praça Velha, junta-se em pequenos montículos a trouxa que vem chegando das aldeias mais distantes: Câmaras de Pinela, latoeiros, ferreiros e mais objectos artesanais. Também os objectos as vasilhas de cobre têm sempre um pequeno espaço para se arrumar. Hortaliça e renovos, chouriços secos, queijos e raminhos de cerejas apetitosas vão atafulhando todos os espaços até à metade da Rua Direita. Da Torre de D. Chama e de Alfaião, pequenos microclimas, vinham em canastras os pimentos, alfaces, tomates, beterrabas, que iam ser plantados no dia seguinte e fazem a fartura dos marranchos de qualquer casa.

 

            Rua abaixo, rua acima, saracoteavam-se os compradores e vendedores. Dos lados do sul, nuvens negras ameaçavam chuva iminente. Fim da tarde aproxima-se. Compram-se os últimos presentes que fazem o enlevo da garotada.

 

            O dia 3 de Maio, dia de feira e festa está quase a findar. Falta a cântara de barro que no campo acompanha os trabalhadores com a água fresca. Nossa Senhora da Serra dá de novo as merendas. Quer dizer, os dias alongam-se mais. Esta mobília, comprada no 3 de Maio, nunca mais se esgota. Ainda falta um caldeiro e um garabano para regar à mão os renovos e os feijões de que falámos.

 

            Os homens vêm do Toural, onde tinham levado um vitelo e uma vaca para vender. O bom negócio foi também pretexto para fechar o negócio com uns copos de vinho.

 

            Em sentido contrário, organiza-se agora o mesmo movimento para casa. À entrada da aldeia já aos filhos lhes tarda a chegada dos pais. Numa saquinha da merenda, feita de remendos de muitas cores, vão uns económicos ou súplicas, quando não alguns rebuçados, para sofrear a gulodice da garotada. Uma flauta de barro, mais um chapéu de palha salpicava a noite e os dias seguintes de tons musicais. A monotonia nostálgica do pós festa regressa também no quotidiano dos dias que se seguem. Que esta breve descrição nos auxilie na compreensão de uma festa anual que já não se reconhece no barulho de uma multidão que não cabe nos espaços livres da Rua Direita.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 19:28

30
Abr 11

 

            Nos últimos anos, o Município do Peso da Régua tem vindo a homenagear as mulheres que pelo contributo humano e profissional se têm destacado no âmbito do projecto global de desenvolvimento do concelho. Essa homenagem tem coincidido com a comemoração do Dia Internacional da Mulher.

            No ano de 2011 a homenagem recaiu sobre as Rebuçadeiras da Régua, em reconhecimento da importância do contributo dado para a história cultural que identifica o concelho do Peso da Régua, evidenciado a partir da década de 30.

            A homenagem teve lugar no dia 4 de Março de 2011 (Sexta-feira), pelas 15H00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

 

            Quem chega à Régua de comboio, ou pela sua bonita e centenária Estação dos Caminhos de Ferro, imediatamente a seguir ao ranger das carruagens anunciando a paragem, inevitavelmente, ouve um apelo único de vozes de mulheres de sotaque tipicamente duriense:

            - Olha ó rebuçado da Régua, levem rebuçados da Régua.

            - Ó meu amor não vai uma saquinha ?...   


            De bata branca e lenço da mesma cor, colocado de forma característica na cabeça, lá estão, ainda hoje, as rebuçadeiras da Régua no Largo e na Gare da Estação, vendendo ao forasteiro que chega ou ao patrício que parte, este ex-libris gastronómico da cidade.      

 

            Rebuçadeira é uma profissão que se imagina tão antiga quanto a iguaria, contudo não há ao certo uma data exacta para a origem do fenómeno e do negócio, da mesma forma que cada rebuçadeira guarda o seu segredo de confecção como sendo o tesouro da sua vida.


            Os rebuçados da Régua são também centenários, segundo o testemunho de Ermelinda Mesquita - a "Ermelinda Rebuçadeira" - uma das mais antigas e carismáticas rebuçadeiras da Régua, famosa pelos aromas dos seus rebuçados, e que na esmerada cozinha onde tudo acontece, foi deixando as mãos trabalhar e a saudade recordar...

            - Do que se sabe, primeiro, os rebuçados começaram por ser vendidos nas festas locais e das redondezas; havia dois vendedores muito conhecidos - o "Prosa" e o "Cândido Rebuçadeiro" - e talvez só depois tudo tenha começado".    


