Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

30
Jan 10

 

             Junto às muralhas de Aveiro vivia Afonso Domingues, um humilde lavrador, muito religioso que trabalhava de sol a sol, não sendo poupado pelo frio, pelo sol e pela chuva. Sujeito a estas intempéries a sua saúde degradou-se com o tempo, chegando mesmo a perder a força nas pernas, deixando de as mexer. Apesar de muito doente e sem poder trabalhar, mendigando pela pelas ruas da vila, nunca perdeu a fé e sempre pediu ajuda.

            Uma noite, enquanto dormia, a porta da casa abriu-se e uma luz muito forte inundou toda a casa. À entrada da porta apareceu uma senhora branca como a neve, mais brilhante que os raios solares, envergando um manto azul da cor do céu. A Senhora, baixou-se segurou-lhe na mão e disse-lhe:
            - Anda comigo lá fora.
            O pobre homem, ainda assombrado, levantou-se e veio para a rua. Foi então que viu a Senhora com o Menino Jesus ao colo, sentada na escada que dava acesso à muralha e que lhe disse:
            - Afonso as tuas preces foram ouvidas, agora vai ter com o Infante D. Pedro e conta-lhe o que viste e ouviste e diz-lhe que está na hora dele cumprir o voto que me fez de construir um convento e que deve ser neste sitio.

            Afonso Domingues, sem hesitação, caminhou até ao palácio do Infante e contou-lhe o sucedido.
            O Infante perante tal milagre e a manifestação da Virgem Maria, logo deu instruções para a construção do convento e em memória do milagre realizado colocou-o sob a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia, entregando o convento à Ordem de S. Domingos.

            Posteriormente foi colocada uma imagem de Nossa Senhora com o Menino ao colo em um nicho na muralha ao cimo das escadas, em memória de uma grande devoção a esta Nossa Senhora da escadinha. Mais tarde, a imagem foi mudada para um nicho no exterior da igreja e em 1976, aquando das grandes obras, foi colocada no seu interior.
            Do convento da Nossa Senhora da Misericórdia, apenas resta a Igreja e muito modificada, que é a Igreja de Nossa Senhora da Glória – Sé da Diocese de Aveiro.
 
PROF. KIBER SITHERC
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 01:17

29
Jan 10

 

            As hostes do Rei Afonso Henriques vieram , em acelerada marcha, do norte ao sul, com desejo de conquistar o Castelo de Leiria que aquele Rei havia edificado, anos antes, e os mouros tinham tomado depois da grande matança da gente portuguesa.
 
            Ao chegar às proximidades de Leiria, que então ainda não era cidade, o Rei dispôs os seus guerreiros a norte do castelo, num montículo, hoje conhecido como Cabeço de El-Rei, donde ia partir para o assalto por aquele lado menos difícil para a tomada da fortaleza.
 
            Devia ser uma alvorada sem brumas a prenunciar um dia de sol claro a refulgir nas pontas das lanças e nas espadas dos soldados portugueses.
 
            Quando todas as tropas estavam já prontas para a arrancada pousou um corvo, no alto de um pinheiro, que começou a agitar as asas com frenesim e a crocitar com alegria. Tal facto muito contentou as tropas do Rei Afonso e mais os entusiasmou por verem nele um sinal de bom agoiro para a empresa que iam cometer: a conquista do Castelo de Leiria.       
           
            Este acontecimento é hoje memorado no brasão da cidade de Leiria, que mostra um corvo em cima dos dois pinheiros que ladeiam a sua torre central.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
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publicado por professorkibersitherc às 23:44

 

            Corria o ano de 1637. Na cidade fronteiriça de Elvas, vivia um jovem fidalgo, de poucas posses, chamado Lopo de Mendonça, conhecido pela sua valentia e porte galante e ainda pela sua influência entre as mulheres. D. Lopo era, por isso, presença assídua em todas as festas das redondezas.
 
            Numa dessas ocasiões, por alturas da feira de Zafra, aconteceu D. Lopo conhecer a mais bela das jovens casadoiras, D. Mência, daquela cidade espanhola. Logo se apaixonaram um pelo outro, passando o moço fidalgo a visitá-la com frequência. Contudo, numa dessas saídas, voltou apreensivo. Ao ser abordado pelo seu amigo D. Álvaro para que se abrisse com ele, contou-lhe que pedira D. Mência em casamento, mas que o pai recusara o pedido, pois ela estava prometida a D. Afonso Ramirez, descendente de uma nobre e riquíssima família.
 
