Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

28
Fev 10

 

            Há muitos e muitos anos no Japão, existiu um homem muito rico, que vivia lustrando uma estatueta de Buda fundida em ouro. Sentia-se orgulhoso mostrando a toda a gente aquela preciosidade que lhe pertencia.
 
            Num quartinho no fundo do quintal de sua mansão, vivia um jovem empregado, cujo trabalho diário consistia em preparar banho quente de imersão (ofurô) para todos que lá viviam.
            Um dia, quando o jovem foi à montanha cortar lenha, encontrou um toco de árvore retorcido, cuja forma lembrava uma estatueta de Buda. O rapaz levou-o para seu quarto e, com uma faca conseguiu um belo trabalho, fazendo acabamento na madeira. Então, colocou-o sobre um móvel e, diariamente, rezava para o Buda de madeira. Uma oração simples, mas com toda a dedicação, pois assim ele se sentia protegido.
 
            Certo dia, um dos criados que queria agradar ao patrão sugeriu que fosse realizada uma luta de sumô entre o Buda de ouro e o Buda de madeira.
            – Patrão, o seu Buda de ouro é magnífico. Com certeza que vai vencer a luta de sumô.
            – Sem dúvida nenhuma.
            Assim, mandou chamar o jovem e fez a seguinte proposta:
Se o teu Buda de madeira vencer a luta, dou-te toda a minha fortuna. E todos os dias vou preparar o ofurô para ti da mansão. Esta é uma proposta irrecusável.

            O jovem voltou ao seu quartinho e contou ao Buda de madeira a proposta que havia recebido. Mas se sentia desconfortável ao tratar o seu Buda como se fosse um objecto de apostas.
            Porém, o Buda de madeira disse:
            – Por mim está bem assim, não te preocupes. Vamos nessa.

            O jovem apanhou um susto, pois era a primeira vez que ouvia o seu Buda falar. Depois, recuperado do susto, levou o seu Buda para a disputa. Todos, excepto o jovem, achavam que o Buda de ouro ganharia a luta.
            A luta consistia em colocar os dois Buda sobre um tablado redondo, imitando a arena de sumô. Os dois jogadores batiam com os punhos de leve, porém repetidamente no suporte, fazendo vibrar a arena. Um Buda empurraria o outro movido pela vibração.
            Aquele que caísse ou saísse da arena perdia a luta. Teoricamente, o Buda de ouro venceria a partida, pois ouro é muito mais pesado que madeira, portanto, mais difícil de ser derrubado, ou de ser empurrado para fora por causa da vibração.
            Todos queriam apostar na vitória do Buda de ouro. Entretanto, quando começou o embate, o Buda de madeira foi empurrando o Buda de ouro até a borda da arena. Para surpresa de todos, o Buda de ouro foi posto para fora da arena.

            Desesperado, o homem rico perguntou ao seu Buda:
            – Por tua causa tornei-me um homem pobre. Por que foste cair?
            – Não queiras me culpar, porque o culpado és tu. Faltou devoção de tua parte, por isso, eu não tenho força. Como tu querias apenas me exibir para toda a gente por eu ser de ouro, vivias me lustrando ao invés de rezar. Eu estava tão liso de lustro, que o Buda de madeira me deu apenas um empurrão e eu escorreguei para fora da arena.
            Nesse momento, o homem reconheceu seu erro e prometeu que mudaria seu modo de ser.
            O jovem ficou muito feliz com a vitória. Recebeu a fortuna prometida e viveu feliz para sempre, pois era muito generoso e distribuía comida diariamente para os pobres da região.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 22:53

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