Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

26
Fev 10

 

            Em tempos antiquíssimos, antes dos guerreiros samurais e de seus enormes castelos, o Grande Santuário de Ise, da religião nativa xintoísmo, era a mais bela obra construída pelo homem no Japão. Havia uma expressão popular que dizia: “Visitar o Grande Santuário de Ise e morrer!”. Era desejo do povo japonês da época visitar esse famoso santuário, pelo menos uma vez na vida. Esse desejo, conforme contam as lendas, não se limitava apenas ao homem, mas a todos os seres viventes.

            Naquela época, moravam, numa montanha na província de Mie, um macaco e uma carpa. Certa ocasião, o macaco estava na margem do rio, e a carpa comentou:
            – Há muito tempo que tenho vontade de visitar o Santuário de Ise.
            – Eu também sempre tive esse desejo. Por que não vamos juntos? – perguntou o macaco.

            Dito e feito. A carpa saiu nadando rio abaixo e o macaco desceu a montanha pulando de galho a galho, até encontrar um enorme campo. O macaco mediu com os olhos a dimensão da pradaria e disse à carpa:
            – Eu gosto de montanhas cheias de árvores e confesso que sou um fracasso para percorrer um campo tão grande e tão recto. Não sei o que fazer...
            Enquanto eles pensavam numa solução, apareceu por lá, de passagem, um cavalo e perguntou:
            – O que vocês fazem tão pensativos?

            Então o macaco contou que pretendiam visitar o Grande Santuário de Ise, mas estavam em dificuldades, pois o verde campo que tinham que atravessar eram demais para as suas pernas tortas.
            – Visitar o Santuário de Ise é uma maravilha. Eu também sempre tive esse desejo. Deixem-me acompanhar vocês. Venha, macaco, suba no meu dorso e vamos embora.
            Assim, o macaco montou nas costas do cavalo, e a carpa seguiu nadando pelo rio.
            Mais para frente, o rio em que a carpa seguia nadando desembocava numa praia. Então, a carpa parou e disse para os dois amigos:
            – Eu não gosto do mar. Não consigo nadar em águas salgadas.

            A carpa, o macaco e o cavalo ficaram pensando em como vencer aquela dificuldade.
            – Eu tenho uma boa ideia – disse o macaco, logo em seguida – Precisamos providenciar um balde, colocar água doce nele e a carpa vai andando junto com a gente dentro do balde.
            – Um balde cheio de água é pesado. Eu não tenho mão para carregá-lo – disse o cavalo.

            – Deixe comigo, que eu tomo conta da carpa – disse o macaco, todo prestativo.
E o macaco foi até o povoado e trouxe um balde de madeira, típico balde japonês daquela época. Encheu-o de água, colocou a carpa dentro dele e subiu no dorso do cavalo com o balde.

            – Obrigada pela ajuda – disse a carpa, agradecida.
            – Foi uma grande ideia – observou o cavalo.

            Assim, seguiram a viagem ao Santuário de Ise, quase todos muito felizes.
Quase, porque o cavalo teve que carregar o macaco e um balde de madeira cheio de água nas costas. A carpa, apesar de não fazer nenhum esforço dentro do balde, não conseguia apreciar a bela paisagem a caminho do santuário. Já o macaco, sentado confortavelmente no dorso do cavalo, usufruiu a visão privilegiada do alto e ia ditando o caminho:
            - Agora, vire à direita e, em seguida, vire à esquerda!

            Assim, chegaram ao Santuário de Ise sem maiores problemas, provando que “a união faz a força” e que quem tem ideias faz menor esforço.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 22:03

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