            Aprendiz de D. Maria Adelaide, a Ermelinda Rebuçadeira começou bem cedo, na década de 40, no característico restaurante da gare da Estação...

            - À hora dos comboios éramos quatro moças de bata verde (na altura era assim) - uma vendia água em bilha, que custava nessa altura 15 tostões; outra vendia em cantarinha, a copo, e outra ainda andava com o tabuleiro dos caramelos, das bolachas e da fruta, e a última vendia os nossos rebuçados da Régua - 3 pacotes 5$00. Já lá vai muito ano... concluiu a D. Ermelinda com a nostalgia de uma profissão de que se orgulha, apesar de um percurso de vida difícil e marcado no olhar e nas mãos enrugadas de tanto moirejar, mas não sem, entretanto, falar de dentro, recordando...


            - Era uma juventude maravilhosa... foram os melhores tempos da minha vida... aos Sábados e Domingos era a correria para o baile dos Bombeiros." ...


            Depois de o açúcar em ponto com duas cascas de limão e... (o tal segredo) ter passado para a branca pedra de mármore untada com margarina, e daí para o plástico esticado na mesa, ainda a ferver, as mãos, indiferentes à dor, vão cortando os rebuçados um a um, rápida e habilmente, para depois os embrulhar em forma de autênticos laçarotes que saem das mãos desta senhora, que chegou a ensinar muitas outras da actual geração de rebuçadeiras.  

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

    

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publicado por professorkibersitherc às 23:10

 

            Francesinha é um prato típico da cidade do Porto, em Portugal.

 

            Em Abril de 2011 foi considerada pelo Aol Travel, um megasite norte-americano sobre destinos turísticos e lazer, uma das 10 melhores sanduíches do mundo.

 

            Uma das teorias sobre a origem do prato remonta-o ao contexto da Guerra Peninsular, afirmando que as tropas napoleónicas costumavam comer umas sandes de pão de forma, onde colocavam toda a espécie de carnes e muito queijo. À época, entretanto, faltava um complemento que os portuenses passaram acrescentar nas ditas sandes – o molho.

 

            Actualmente, entretanto, parece haver alguma unanimidade em atribuir os créditos da criação do prato a Daniel David Silva, empregado do Restaurante A Regaleira na década de 1950. Tendo trabalhado em França, ao retornar a Portugal Daniel Silva criou a francesinha com base na tosta francesa, o "croque-monsieur", e daí o nome.

 

            Este iluminado homem teve a feliz ideia de improvisar e adaptar este prato aos nossos ingredientes e à nossa cultura, adicionando ao nosso paladar a magia de um molho que é a alma da receita.

 

            Transformou um “simples” "croque-monsieur" em algo com mais alma, a transbordar de vida e de substância. Algo que qualquer português ou portuense nunca teria imaginado ser possível comer até à altura.

 

            A francesinha é constituída por linguiça, salsicha fresca, fiambre, carnes frias e bife de carne de vaca ou, em alternativa, lombo de porco assado e afatiado, coberta com queijo (posteriormente derretido). É normalmente guarnecida com um molho à base de tomate, cerveja e piri-piri. Os acompanhamentos de ovos estrelados (no topo da sanduíche) e batatas fritas são facultativos.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:13

24
Abr 11

 

            A cidade de Caldas da Rainha, cujo nome provêm da rainha Dona Leonor, tem cerca de 50.000 habitantes. A sua fama deve-se à existência de fontes de águas termais sulfurosas, cujos efeitos terapêuticos foram comprovados em várias civilizações durante séculos. Na actualidade, estas instalações foram modernizadas para acolher o turista actual, que descobrirá também um grande património arquitectónico.

 

            A origem da tradição da invulgar loiça das Caldas encontra-se envolta num enorme mistério. Não existem certezas quanto à origem desta tradição. No entanto existem pelo menos três explicações possíveis quanto à génese deste tipo de cerâmica.

 

             Explicação 1 - O rei D. Carlos, ao desejar oferecer algo de original a uns convidados espanhóis teve a ideia de encomendar uma peça em forma de falo. Desde então esta forma de loiça continuou a ser fabricada sendo hoje património caldense.

 

             Explicação 2 - Durante uma crise na fábrica de cerâmica Bordalo Pinheiro os empregados ficaram sem material para trabalhar. Foi então que um empregado mais malandro, moldou uma peça em forma de falo e a partir desse momento este formato de loiça ficou associado à cerâmica local.

