Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

29
Mar 10

 

                Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados, os faz largar as suas famílias.   

 

            A Mãe-do-Ouro nasceu da fantasia dos solitários garimpeiros, que em busca da riqueza, construíram o Brasil central. A lenda corre no rio das Garças, que em outros tempos foi rico em pedras preciosas. O fago-fátuo desprendido das ossadas dos animais mortos causava medo aos garimpeiros, ao mesmo tempo eram vistos como os pingos de luz de uma mulher que trazia as riquezas da região, escondidas em suas grutas e no leito dos seus rios.

  

            Existem várias lendas sobre a Mãe-do-Ouro, cito as duas, que são as mais conhecidas.

 

            Há muitos anos atrás, existia em Portugal uma jovem muito rica chamada Maria. Ela foi seduzida por Pedro, que pediu para que esta moça colocasse todo o seu tesouro num baú e fugisse com ele para o Brasil.


            Quando os dois desembargaram em terras tupiniquins, casaram-se. Porém, alguns dias depois do matrimónio, Pedro matou a esposa e a enterrou dentro de uma caverna, onde havia escondido o tesouro da companheira.


            Na noite seguinte Henrique, um jovem pobre, andava perto da região da caverna.

Quando, de repente, avistou uma bola de fogo dourada e começou a segui-la até o local. Chegando lá, o moço descobriu o tesouro e ficou rico.


            Numa outra noite esta moça voltou com o seu formato de bola de fogo, foi até a casa onde estava seu ex-marido e queimou a residência com o seu ex-companheiro junto.


            Naquela mesma vila Maria descobriu que Dalva era maltratada pelo seu marido, Eusébio. Então numa noite de Lua cheia o espírito de Maria entrou no mesmo bordel que o marido de Dalva frequentava, seduziu este homem e convenceu-o a ir até à sua caverna. Chegando ao local Maria matou-o. Assim a partir daquela noite Maria, passou a perseguir todos os homens que maltratam as suas esposas. Dizem que esta assombração existe até hoje, indicando cavernas onde há jazidas de ouros para os pobres e castigando os maridos maus, seu apelido popular é Mãe-do-Ouro.

 

            A segunda lenda da Mãe-do-Ouro, passasse em Rosário, na montante do rio Cuiabá. Havia um rico senhor de escravos, de modos rudes e coração cruel. Ocupava-se na mineração de ouro, e seus escravos diariamente vinham de lhe trazer alguma quantidade do precioso metal, os que não encontrassem ouro, eram levados para o tronco e vergastados.

            Tinha ele um escravo já velho a quem chamavam pai António. Andava o negro num banzo que dava dó, cabisbaixo, resmungando, pois não lhe saía da bateia uma só pepita de ouro, e mais dia, menos dia, lá iria ele para o castigo. Certo dia, em vez de trabalhar, deu-lhe tamanho desespero que saiu andando à toa pelo mato. Sentou-se no chão, cobriu as mãos e começou a chorar. Chorava e chorava, sem saber o que fazer.       Quando descobriu o rosto, viu diante dele uma mulher branca muito linda, com uma linda cabeleira cor de fogo.

            E ela falou para ele:

             - Por que está triste assim, pai António?

            E ele falou, contando-lhe a sua desventura.

            - Não chore mais. Vá comprar-me uma fita azul, uma fita vermelha, uma fita amarela e um espelho.

            - Sim, sinhazinha.

            Saiu o preto do mato às carreiras, foi à loja, comprou o espelho e as fitas mais bonitas que achou e voltou a encontrar a mulher dos cabelos de fogo. Então ela foi diante dele, parou num lugar do rio, e ali foi esmaecendo até que sumiu. A última coisa que ele viu foram os cabelos de fogo, onde ela amarrara as fitas. Uma voz disse, de lá da água:

             - Não conte a ninguém o que aconteceu.

            Pai António correu, tomou a bateia e começou a trabalhar. Cada vez que peneirava o cascalho, encontrava muito ouro. Contente da vida, foi levar o achado ao patrão.

  

            Em vez de se satisfazer, o malvado ele queria que o negro contasse onde tinha achado o ouro.

            - Lá dentro do rio mesmo, sinhozinho.

            - Mas em que altura?

            - Não me lembro mais.

            Foi amarrado no tronco e maltratado. Assim que o soltaram, correu ao mato, sentou-se no chão, no mesmo lugar onde estivera e chamou a Mãe-do-Ouro.

            - Se a gente não leva ouro, apanha. Levei o ouro e quase me mataram de pancada. Agora, o patrão quer que eu conte o lugar onde o ouro está.

            - Pode contar - disse a mulher.

 

            Pai António indicou ao patrão o lugar. Com mais vinte e dois escravos, ele foi para lá. Cavaram e cavaram. Já tinham feito um buracão quando deram com um grande pedaço de ouro. Por mais que cavassem não lhe viam o fim. Ele se enfiava para baixo na terra, como um tronco de árvore. No segundo dia, foi a mesma coisa. Cavaram durante horas, todos os homens, e aquele ouro sem fim se afundando para baixo sempre, sem que nunca se pudesse encontrar-lhe a base. No terceiro dia, o negro António foi à floresta, pois viu, entre as abertas do mato, o vulto da Mãe-do-Ouro, com seu cabelo reluzente, e pareceu-lhe que ela o chamava. Mal chegou junto dela, ouviu que ela dizia:

             - Saia de lá amanhã, antes do meio-dia.