             A jovem tinha sido encerrada num convento enquanto preparavam a boda com o fidalgo espanhol. D. Álvaro ficou pensativo e, como não podia ver o amigo infeliz, logo ali o aconselhou a partir para Zafra para falar com D. Mência. Se ela o amasse verdadeiramente talvez concordasse em fugir com o fidalgo português.

            Assim fez D. Lopo. Era já noite quando chegou ao convento. Pediu para falar com uma das noviças junto de quem D. Mência tinha encontrado algum apoio e expôs-lhe o seu plano. A noviça ficou assustada, mas lá combinou um encontro entre os jovens apaixonados.

            Era uma hora da madrugada quando finalmente puderam falar. As lágrimas corriam pelo rosto de D. Mência, pois julgava não mais ver o seu amado. Estava disposta a afrontar o pai, pois a vida sem D. Lopo representava a morte. Combinaram, então, encontrar-se no dia seguinte à mesma hora. D. Mência subiria à torre; aí estaria D. Lopo à sua espera. Em baixo, um cavalo e um pajem esperariam por eles.
 
            O dia passou e chegou o momento aprazado. O jovem lá estava junto ao convento. Viu a corda pendente da torre e preparou-se para subir. De repente, viu-se rodeado por D. Árias, o pai de D. Mência, e quatro criados. O pajem contratado tinha-o traído. Era um dos criados de D.Árias. Ouviu-se um grito na torre. D. Mência tinha desmaiado. Furioso com aquela emboscada e afrontado com a bofetada que o pai da jovem lhe tinha dado, D. Lopo desembainhou a sua espada e enterrou-a no peito de D. Árias. Depois defrontou-se com dois dos criados do fidalgo espanhol, ferindo-os. Os outros dois fugiram. Aproveitando a confusão, conseguiu fugir de Zafra e atingir Sevilha, onde se alistou numa companhia que partia nesse dia para Nápoles. Queria morrer honradamente, combatendo numa qualquer batalha, pois não conseguia esquecer que assassinara o pai da sua amada.
 
            Um ano passou. D. Lopo regressou a Zafra e procurou D. Mência. A jovem professara naquele mesmo convento de Sta. Clara. Desiludido, angustiado, perseguido ainda pelo espectro de D. Árias, D. Lopo voltou para os campos de batalha e só descansou em paz quando a morte o veio finalmente buscar.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 20:23

 

            A ocupação do local é antiquíssima, remontando aos 3/2 milénios a.C., e nele se encontram vestígios desde o Bronze final até à época romana tardia. Este castelo foi uma das fortalezas mais importantes e mais poderosas da época medieval. O local onde se insere é quase inatingível pela sua elevada altitude, na plataforma de um monte e já no reinado de D. Afonso Henriques era considerado inexpugnável. É constituído por três linhas de muralhas que envolvem o povoado e no interior do recinto principal encontra-se a torre de menagem do castelo medieval, com vestígios de muros, restos, talvez, dos paços do alcaide.
 
            Diz a lenda que D. Fernando quebrou o compromisso de casamento com uma filha do rei de Castela quando se apaixonou por Leonor Teles. A recusa fez com que o rei castelhano desencadeasse uma guerra contra Portugal.
 
            O Minho foi invadido pelo adiantado da Galiza, D. Pedro Rodriguez Sarmento, que se bateu com D. Henrique Manuel, tio do rei português, nos arredores de Barcelos. Os portugueses foram derrotados e entre os reféns ficou D. Nuno Gonçalves, alcaide-mor do Castelo de Faria.
 
            D. Nuno receava que o seu filho entregasse o Castelo de Faria por saber o refém dos castelhanos e resolveu engendrar um Estratagema: pediu ao galego D. Pedro que o Levasse até aos muros do castelo para convencer o filho a entregar uma fortaleza sem resistência.
 
             Chegados ao castelo, D. Nuno pediu para falar com o seu filho, D. Gonçalo, e convenceu-o  a defensor-se mesmo a custo da própria vida. Os castelhanos, vendo-se traídos, mataram logo ali o velho alcaide e atacaram o castelo. D. Gonçalo, lembrando-se das palavras do pai, resistiu heroicamente aos ataques e levou os inimigos a desistirem da luta. Apesar de ser honrado pela sua bravura, D. Gonçalo pediu ao rei D. Fernando autorização para abandonar o cargo de alcaide e tornou-se sacerdote. 
 