 

             Explicação 3 - Manuel Mafra (ceramista da casa Real) pretendeu oferecer algo invulgar ao rei D. Carlos I (conhecido como sendo atrevido e bon vivant). A partir desse momento desenvolveu-se este tipo de loiça.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 14:00

21
Abr 11

 

            O pão-de-ló é um dos bolos mais tradicionais de Portugal, até se usa a expressão: “Sustentar burros a pão-de-ló”. Come-se todo o ano, mas é pela Páscoa e pelo Natal que ele é mais consumido por todas as famílias portuguesas.

 

            O pão-de-ló é um bolo fofo feito à base de ovos, açúcar e farinha de trigo. Em Portugal, existem variedades regionais de pão-de-ló que se tornaram símbolos dessas regiões, como o de Alfeizerão, o de Ovar, o de Margaride e o de Arouca.

 

            Ainda em Portugal, existe uma receita de bolo chamado "pão-de-ló à brasileira", bastante diferente dos tradicionais, principalmente por levar muito menos ovos. Na Itália, o mesmo bolo chama-se pan di Spagna, pão de Espanha.

 

            O bolo mais parecido com o pão-de-ló da culinária da Inglaterra e outros países de idioma inglês, inclusive da culinária dos Estados Unidos, é o sponge cake.

 

            É sabido que a doçaria tradicional portuguesa tem geralmente origem nos conventos. Há no entanto razões para pensar que o Pão-de-ló, certamente aperfeiçoado pelas ordens religiosas, seja oriundo de Castela (Espanha).

 

            O pão-de-ló é um dos bolos mais antigos e não era somente para sobremesa, mas também indicado nas dietas de convalescentes e das famílias enlutadas, pois era enviado como presente ou lembrança de conforto. Era ainda oferecido junto com um copo de vinho aos condenados à morte, no momento em que subiam à forca, assim como era também o doce sempre presente nas mesas dos padres abastados e magistrados antigos.

 

            Os primeiros portugueses que chegaram ao Japão no século XVI levaram consigo a receita do pão-de-ló, também chamado pão de Castela. Uma receita do mesmo, refinada ao longo dos séculos, tornou-se num dos doces mais típicos do Japão, o Kasutera.

 

            Diz a tradição que a receita do pão-de-ló, pertencia às freiras do convento de Cós e que após o seu encerramento, durante as lutas liberais, estas foram acolhidas por famílias de Alfeizerão, a quem transmitiram o seu segredo. Foi esta receita que foi aproveitada pela Casa do Pão-de-Ló de Alfeizerão, que se prepara para comemorar as suas bodas de diamante. O estabelecimento, fundado por Adília Matos Vieira, iniciou em 1925 a produção e comercialização do já famoso pão-de-ló, há muito confeccionado na região em dias festivos.

 

             Também diz uma tradição que um dia, o Rei D. Carlos fez uma visita a esta localidade e logo chamaram uma dessas senhoras para confeccionar um Pão-de-ló para o Rei. Tamanho era o desejo de bem servi-lo, que a cozedura ficou incompleta! Ao invés do esperado, esta atrapalhação resultou num enorme sucesso que mereceu a preferência do Rei e o aplauso dos presentes. Estava, assim, descoberto o Pão-de-ló de Alfeizerão.

 

            Não se conhece a origem da principal especialidade culinária vareira. Sabe-se, no entanto, que, em Ovar, a tradição da confecção do pão-de-ló é conhecida desde os finais do século XVII: A produção local sofreu um incremento entre 1790 e 1890, uma vez que os ovarenses que trabalhavam sazonalmente nas fainas fluviais do rio Tejo - os fragateiros - levavam para Lisboa canastras de pão-de-ló para presentearem os proprietários das fragatas. O pão-de-ló de Ovar, doce muito fofo, feito de farinha de trigo, ovos e açúcar contínua, hoje, a ser a mais apreciada especialidade da gastronomia vareira. Na cidade de Ovar existem várias casas onde se confecciona e vende o dulcíssimo Pão-de-ló, iguaria quase sempre acompanhada por um vinho do Porto.

