Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

27
Nov 09

  

          Teofrasto Paracelso (1493 – 1541), nasceu na Suíça. Se os homens não se medem aos palmos, o seu saber também não. Era de baixa estatura, por azar nasceu corcunda e ainda por cima gago. A sorte não o favoreceu, na infância com três anos de idade, foi atacado por um porco que lhe mutilou os órgãos sexuais.

            O seu pai era médico, ele costumava acompanhar o seu pai pelos povoados, também o observava na busca das plantas medicinais e na sua preparação para a cura dos enfermos.
            As primeiras noções sobre Teologia, Alquimia e Latim, foram transmitidas por seu pai. Ainda muito jovem, foi enviado à escola de Beneditinos do Mosteiro de Santo André. Lá, conheceu o notável alquimista, Eberhard Baumgartner.
            Formou-se nos estudos tradicionais de sua época e seguiu o caminho profissional de seu pai, estudou medicina na cidade de Viena e concluiu os seus estudos em Ferrara. Então, como era hábito dos sábios, deu início as suas viagens, passando pela Áustria, Egipto, Hungria, Tartárea, Arábia e Polónia.
            Em Salzburg, Áustria, tentou estabelecer-se como médico, mas foi expulso da cidade porque simpatizou com agricultores rebeldes. Recebeu o título de cidadão em Strasburg e partiu para Basel. Após vários conflitos com colegas médicos e farmacêuticos e o próprio conselho de medicina da cidade, Paracelso recebeu uma ordem de prisão em 1528, forçando sua fuga da cidade. Em Wurzburg, aprendeu com outros sábios a manipulação de produtos químicos, principalmente com Tritémio, célebre abade e ocultista do Convento São Jorge.
 
            Em 1536, publicou Die Grosse Wundartzney, (Cirurgia Maior), uma colecção de tratados médicos. Escreveu ainda trinta e dois artigos e ilustrações, com previsões de eventos até o ano 2106. Para que seus escritos tivessem uma penetração maior, redigiu todos em alemão, e não em latim, como era o costume.
            Viajou pelo país como uma espécie de médico viajante, e ficou conhecido como "o médico dos pobres" até voltar para Salzburgo em 1540, convidado pelo bispo da cidade. Faleceu em 24 de Setembro de 1541 com apenas 47 anos. A causa de sua morte não foi esclarecida. Uma hipótese é que tenha sido vítima de feridas infeccionadas, ocasionadas quando, embriagado, sofreu uma queda numa taberna. O corpo foi velado na igreja de São Sebastião e, conforme seu último desejo, foram entoados os salmos bíblicos 1, 7 e 30. 
 
            A sua vida sempre foi marcada pela polémica e perturbações devido à sua personalidade pouco adequada àqueles tempos. Esta frase de sua autoria exemplifica: "Ponderei comigo mesmo que, se não existissem professores de Medicina neste mundo, como faria eu para aprender essa arte? Seria o caso de estudar no grande livro aberto da Natureza, escrito pelo dedo de Deus. Sou acusado e condenado por não ter entrado pela porta correcta da Arte. Mas qual é a porta correcta? Galeno, Avicena, Mesua, Rhazes ou a natureza honesta? Acredito ser esta última. Por esta porta eu entrei, pela luz da Natureza, e nenhuma lâmpada de boticário me iluminou no meu caminho".
            Além da medicina, era versado em filosofia e política. Mas seus escritos estão relacionados principalmente com a sua profissão e chegam a mais de 8 mil páginas. Porém, apenas uma pequena parte é conhecida e estudada. A linguagem aplicada na sua obra, é alegórica e difícil de interpretação; um recurso utilizado para que não pudesse ser acusado de feitiçaria pelo inquisitório medieval. Conta-se que certa vez, Paracelso queimou em público diversos livros de Galeno e Avicena, dizendo: "Que toda esta miséria possa ir pelos ares como fumaça".
            Quando queimou publicamente as obras antigas, denunciou a esterilidade dos seus colegas médicos, Paracelco evidenciou o seu propósito de unificar o seu próprio mundo por meios diferentes dos convencionalmente propostos. Pretendia conhecer a verdadeira natureza das coisas através da investigação e não do estudo de obras empoeiradas.
 
            Tais perspectivas arrojadas orientaram a sua atitude crítica no sentido das autoridades clássicas, às quais o passado havia aderido com fé ardente. Paracelso acreditava que a Natureza, ao contrário do homem, não comete erros. Tudo na Natureza partilha da “machina mundí”, construída conforme um plano tão divino. E as várias formas e eventos do mundo corpóreo têm o seu significado profundo e são tantas manifestações do divino.
            Como místico e mago, Paracelso devotou um interesse profundo à prognostificação. Segundo ele, trata-se de uma arte incerta, porque o homem é duvidoso dentro de si próprio. Aquele que sente dúvidas não poderá conseguir nada de certo; aquele que hesita não é capaz de levar o que quer que seja à perfeição. A profecia requer imaginação e fé na natureza. De um modo semelhante, a medicina utiliza a imaginação centrando-se fixamente na natureza das plantas e na cura. Aquele que imagina faz com que as plantas revelem a sua natureza oculta. “A imaginação é como o Sol, cuja luz não é tangível, mas que pode incendiar uma casa. A imaginação governa a vida do homem. Se ele pensar no fogo, incendeia-se; se pensar na guerra, causá-la-á. Tudo depende exclusivamente da imaginação do homem para ser o Sol, isto é, basta-lhe apenas imaginar completamente aquilo que desejar”.  
           
            Paracelso fazia frequentes associações entre Magia e Imaginação. "O visível esconde o invisível, mas apesar disso conseguimos o invisível apenas através do visível", dizia. Nesse caso, magia significa a acção directa sobre as pessoas e todos os seres, sem ajuda da matéria. Ou seja, o mago é capaz de causar efeitos físicos sem ajuda física. No livro Paracelso - Alquimista, Químico, Pioneiro da Medicina, o historiador e filósofo Lucien Braun, cita: "toda natureza invisível se movimenta através da imaginação. Se a imaginação fosse forte o suficiente, nada seria impossível, porque ela é a origem de toda magia, de toda acção através da qual o invisível (de um ou outro modo) deixa seu rastro no visível. A energia da verdadeira imaginação pode transformar nossos corpos, e até influenciar no paraíso...".
            Além disso, o médico suíço reconheceu que a fé fortalece a imaginação. Isso inclui as curas milagrosas atribuídas a ele e que não foram apenas resultado dos medicamentos, mas serviram para influenciar conscientemente a acção da imaginação do próprio paciente, de modo que agisse directamente no desejo de ser curado. Actualmente, há na medicina, o chamado placebo, uma substância sem qualquer efeito farmacológico, prescrita para levar o doente a experimentar alívio dos sintomas pelo simples fato de acreditar nas propriedades terapêuticas do produto. De certa forma, pode-se entender que Paracelso já fazia uso deste recurso há mais de 500 anos. Outro factor interessante de seu raciocínio, é que ele também associava as características exteriores de uma planta a sua função medicinal. Por exemplo, folhas em forma de coração foram recomendadas para doenças cardíacas.
 
 PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 19:44
tags:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
pesquisar
 
favoritos

A ORIGEM DO RISO

mais sobre mim
blogs SAPO