Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

30
Nov 09

 

           No estudo da Parapsicologia é frequente encontrarem-se casos estranhos de pessoas que em determinadas circunstâncias e muito especiais, começaram, de súbito, a expressarem-se em idiomas ou línguas estrangeiras, por vezes múltiplas, que nunca tinham estudado anteriormente.

            Durante muitos séculos, esses factos foram atribuídos à influência dos demónios, através da posse demoníaca e aos espíritos de seres defuntos. Mas nada está mais longe da realidade. Trata-se de um fenómeno maravilhoso do nosso inconsciente, mais um dos que a Parapsicologia estuda e que oferece possibilidades incríveis. Mas analisemos em que consiste e como se classifica cientificamente. O fenómeno da xenoglosia foi assim denominado por Charles Richet, o famoso metapsíquico considerado o pai da Parapsicologia (1880-1935), o sábio francês, professor de fisiologia na Faculdade de Medicina e Prémio Nobel em 1913 pelos seus trabalhos sobre fisiologia: a seroterapia e a anafilaxia. Entre os muitos livros que escreveu, sobre diversos temas, figura o célebre Tratado de Matapsíquica que foi traduzido para dezenas de línguas.
 
            A xenoglosia (do grego xenos = estrangeiro, e glotto = falar línguas) ou dom das línguas, como se lhe chamava antigamente, é um fenómeno um tanto especial, pois embora a xenoglosia propriamente dita costume ser falada, também pode manifestar-se sob a forma de escrita da língua ou do idioma estranho, caso em que temos a escrita automática, uma manifestação do âmbito do inconsciente, que se produz especialmente em certos estados patológicos. É o conhecido fenómeno em que alguns médiuns adquirem a faculdade de falar ou escrever, em estado de transe, um idioma que nunca aprenderam, faculdade essa que nos recorda o “dom das línguas” atribuído a vários apóstolos cristãos. Os casos mais frequentes de xenoglosia são fenómenos puramente mecânicos, consistindo na repetição de palavras ou frases que foram arquivadas no inconsciente. Em determinadas circunstâncias, podem empregar-se várias línguas ao mesmo tempo, todas elas desconhecidas do consciente do indivíduo que realiza a experiência. A esta manifestação, chama-se xenoglosia inteligente. Segundo o padre Oscar g. Quevedo, sacerdote jesuíta, “a xenoglosia fundamenta-se principalmente na pantomnésia e, em segundo lugar, na hiperestesia indirecta do pensamento, embora também admita outras explicações extraordinário-normais e paranormais”. Vejamos um exemplo deste espectacular fenómeno.
 
            Duas crianças afectadas de atraso mental, foram examinadas pela Academia de Investigações Psíquicas de Paris. Ambos se expressavam em qualquer língua, sobre qualquer tema e discutiam abertamente com os especialistas (médicos, psiquiatras, matemáticos, etc.) sobre os factos, nomes técnicos e especialidades que teria sido impossível chegarem ao seu conhecimento por meios normais. Como antes dissemos, as referidas crianças eram atrasadas mentais, mas ali, na Academia, mostravam-se como uns meninos prodígios nunca vistos. O fenómeno apresentava dois aspectos diferentes para o seu estudo. Por um lado, os dois garotos haviam arquivado no subconsciente que, como já dissemos, jamais esquece, tudo o que tínhamos lido, o que tinham visto e aquilo de que tinham ouvido falar na sua presença, retendo-o firmemente. Mas também, por outro lado, as referidas crianças podiam captar os pensamentos dos cientistas que os estavam a estudar, através de hiperestesia indirecta, umas vezes (sinais que se recebem inconscientemente), noutras absorvendo o conhecimento através do inconsciente do médico ou matemático o qual lhes permitia responder-lhes na sua própria língua e utilizar os termos científicos adequados.
            Estas estranhas faculdades que recentemente se descobriram no inconsciente humano, fazem-no compreender por que motivo, em determinadas circunstâncias, as portas que conduzem ao inconsciente ficam abertas a certas pessoas, como aqueles garotos, são capazes de se expressar noutras línguas muito diferentes da sua. Nestes casos enigmáticos, uma vez comprovada a realidade do facto, trata-se de isolar o sensitivo, colocando-o noutra sala, separado das pessoas presentes, e ver-se-á que, geralmente, é incapaz de manifestar as suas extraordinárias faculdades, porque essas pessoas, esses sensitivos, captam unicamente os reflexos sensoriais das pessoas que se encontram presentes, ou seja, captam o inconsciente das mesmas. Ora, se colocarmos novamente o sensitivo junto do médico, do psiquiatra ou do matemático, continuará a falar e a responder às perguntas que se lhe façam sobre qualquer tema científico, por mais difícil que seja, e a utilizar com assombrosa familiaridade a língua dos seus interlocutores. Estes factos estão comprovados e, por muito estranho que nos pareçam, pode-se confirmar que se trata de um fenómeno do nosso inconsciente que outrora era conhecido.
 