 

            Receita do pão-de-ló:

 

            Ingredientes:

            200g de farinha de trigo peneirada

            200g de açúcar refinado peneirado

            06 ovos ou 300g de ovos (aprox. 50g por ovo)

 

            Método morno:

 

            Misturar os ovos e o açúcar em uma tigela de aço e levá-los ao banho-maria, mexendo sempre, até que a temperatura atinja 43°C e todo o açúcar seja dissolvido. Logo em seguida, deve-se bater em velocidade alta por 5 minutos, ou até conseguir o máximo de volume. Finalize, incorporando a farinha de trigo.

 

            Método frio (utilizado nessa receita):

 

            Ao contrário do método "morno", os ovos e o açúcar são batidos em temperatura ambiente, em velocidade alta por 15 a 20 minutos, ou até o ponto de fita e, só então, a farinha é incorporada. Como o açúcar não foi aquecido, alguns grãos ainda estão presentes na massa e serão dissolvidos no forno, liberando vapor e criando uma textura de "buracos" maiores. Essa textura é interessante quando o pão-de-ló vai ser utilizado na montagem de um bolo com calda, pois os buracos maiores absorvem mais calda, deixando-o mais húmido.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 22:20

15
Abr 11

 

            É já uma tradição no Algarve. O FIESA, é uma mega exposição de esculturas em areia que a Prosandart realiza desde 2003 em Pêra, no Algarve, e que em cada nova edição é dedicada a um tema diferente.

 

            O festival é único na Península Ibérica e é considerado o maior festival de escultura em areia do mundo, pelo tamanho das suas esculturas e pela área por elas ocupada.

 

            Todos os anos, um grupo de talentosos escultores, oriundos de várias partes do mundo e especialistas na arte de esculpir areia, junta-se para dar forma a trinta e cinco mil toneladas de areia, numa área de quinze mil metros quadrados.

 

            Este ano de 2011, o tema é Animalândia, onde os animais são representados de uma forma humorística, personificados em comportamentos humanos e homenageando personagens da ficção infantil e adulta. A preocupação em relação ao ambiente e à preservação das espécies está também patente no tema desta edição, com cenas de animais em perigo de extinção, representados no seu habitat natural.

 

            Nesta sua 9ª edição o festival abre a 15 de Abril ao público, que, pela primeira vez, pode assistir ao processo de construção de parte das esculturas até 15 de Junho.

 

            O FIESA integra ainda uma dimensão lúdica com um espaço para realização de actividades de escultura em areia, onde diariamente, adultos, jovens e crianças podem experimentar e mostrar as suas capacidades criativas nesta forma de expressão artística.

 

            Durante o dia as esculturas podem ser admiradas em todo o seu detalhe e nobreza, enquanto à noite, a iluminação transporta-nos para uma atmosfera mística, animada por espectáculos e performances.

 

            As esculturas gigantescas de areia, algumas com cerca de 10 metros de altura, ocupam uma área de 15 mil metros quadrados, tendo sido utilizadas cerca de 35 mil toneladas de areia, para dar «vida» aos trabalhos.

 

            Para concretizar as esculturas, são utilizados unicamente areia e água, elementos para proporcionar um material compacto que depois é «delicadamente» esculpido com escovas e pequenos instrumentos.

 

            Nestes projectos de grandes dimensões são utilizadas máquinas para empilhar a areia, e caixas de madeira que ajudam à sua compactação.

 

            «A construção é um trabalho minucioso feito por alguns dos melhores escultores de areia do mundo, muitos dos quais premiados nos maiores festivais internacionais desta arte», disse à Lusa Alper Alagoz, escultor turco e o criador do festival, em 2002.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 16:45

12
Abr 11

 

            Porto Covo é uma das duas freguesias do concelho de Sines, com 48,73 km² de área e 1 116 habitantes (2001). Densidade: 22,9 hab/km².

 

            A Ilha do Pessegueiro, com o seu forte, faz geograficamente parte do território da freguesia de Porto Covo.

 

            A freguesia de Porto Covo foi criada em 31 de Dezembro de 1984, por desanexação da freguesia de Sines, até então a única do concelho do mesmo nome (o qual deixava assim de ser dos sete municípios portugueses com apenas uma freguesia a integrar o seu território).

 

            Na aldeia de Porto Covo existe a Praia Grande, situada a cerca de 160 quilómetros de Lisboa e uma das mais procuradas por locais e turistas.

 

            Praia marítima, é vigiada com nadadores-salvadores. Tem apoios de praia, parque de estacionamento, limpeza do areal e recolha de lixo. Água e areal em condições, por isso ostenta a bandeira azul. Serve muito à prática do surf. A temperatura desta água atlântica pouco baixa dos 15 °C, considerada um paraíso em tempo de férias.