PROF. KIBER SITHERC
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 19:50

 

            Almofala foi em tempos terra de Mouros como o indica o significado do seu nome em árabe: "hoste ou arraial de Mouros". Nesses tempos longínquos vivia em Almofala uma jovem muito bela chamada Salúquia que a todos fascinava e trazia presos aos seus caprichos, em completa submissão. Até que um dia um novo governador árabe jovem, bonito e altivo veio chefiar aquela região e a todos pediu obediência completa na organização da defesa na luta contra os cristãos.
 
            Todos baixaram as cabeças, excepto Salúquia que, habituada a não obedecer e a ser obedecida, lhe perguntou se ela também teria de obedecer. O governador inteirando-se do estranho poder de Salúquia, disse-lhe que se não obedecesse seria castigada. Desafiadora, Salúquia disse que se ele ousasse castigá-la seria amaldiçoado e, perante o ousado desafio, o governador mandou que lhe dessem seis vergastadas. Passou algum tempo, durante o qual as invasões cristãs não davam descanso ao governador que, de repente, começou a padecer de dores estranhas que nem os melhores físicos conseguiam curar. Era a maldição de Salúquia que começava a fazer efeito.
 
            Os cristãos estavam agora já nos arredores de Almofala, confrontando-se com os mouros. Salúquia que o castigo tinha amargurado andava pelos campos, vagueando sozinha. Foi então que encontrou um cristão velho e ferido que lhe pediu ajuda. Salúquia recusou porque iria contra as ordens do governador. Quando o cristão lhe perguntou se o governador era cruel, Salúquia surpreendeu-se a si própria ao dizer que era apenas justo. Nesse momento, surpreenderam-na o tom da sua voz e a emoção que sentiu. Foi então que o cristão lhe disse o que o seu Deus lhe tinha dito: apesar de ter amaldiçoado o governador Salúquia amava-o e, pelo seu lado, o governador também a amava e nunca a tinha esquecido. Se Salúquia o ajudasse, o Deus dos cristãos também a ajudaria a reparar o mal que tinha feito com a sua maldição.
 
             A pedido do ferido, Salúquia levou-o a uma fonte próxima e verificou com espanto que as suas águas lhe saravam as feridas. Nesse momento, Salúquia e o cristão ouviram os passos de um cavalo que se aproximava: era o governador que quando os viu se apeou do cavalo. As dores fortes que sentia interromperam as suas primeiras recriminações. Salúquia deu-lhe a beber a água da fonte e começou a chorar, dizendo-lhe que era capaz de dar a vida por ele. O governador, curado das suas dores, abraçou-a e disse-lhe que a amava desde o primeiro momento que a tinha visto, mas o orgulho de ambos os tinha afastado. O cristão desapareceu e Salúquia e o governador viveram felizes para sempre.
 
             Mais tarde, quando aquelas terras foram conquistadas pelos cristãos, foram ambos baptizados. As águas de Almofala continuam ainda hoje, diz o povo, a manter os seus incríveis poderes curativos.
 
PROF.KIBER SITHERC

 

Igreja MatrizTorre das Águias

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 18:50

 

            Esta lenda passou-se no ano de 1166, no tempo em que Évora era ainda a Yeborath árabe, para grande desgosto de D. Afonso Henriques que a desejava como ponto estratégico da reconquista de Portugal aos Mouros.
 
             Geraldo Geraldes, um homem de origem nobre que vivia à margem da lei, era chefe de um bando de malfeitores que habitavam num pequeno castelo nos arredores de Yeborath. Conhecido também pelo Sem Pavor, Geraldo Geraldes decidiu conquistar Évora para resgatar a sua honra e o perdão para os seus homens.
 
            Disfarçado de trovador rondou a cidade e traçou a sua estratégia de ataque à torre principal do castelo que era vigiada por um velho mouro e pela sua filha. Numa noite, o Sem Pavor subiu sozinho à torre e matou os dois mouros, apoderando-se em silêncio da chave das portas da cidade.
            Mobilizou os seus homens e atacou a cidade adormecida numa noite sem lua que, surpreendida, sucumbiu ao poder cristão.
 
            No dia seguinte, D. Afonso Henriques recebeu surpreendido a grande novidade e tão feliz ficou que devolveu a Geraldo Geraldes as chaves da cidade, bem como a espada que ganhara, nomeando-o alcaide perpétuo de Évora. Ainda hoje, a cidade ostenta no brasão do claustro da Sé, a figura heróica de Geraldo Geraldes e as duas cabeças dos mouros decepadas, para além de lhe dedicar a praça mais emblemática de Évora.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 17:01

 

            Esta lenda tem três versões, daí que esteja dividida em três partes.
 