 

 

            Vejamos o testemunho escrito do padre Herédia, S. J., num caso de xenoglosia traumática.
            “Uma menina de dez anos sofrera uma fractura de crânio por causa de uma queda. Veio ter connosco uma mulher, muito aflita, temendo que a filhinha estivesse possessa do diabo, pois falava chinês… Fomos ver a menina. Efectivamente, por momentos punha-se a falar numa língua desconhecida para nós.
            - Como souberam vocês que é chinês o que ela fala? – perguntámos.
            - Padre, é porque um chinês que lava a roupa a ouvir falar, disse que é chinês.
            - Pois chama o chinês.
            Após algum tempo, chegaram dos chineses em vez de um.
            - Vocês ouviram esta menina falar? – perguntei-lhes. Um dos chineses fez um sinal afirmativo.
            - Pergunte em chinês quais as flores da Califórnia.
            Um dos chineses fez a pergunta, e a menina desatou a falar com extraordinário desembaraço. A princípio os chineses começaram a sorrir, mas depois ficaram muito sérios.
            - Que foi que ela disse? – perguntei. Um dos chineses respondeu:
            - Duas toalhas de mesa, três fronhas, seis pares de meias, três lenços… e calou-se.
            - Não disse mais nada? – insisti. Um dos chineses não quis responder, mas outro, vendo que eu tirara a carteira para recompensá-los se me dissessem tudo, acrescentou:
            - Disse outras coisas muito feias que não me atrevo a repetir!”
 
            O padre Herédia não teve dificuldades para achar a explicação do prodígio. A pobre menina tinha ouvido dos chineses a lista de peças a lavar a além disso outras palavras que não designavam roupa, nem flores da Califórnia propriamente ditas… O inconsciente arquivou tudo o que ouviu e o estado de inconsciência provocado pela lesão craniana fez com que tudo aflorasse à superfície. Conscientemente, a menina não seria capaz de repetir uma só palavra em chinês. Às vezes, é muito difícil encontrar a origem pantomnésia da xenoglosia, como mostra o seguinte caso de xenoglosia também traumática.
            “Uma velha, num acesso de broncopneumonia, começou de repente a exprimir-se num idioma desconhecido por todos os presentes. Depois comprovou-se que era o industani. A velha desconhecia absolutamente aquela língua. Foram necessárias longas e laboriosas investigações para comprovar, depois de muito tempo, que até à idade de quatro anos, aquela senhora vivera na Índia. Desde aquela data haviam passado 60 anos”
            Como diz Dweshauvers no seu “Traité de Psychologie” ao referir um caso idêntico ao que acabamos de mencionar: “O cérebro funcionou como um fonógrafo”.
 
            Não é muito raro que, no sonambulismo hipnótico, surjam espectaculares xenoglosias, mais ou menos provocados pelo hipnólogo. A inconsciência da hipnose é bastante parecida com outros estados de inconsciência, nos quais o fenómeno surge espontaneamente: febres, transe, narcótico, traumatismo psicofísico.
            “Uma jovem, quase analfabeta, posta artificialmente em estado de sonambulismo hipnótico, recitou um longo trecho oratório em latim, língua da qual ela não sabia sequer uma palavra. Comprovou-se, seguindo as orientações dadas pela mesma hipnotizada, que anos atrás um tio da jovem recitara um dia aquele mesmo trecho perto do quarto de dormir da moça, que então se achava doente.
            Uma mulher em estado de sonambulismo (hipnótico) recitou, sem hesitar, longos capítulos da Bíblia hebraica, apesar de, acordada, não conhecer uma única palavra dessa língua. Descobriu-se que ela simplesmente repetia o que ouvia de um rabino que tinha o hábito de ler a Bíblia em voz alta e do qual fora empregada quando jovem”.
            Durante o estado hipnótico, o inconsciente apresentou com toda a exactidão e vivacidade tudo quanto ouvira uma só vez anos atrás sem nada entender e, possivelmente, ouvido por sensações hiperestésicas.
 
