Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

27
Fev 10

 

            Protagoniza esta lenda, uma das mais interessantes figuras de mulher da Idade Média peninsular, a Condessa Mumadona Dias.
            Penafiel será topónimo derivado de castelo assente em rochas firmes ou recordará momentos trágicos da vida da Condessa? Possivelmente, a resposta certa estará naquela, mas romanticamente prefere-se esta. Sabemos, no entanto, que a 24 de Março de 1770, D. José decretou: “ Hei por bem e me apraz que a dita povoação de Arrifana de Sousa fique criada em cidade com o nome de Penafiel”.
 
            Em tempos que já lá vão, Penafiel era o nome de uma zona onde havia várias povoações, a mais importante das quais era Arrifana de Sousa, que chegou a ser cabeça de concelho por foral de D. Manuel I em 1518. Mas, por volta de 950, Mumadona Dias, senhora daquelas e de muitas outras terras, já era viúva do Conde Hermenegildo que muito chorava.
 
            Frequentemente, ia lamentar-se para junto do túmulo do marido, a quem gabava sempre os seus filhos mis novos, Nuno e Arriana, lamentando o espírito aventureiro dos quatros mais velhos. Quando chegou a altura das partilhas, Mumadona beneficiou os seus filhos favoritos. No entanto, estes optaram por viver com a sua mãe, dizendo Nuno que só a morte os separaria, enquanto a irmã protestava que nunca ia casaria.
 
            Certo dia, Mumadona Dias foi visitada por um vizinho, Mendo de Sousa, fidalgo poderoso, que lhe disse mais ou menos assim:
            - Senhora, conheceis quem sou e o que valho. Ninguém se me pode comparar em poderio. E deveis considerar uma honra para a vossa casa que eu queria casar com a vossa filha Arrifana.
            Mumadona rectificou o nome da filha, Arriana. Mas a verdade é que durante a conversa de pretensão – aquilo nem era bem um pedido! – o fidalgo sempre dizia Arrifana, por muito que fosse corrigido. Mumadona informou-o de que a filha saberia escolher, e ele queria que a mãe o impusesse. Perante Arriana, Mendo de Sousa foi rejeitado. E sempre lhe chamava Arrifana!...
 
            Passados tempos, Nuno morreu de doença, passando Mumadona Dias e sua filha Arriana, cheias de saudades, a chorá-lo. E andavam sempre juntas naquela tristeza.
            - Para todo o sempre, esta há-de ficar a ser a terra da nossa pena fiel! – dizia a fidalga.
            - Sim, minha mãe, a pena fiel pelo nosso querido Nuno! – respondia tristíssima, Arriana.
 
            E assim, nas voltas do tempo, lá se foram deste mundo mãe e filha, acabando D. Mendo de Sousa por ficar dono e Senhor de mais aquelas terras. E, apesar de já estar muito velho e enfraquecido, quando se enterraram os vizinhos e se apossou de tudo aquilo, ficou muito satisfeito e resmungou que, por fim, aquilo tudo era dele. Não casara com ela, mas era dono das suas terras. E deu-lhes o nome que mais gostava combinado com o seu apelido:
            - Serão as Terras de Arrifana de Sousa!
            E assim ficaram a chamar-se aquelas terras, até que D. José I, sabedor da Lenda, lhes passou a dar o nome oficial e romântico de Penafiel.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 18:13

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