Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

16
Abr 10

 

                É um mito originário do Brasil, o Anhangá é uma criatura assustadora, um grande veado cujo olho é lança-chamas. Ele representa um grande pesadelo para os caçadores, que, quando com ele se defrontam, ao tentarem baleá-lo, vêem seus tiros serem desviados em direcção a entes queridos e pessoas amigas.

            A sua fúria contra os caçadores se amplia quando as vítimas são animais lactantes ou filhotes que ainda precisam ser amamentadas.

 

            Os animais das florestas e campos vivem tranquilos, pois têm um defensor contra o homem-caçador. Seu nome é Anhangá. É o deus protector das matas e de todos os animais.

            Anhá-Angá, “anhang” do tupi-guarani. “Ang” significando Alma e “Anhá”, correr, ou seja, uma alma que corre. Pode ser traduzido por alma errante dos mortos, sombra, espírito ou, como fala o caboclo, visagem, que é o mesmo que espectro, fantasma e assombração.  Como tal é invisível, entretanto pode assumir diversas formas. As formas nas quais se apresenta depende para quem aparece.

 

            Quando visível poderá tomar a forma de um macaco, morcego, rato, pássaro galinha-do-mato etc. Ele assinala a sua presença com um assobio e a caça desaparece como por encanto, o que nos remete à imagem e função de protector.

            A sua forma mais comum de aparição é como um portentoso veado branco ou cervo, de cor avermelhada, chifres cobertos de pêlos, olhos de fogo e uma cruz na testa, que desvia o caçador do seu objectivo.

 

            O Anhangá traz para aquele que o vê, ouve ou pressente certo prenúncio de desgraça, e os lugares frequentados por ela são mal-assombrados.


            Existem caçadores e pescadores astutos que, rapidamente logo reconheçam seu assobio, com ela compactuam para uma boa caça ou pesca oferecendo-lhe tabaco.

            - Minha comadre me dê uma boa caça, que lhe presenteio com um pouco de tabaco.


            Se a pessoa for atendida, dever cortar uma vara, rachar sua ponta e nela introduzir o tabaco, mortalha para cigarros e fósforo.

            Feito isso espeta a vara nas proximidades onde a caça foi abatida, dizendo:

            - Comadre está aí o tabaco prometido.

            Contam que todos que se dispuseram voltar para procurar o ofertório, jamais o encontraram.

            Mais uma vez o fumo assume um relevante papel no quotidiano das gentes do mato. O tabaco é utilizado também como ofertório para aplacar a ira, a cólera, dos seres punitivos e vingativos, ou agradar os benfeitores; para afastar as influências maléficas e atrair a protecção das deidades do mato.


            Segundo relatos, se alguém fizer pouco caso de Anhangá, apanha na hora sem saber de quem, como se fosse atacado por alguém armado com um pedaço de pau.
Caçador desprevenido que aproximar-se de Anhangá em forma de veado e tentar abatê-lo, terá uma desagradável surpresa, pois expelindo fogos pelos olhos, o atacará com incontrolável fúria.


            Dizem que se o caçador quiser ter uma caça tranquila, evitando a presença de Anhangá, antes de entrar na mata deve acender foguetes com duas ou três cargas. Se já estiver dentro da mata pode defumar com castanha de caju ou ainda, mais fácil, é fazer uma cruz com madeira da própria mata.

 

            Um caçador que ameaça algum animal, principalmente se for uma fêmea amamentando seu filhote, é perseguido por anhangá.

            Dizem que a muito tempo, um índio insistiu em perseguir uma veada, mesmo vendo que ela estava com a sua cria. No alto de uma montanha, anhangá, com seus olhos vermelhos e ar majestoso, observava a cena.

 

            Com grande crueldade, o índio armou o seu arco e fecha e disparou contra o filhotinho, ferindo o pobre animalzinho. Não satisfeito com tanta crueldade, agarrou  o pobrezinho e escondeu-o atrás de uma árvore. Apavorado, o veadinho gritou pela sua mãe. Ao ouvir os gritos desesperados do filhote, a veada aflita correu na direção da árvore.

            O índio, com sua arma preparada, disparou uma flechada no pobre bicho. Todo alegre aproximou-se do animal caído e para sua surpresa… viu a sua mãe caída no lugar do grande cervo.

            Aos gritos o índio o percebeu que fora vítima de uma ilusão criada pelo grande veado branco. E saiu correndo pela floresta.

 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 00:32
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