 

 

            Dizemos que há monoxenoglosia quando se fala (ou emprega) uma só língua que o consciente desconhece. Plurixenoglosia, é quando se empregam várias línguas desconhecidas. O fenómeno tem uma enorme espectacularidade. A pantomnésia e a hiperestesia, directa ou indirecta, bastam para explicar muitos desses casos. Um caso de plurixenoglosia, foi muito bem observado pelo Dr. Cadello, de Palermo.
            “Tratava-se de uma jovem de 17 anos, Ninfa Filituto, siciliana. Padecia de uma forte crise de histerismo com sonambulismo espontâneo. No primeiro dia da crise assegurava que era grega, e escrevia com letras gregas, nas frases italianas. É de notar que desconhecia em absoluto o grego… No dia seguinte, falava correctamente o francês, conhecendo desta língua em estado normal só os rudimentos. No terceiro dia falava algo de inglês. No quarto dia da crise, a doente falava correctamente o italiano, que normalmente falava bastante mal e com muito sotaque. Durante esses quatro dias esqueceu, no consciente, completamente o siciliano, seu dialecto natal. No quinto dia, porém, passada a crise, recobra o dialecto siciliano esquecendo por completo os assombrosos progressos feitos em grego, francês, inglês e italiano”.
            Desconhecia absolutamente o grego…”, mas conta que pouco antes da crise, estava folheando uma gramática grega. Pouco tempo é necessário para aprender o vocabulário grego, inclusive conscientemente, com tenho comprovado com meninos. Para o inconsciente, o pantomnésico, bata muito menos tempo. Do francês, só conhecia em estado normal, os rudimentos. Falava correctamente o italiano que normalmente falava mal e com muito sotaque. O estudo do francês e a prática diária de falar italiano e conviver com italianos, foram suficientes para que o inconsciente pantomnésico, aprendesse a falar correctamente essas línguas. “Falava algo em inglês”. Duvidamos dessa afirmação (algo), pois na Itália, país de turismo, haverá alguém que nunca ouviu falar inglês? O Dr. Hnn fez uma crítica muito acertada a esta afirmação temerária do Dr. Cadello.
 
            Não nos referimos, por agora, ao caso em que só o inconsciente aprende a língua. Disso falaremos depois. Referimo-nos, de momento, a um fenómeno menos espectacular, porém, mais frequente; quando também o consciente aprendeu a língua, esquecendo-a depois completamente. Lembrar-se, talvez, de poucas palavras não é lembrar-se de uma língua. Essa língua esquecida, agora é língua desconhecida. Se pois, em determinado momento, surge de novo, temporária ou habitualmente, com pleno sentido “inteligentemente”, o fenómeno pode chamar-se “falar línguas desconhecidas”, ou xenoglosia.
 
            “Benedikt, por exemplo, refere o facto de um oficial inglês que hipnotizado, se exprimiu correctamente em dialecto “walis”, da Polinésia. Aprendera-o quando muito criança, esquecendo-o depois completamente. É muito citado o caso do velho que nascera e vivera alguns anos na fronteira polaca, falando somente o polaco. Ainda criança passara a viver na Alemanha. Chegou a esquecer completamente o polaco. Seus filhos testemunham que, pelo espaço de 30 anos, evidenciou-se que ele esquecera por completo o polaco. O mesmo assegurava frequentemente ele aos filhos que o testemunham. Não obstante, quando teve de submeter-se a uma operação cirúrgica, sob o efeito do clorofórmio durante duas horas rezou, cantou, falou, contou e descreveu mil coisas, somente em polaco. Após ter passado totalmente o efeito do clorofórmio, voltou a esquecer completamente esse idioma”.
            Semelhantes casos não são por demais raros. A língua que alguma vez se aprendeu, mesmo após muitos anos de esquecimento pode ressurgir, até com plenitude.
 

PROF. KIBER SITHERC

 

 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 10:55

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