Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

01
Mar 10

 

            Nas proximidades da Fuseta existem ruínas de diversas torres ou fortalezas, cuja fundação é de uma admirável antiguidade. A poente daquela povoação, sobre uma cumeada que domina os esteiros de Tavira para Faro, encontra-se uma torre redonda, com um diâmetro de dez metros e pouco mais de altura, sem sinais ou quaisquer vestígios de escada por onde se possa subir ao parapeito. A distância de dois quilómetros a noroeste encontra-se outra torre, chamada da Alfaia; a igual distância para oeste existe a torre denominada de Bias e quase a cinco quilómetros fica a torre de Aires.
 
            Várias lendas corriam em tempo, respeitantes às torres, mas quase esquecidas, o do qual apenas existem hoje alguns casos isolados. Os habitantes da Fuseta, na sua grande maioria, operários do mar, vivem mais tempo neste do que em terra, e por isso, têm deixado esquecerem as tradições da sua freguesia. Algumas recordações que ainda conservam têm elas sido alimentadas pelos próprios marroquinos com quem mantêm muitas relações comerciais. Em Marrocos fala-se muito das mouras que aqui ficaram encantadas e as lendas ali são aquecidas por uma imaginação exaltada, própria do clima. Tem certa graça a afirmação dos mouros, que atribuem a sua pobreza de hoje a terem ficado os seus tesouros escondidos na nossa província sob a guarda das mouras encantadas!
 
            Lembram-se ainda de alguns sítios da freguesia de Pechão, onde possuíram, dizem eles, as mais belas propriedades, cujos nomes conservam desde aqueles tempos. É muito vulgar ouvir-se dos seus lábios os seguintes versos:
 
            Três belas têm o Portugal
            Bela Mandil, Bela Salema
            E a mais bela das três
            É a nossa Bela-Curral.
 
            Em relação a uma das torres mencionadas existe a seguinte lenda.
            Havia no tempo dos mouros na torre de Bias uma formosa moura que aliava à sua formosura e riqueza um coração generoso. Uma das suas principais virtudes e que sobressaía entre as mais era a caridade.
 
            O pai da virtuosa moura, se não era propriamente um rico avarento, não via com muito bons olhos as avultadas esmolas em dinheiro, que ela distribuía aos pobres, e por isso, só lhe consentia as oferendas em frutos. É certo que a virtuosa filha em coisa alguma desobedecia às ordens paternas, mas Alá fazia constantemente a partida de transformar os frutos em dinheiro. Indignava-se o pai contra a desobediência da filha, teimava esta em nunca se afastar das suas ordens. Num dia espreitou o pai e viu que sua filha tinha razão.
            Pois, por intervenção de Alá, os frutos se tinham transformado em dinheiro!
 
PROF. KIBER SITHERC
 

  

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 23:34

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