 

            A Praia do Espingardeiro, a Praia Pequena e a Praia dos Buizinhos são pequenas praias de areia na costa recortada por rochedos, criando espaços ambientes quase selvagens e ao mesmo tempo íntimos.

 

            Não é só uma aldeia turística com belas praias, também se festeja todos os anos “As festas de Agosto”. O dia da padroeira de Porto Covo, Nossa Senhora da Soledade comemora-se no dia 29 de Agosto, ao fim da tarde desse dia, o povo leva a imagem em procissão pelas principais ruas da aldeia.


            As festas religiosas são acompanhadas por um programa de celebrações "profanas" na freguesia, que inclui fogo-de-artifício, baile, noite de fados e guitarradas e um espectáculo sempre com um dos mais populares artistas portugueses. Quim Barreiros e Toy, já actuaram em anos anteriores.

 

            As festas de Porto Covo voltam sempre a esta aldeia alentejana em Agosto e com elas a já antiga tradição da Apanha dos Patos. Todos os anos os aventureiros saltam para a água com o objectivo de levar um pato para casa. Ainda que alguns afinem estratégias, todos concordam que a sorte é muito importante. Já quanto ao destino a dar aos patos as dúvidas são muitas. Há mais de 50 anos se cumpre a tradição da apanha dos patos ou a corrida aos patos. Os patos são atirados ao mar e todos tentam apanhar o mais depressa possível o seu troféu: o pato. No final, alguns são guardados como animais de estimação mas outros acabam mesmo na panela

 

            Para além da Apanha dos Patos, na aldeia de Porto Covo têm sempre lugar cerimónias religiosas, concertos com vários artistas e um já afamado espectáculo de fogo-de-artifício.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 22:50

05
Abr 11

 

 

             Breve História da Palha de Abrantes.

            Conta a tradição que a denominação Palha de Abrantes se encontra associada ao movimento fluvial que em tempos animava o Tejo. Antigamente toda a palha proveniente do Alto Alentejo era transportada em carros de tracção animal e depositado em cais no Rossio de Abrantes para mais tarde seguir em barcos para todo o Ribatejo. Abrantes era um porto de paragem no abastecimento de, entre outros produtos, fardos de palha para os animais de tiro da capital (Lisboa).

 

            Quando surgiram os comboios e como as viagens eram demoradas, os passageiros que vinham das Beiras e fronteira, já cansados, exclamavam: “Já chegámos à terra da palha!!!” Nasceu assim a citação de “se queres palha vai a Abrantes”.

 

            Foi então que as freiras dos quatro conventos, existentes em Abrantes se lembraram de, com fios de ovos e ovos-moles, baterem os ouriços (primeiro nome dado à palha). Mais tarde, deu-se-lhe o nome de Palha de Abrantes, porque os fios de ovos lembravam os fardos de palha no cais do Rossio de Abrantes. É senso comum que este produto tem a sua origem nos conventos de freiras existentes na cidade, nomeadamente o Convento da Graça, da Ordem das Dominicanas. Considera-se uma “obrigação” para quem vai a Abrantes provar os doces regionais, dos quais o mais célebre é este.

 

            Ingredientes:

 

            250 gr de açúcar

            2,5 dl de água

            12 gemas

            4 claras

            1 colher de chá de canela

            60 gr de amêndoa pelada

            Folhas de obreia q.b.

 

            Preparação:

 

            Prepare os fios de ovos. Leve ao lume a água com o açúcar e deixe ferver até atingir o ponto de pérola fraco.

            Misture 6 gemas com 2 claras, com um garfo sem bater e passe três vezes por um passador de rede.

            Coloque os ovos num funil de fazer os fios de ovos e sem demoras, para não aumentar a densidade do xarope, deixe cair os fios na calda, manobrando o funil o mais alto possível.

            Os fios de ovos tomarão o aspecto de uma meada que deve ser retirada com a ajuda de uma ou duas escumadeiras e colocada sobre uma peneira com o fundo virado para cima.

            Abra os fios passando as mãos por água fria.

            Enquanto prepara os fios de ovos, estes devem de ser sempre borrifados com água fria para impedir que a densidade do xarope aumente.