 

            No terceiro dia, o patrão estava como um possesso. O escravo que parava um instante, para cuspir nas mãos, levava chicotada pelas costas.

            - Vamos - gritava ele - Vamos depressa com isso. Vamos depressa.

            Parecia tão maligno, tão espantoso, que os escravos curvados sentiam um medo atroz. Quando o sol ia alto, pai António pediu para sair um pouco.

            - Estou doente, patrão.

            - Vá, mas venha já.

            Pai António se afastou depressa. O sol subiu no céu. Na hora em que a sombra ficou bem em volta dos pés no chão, um barulho estrondou na floresta, desabaram as paredes do buraco, o patrão e os escravos que estavam com ele, foram soterrados e morreram.

  

            Existe ainda na tradição dos caboclos do interior do Brasil, e mesmo do litoral, a lenda da "Mãe-do-Ouro e das Mães d'Água". Eram as náiades (ninfas das fontes) e as limoniades (ninfas dos lagos e dos bosques) que presidiam e guardavam os metais preciosos e as gemas faiscantes, tão apetecidas em todos os tempos pelo homem.

            E esses tesouros eram cercados de terríveis monstros, reais e imaginários, que velavam dia e noite sobre aquelas recônditas riquezas. Era a "guarda" que defendia as entradas das cavernas e as margens das lagoas e faisqueiros, onde rebrilhavam as faiscantes palhetas e pepitas.

 

            A crendice popular afirma, ainda hoje, que as jazidas auríferas, ocultas nas vivocas e nas votupocas (N.A.: montanhas que rebentam, que explodem) das serras alcantiladas, se manifestam e como que se comunicam entre si por meio de verdadeiros jactos luminosos, semelhantes às esteiras das estrelas cadentes e dos bólidos que se cruzam e explodem no espaço, nas noites cálidas e calmas.

 

            São as escaramuças da Mãe-do-Ouro! - exclamam sempre o caiçara e o caboclo do sertão, ao ver a esteira luminosa de um bólido que corta a abóbada estrelada.

            É a dourada Ninfa, realmente, que emergindo das chamas produzidas pelas explosões das votupocas, ou surgindo dentre as fosforecências dos fogos-fátuos e dos baêtatáes ou boitatás (diabo de fogo ou fogo do diabo) exalados pelas lagoas e pântanos paludosos, vem, qual salamandra, distribuir as suas riquezas pelas náiades e pelas limoníades conhecidas por "Mãe d'Água".

 

            A lenda, por mais ingénua e absurda que pareça, tem sempre um fundamento razoável. De facto: o ouro e as pedras preciosas desagregados dos montes, por efeito do constante trabalho erosivo das águas, rolavam e vinham, outrora, como ainda hoje vêm, depositar-se, em aluvião, no fundo dos lagos e no álveo dos nossos rios.

            Não nos parece, portanto, a "Mãe-do-Ouro" dos montes a derramar constantemente os seus dons, os seus tesouros, sobre os receptáculos que lhes oferecem as "Mães d'Água" dos lagos e dos rios?

 

            Era ainda, pela acção da ninfa dos rios e das lagoas auríferas, que os bandeirantes paulistas formavam as faisqueiras artificiais.

            As visões e miragens sedutoras que deslumbravam a vista e a alma dos anhangüeras, através do sertão goiano, se eram um mito ou uma alucinação, tinham contudo algo real. Bem reais eram os monstros que guardavam ferozmente as minas e povoavam os rios e lagos.

 

            O mais terrível, o mais temível desses monstros era, por certo, o índio Payaguá, que, como verdadeiro anfíbio, terrível como um ururá (jacaré enorme de papo amarelo), emergia inesperadamente das balseiras de aguapé e dos juncais, diante da tosca canoa do bandeirante, empunhando, em atitude ameaçadora, o arco retesado e a flecha sempre embebida no peçonhento curare.

            O Payaguá era o inimigo mais encarniçado e temível do bandeirante paulista.

            Este "Ciclo do ouro, da prata, do ferro e das pedras preciosas", 1560-1728, um dos mais brilhantes da nossa História, trouxe, entretanto, grandes proveitos, mas também grandes males ao Brasil.

 

            Da procura dos tesouros resultou a penetração e conquista do vasto sertão, a expansão territorial. Asseguraram-se e definiram-se os limites com as possessões espanholas, formaram-se as grandes capitanias de Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

            Mas, por outro lado, muito sofreram nesse período as capitanias antigas e principalmente a Lavoura. Com o êxodo contínuo de seus habitantes para aquelas longínquas paragens, a capitania de São Paulo despovoou-se. A pobreza e a ruína em que caíram as primitivas povoações fizeram com que muitas delas desaparecessem completamente. O ouro extraído das minas contribuiu apenas para o empobrecimento da colónia lusitana nesta parte do Brasil, pois tirou à Lavoura muitos braços valiosos.

            Esta principal fonte de riqueza ficou quase extinta e completamente abandonada. Foi esse o maior mal que causou à colónia o Ciclo do Ouro.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 01:22

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