            Feitos os fios de ovos, deixe ferver a calda que restou até fazer ponto de cabelo. Depois de arrefecer um pouco, junte as seis gemas restantes, duas claras previamente misturadas e a amêndoa passada pela máquina. Leve o preparado ao lume a cozer e fazer ponto de estrada. Retire do lume adiciona-se a canela.

            Corte as folhas de obreia em rodelas com 5 ou 6cm de diâmetro, coloque uma colher de chá do preparado que levou amêndoa e cobra com fios de ovos.

            Leve ao forno muito quente, só para tostar a parte de cima dos ovos.

 

            Abrantes, terra da palha,

            Terra boa p´ra viver

            com certeza não é burro

            quem desta palha comer

            Eu sou a palha de Abrantes,

            feita de açúcar e ovos

            um doce que muito agrada

            tanto a velhos como a novos.

 

            Todos os burros comem palha;

            saber dar-lha é a questão.

            Mas desta até os doutores

            a comem e com razão

            Sou famosa em Portugal,

            meu sabor é sem igual,

            belo brilho e linda cor,

            que bom é o meu sabor.

 

            Na Praça Barão da Batalha,

            que praça da palha era dantes,

            não como qualquer palha!

            como a palha de Abrantes!

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 21:14

26
Jan 11

 

            A Festa das Fogaceiras teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, em 1505, altura em que a região de Santa Maria da Feira, foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu ao santo a oferta de um pão doce chamado fogaça.

 

            S. Sebastião, que segundo a lenda padeceu de todos os sofrimentos aquando do seu martírio em nome da fé cristã, tornou-se, assim, o santo padroeiro de todo o condado da Feira.

 

            No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes e seguia pela Igreja do Convento do Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas as fogaças, divididas em fatias, posteriormente repartidas pelo povo. Assim nasceu a Festa das Fogaceiras.

 

            Mas, muito mais tarde entre 1749 e 1753, deixou de se cumprir o voto. E a peste voltou e com ela voltou a cumprir a tradição a realizar a Festa em Louvor do Mártir S. Sebastião.  

            A partir de 1753, até hoje, a Câmara realiza esta festa e cumpre o voto ininterruptamente.

 

            Cumprida em cada dia 20 de Janeiro, esta promessa constitui uma referência histórica e cultural para as Terras de Santa Maria.

 

            A Festa das Fogaceiras chegou até aos nossos dias com dois traços essenciais: a realização da missa solene, com sermão, precedida da bênção das fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a procissão, que sai da Igreja Matriz, percorrendo algumas ruas da cidade.

 

            Com a proclamação da República, acrescentou-se um novo ritual: a formação de um cortejo cívico, a partir dos Paços do Concelho rumo à Igreja Matriz, antes da missa solene, que integra as meninas “fogaceiras”, que levam as fogaças à cabeça, bem como as autoridades políticas, administrativas, judiciais e militares e personalidades de relevo na vida municipal.

 

            A procissão festiva realiza-se a meio da tarde e congrega símbolos religiosos, com destaque para o mártir S. Sebastião, bem como uma representação civil, com símbolos autárquicos, económicos, sociais e culturais de cada uma das 31 freguesias do concelho, numa curiosa mistura entre o civil e o religioso.

 

            No cortejo e procissão as atenções recaem, naturalmente, sobre as fogaceiras, segundo a tradição “crianças impúberes”, provenientes de todo o concelho, vestidas e calçadas de branco, cintadas com faixas coloridas, que levam à cabeça as fogaças do voto, coroadas de papel de prata de diferentes cores, recortado com perfis do castelo.

 

            Inicialmente, as “fogaças do voto” eram distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres e mais tarde pelos presos, pobres e personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados”. Actualmente, são entregues às autoridades religiosas, políticas e militares que têm jurisdição sobre o município de Santa Maria da Feira.

 

            Tal como outrora, hoje as gentes do concelho da Feira têm a oportunidade de manifestar o culto a S. Sebastião numa festa que é, acima de tudo, símbolo de união e de identidade colectiva. Manda a tradição que, por ocasião da Festa das Fogaceiras, os feirenses enviem fogaças aos familiares e amigos que se encontram longe.

 

            A fogaça é um pão doce tradicional de Santa Maria da Feira, cujas primeiras referências conhecidas aparecem nas inquirições de D. Afonso III, no século XIII (1254/1284) e que era usada como pagamento de foros. O seu formato estiliza a torre de menagem do castelo com os seus quatro coruchéus.

 

            A fogaça é cozida diariamente em várias casas de fabrico do concelho e distingue-se por tradicionais aprestos, quer no preparo, quer na forma como vai ao forno. Os ingredientes base utilizados na confecção desta iguaria são água, fermento, farinha, ovos, manteiga, açúcar e sal.

 

            A fogaça é comercializada durante todo o ano e utilizada como voto na Festa das Fogaceiras.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 19:10

17
Jan 11

 

            Na época da crise dinástica de 1383-1385, o reino de Portugal esteve ocupado pelos castelhanos, tendo sido o Mestre de Avis, futuro D. João I, o líder da revolta portuguesa. Com a Batalha de Aljubarrota, as praças portuguesas em poder de Castela começaram a cair. Assim, depois de o porto de Atouguia ter sido abandonado pelos castelhanos, os obidenses entregaram-se ao Mestre de Avis, que organizou militarmente o território, com o intuito de defender melhor o reino.

 

            Um dos combatentes da “Ala dos Namorados”, designação dada, de acordo com o professor Carlos Orlando Rodrigues, “ao lado direito do quadrante, mais exactamente à vanguarda virada para Leiria, que os portugueses formaram como táctica de combate na Batalha de Aljubarrota” foi D. Antão Vaz Moniz, fidalgo de Óbidos e cavaleiro a pé. Depois da vitória na referida batalha, D. Antão, em 1386, mandou edificar uma capelinha em honra do santo do mesmo nome. Essa ermida foi construída no cimo de um monte, a norte da vila, de onde se obtém uma vista panorâmica deslumbrante. D. Antão passou aí os últimos anos da sua vida, enquanto asceta, tendo pedido para ser sepultado no interior da capela, sem qualquer tipo de inscrição.

 

            Estes acontecimentos históricos originaram a famosa romaria de Santo Antão, que se realiza nesta freguesia, a 17 de Janeiro. A ermida situada nu local de difícil acesso, mas de grande importância agro-pecuária, tendo o porco um papel relevante.

 

            Em meados de Janeiro, celebra-se a tradicional festa do Santo Antão de Óbidos. Uma festa que mistura a componente religiosa com uma outra profana, onde centenas de pessoas comem, bebem e divertem-se à volta de diversas fogueiras espalhadas pelo recinto.

 

            Esta festa realiza-se junto à ermida de Santo Antão, o Santo de protege os animais, no cimo de um amplo cabeço com o mesmo nome, com cerca de 80 metros de altura. Durante muitos anos não faltaram os tradicionais pinhões, as laranjas, as cavacas e muitas outras guloseimas. Hoje os vendedores aproveitam para vender, além destes artigos, muitos outros, como se de uma feira se tratasse.

 

            O Santo Antão de Óbidos encontra-se no centro duma vasta região agro-pecuária, onde o porco tem papel de grande importância. No caso de doença, ou de desejo de uma boa ninhada, não há nada como fazer uma promessa a Santo Antão para que tudo corra bem, mas se houver problema com outro animal, não faz mal, nem é de hesitar, Santo Antão a todos acode. Esta é a filosofia base destas cerimónias.

 

            As promessas são pagas na casa de esmolas ou na sacristia, recebendo em troca, como “recibo”, uma vela enrolada numa fita de nastro cor-de-rosa e um “registo” do Santo. As fitas cor-de-rosa devem ser amarradas à cabeça dos animais para ficarem protegidos contra qualquer mal. Estas fitas designadas, entre os romeiros, por “sacramentais” são previamente benzidas. Quem não pode ir pagar a promessa, pede a alguém que o faça por si. A entrega de vela e da fita são prova que a promessa foi paga.

 

            Actualmente, poucos são os que pagam as promessas em géneros. Dirigem-se à casa das esmolas, ou à sacristia a fim de comprarem as velas com as fitas cor-de-rosa e os ex-votos de cera dos animais sobre os quais recaíram as promessas. Alguns dos ex-votos são queimados conjuntamente com as velas no tabuleiro. Contudo, a sua grande maioria é depositada aos pés da imagem do Santo.

 

            Todos os romeiros que quisessem ir à romaria não teriam mais que comprar, na casa das esmolas, os chouriços ou chouriças desejadas, fazer uma fogueira com os arbustos existentes, assá-los, comê-los e regá-los com bom vinho. E, rodeados pelos animais que tinham levado até ao cabeço, aí comiam, bebiam e divertiam-se.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

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