            Perto de Arraiolos, ergue-se um belo solar construído entre os séculos XV e XVI, que tem o nome romântico de Solar da Sempre-Noiva. A maioria dos monumentos desta época que ainda se encontram de pé são monumentos religiosos, como igrejas e conventos, ou então monumentos militares, como fortes e muralhas.
            Este solar, embora em ruínas, é precioso, pois é uma das poucas casas em estilo manuelino que não desapareceu. Conserva ainda elegantes janelas com arcos de ferradura e uma arcaria a que se dá o nome de galilé. 
            A lenda da Sempre-Noiva está associada a esta propriedade, muito antes de existir o solar.  Contam-se pelo menos três histórias com este nome!
 
            A primeira versão da Sempre-Noiva
 
            Curiosamente, esta primeira lenda junta na mesma narrativa as duas tradições de Arraiolos, precisamente os tapetes e a Sempre-Noiva... 
            Ao que parece, no tempo das lutas entre cristãos e mouros, vivia ali uma donzela que ficou noiva em má altura, pois no dia do casamento a vila foi atacada e o noivo teve de partir para o combate.  
            Nesse tempo as guerras prolongavam-se por tempos infinitos e, não raro,  mal acabava uma começava outra!
            Assim, quando passado muitos anos o rapaz voltou e quis casar, a noiva,  contristada por ter perdido a beleza da juventude, demorou a aparecer! E quando os convidados já desesperavam que o casamento se efectuasse, ela apresentou-se coberta com um tapete para ocultar as «marcas do tempo».
 
            A segunda versão da Sempre-Noiva
 
            A segunda Sempre-Noiva chamava-se Beatriz e era filha de D. Álvaro de Castro, irmão da malograda Inês de Castro e primeiro conde de Arraiolos.  Beatriz era uma jovem de fulgurante beleza, não admira pois que um castelhano chamado Afonso de Trastâmara se apaixonasse por ela.
            Mas estes foram tempos conturbados! Portugal estava em guerra com Castela.  
Corria o ano de 1384, Lisboa estava cercada pelos castelhanos. O trono estava vago, e era o mestre de Avis quem comandava a resistência dentro da cidade. Beatriz encontrava-se também em Lisboa e, por qualquer motivo obscuro, o mestre de Avis suspendeu as hostilidades, deixou entrar um nobre espanhol chamado D. Pedro Álvares de Lara e casou-a com ele.
            Esta festa deve ter parecido bastante bizarra aos olhos do povo, que dentro das muralhas sofria os tormentos da guerra!
            Mas visto que decorreram seiscentos anos sobre o incidente, torna-se difícil ajuizar sobre os motivos que levaram as pessoas a proceder assim.  
            De qualquer forma, o casamento não chegou a consumar-se porque o noivo,  regressando com Beatriz ao acampamento dos espanhóis, morreu de peste.  
            Afonso de Trastâmara recuperou a esperança de casar com a sua amada, mas morreu quando pelejava valentemente para a impressionar.
            Depois da luta acabadas e de o mestre de Avis subir ao trono, Beatriz  voltou a viver em Portugal e o rei lembrou-se de a dar em casamento a D. Nuno Álvares Pereira, que tinha ficado viúvo e a quem tinha sido dado o título de segundo conde de Arraiolos. Mas ele recusou.
            E consta que o rei, conversando com ela longamente a fim de encontrar marido que lhe conviesse, acabou por ficar ele próprio cativo da sua beleza! Talvez por isso, não só não voltou a escolher-lhe outro noivo como mandou matar Fernando Afonso que casou com ela secretamente. E mandou-o matar de uma forma cruel: queimado numa fogueira armada na praça pública,  para toda a gente ver.
 
            A terceira versão da sempre-Noiva
 
            Também se chamava Beatriz a terceira Sempre-Noiva. 
            Era filha de D. Afonso de Portugal, arcebispo de Évora, que era um homem cheio de iniciativa. Mandou construir vários conventos e palácios, entre os quais este solar onde ela sempre residiu.
            Esta menina estava noiva de um nobre espanhol, muito vaidoso mas muito medroso também!
            Certo dia, passeando com ele pelos campos, surgiu um toiro tresmalhado que correu para eles. Em vez de a defender, o noivo fugiu a sete pés e foi o maioral quem veio garbosamente em seu socorro.
            Esporeou o cavalo e conseguiu arrebatá-la no último instante! Conduziu-a depois na garupa até casa, e desse abraço ela não se libertou mais. Apaixonara-se irremediavelmente pelo seu salvador. Mas nesse tempo uma menina nobre não podia casar com o seu criado... 
            Beatriz preferiu ficar solteira toda a vida, rejeitando com indiferença os mais ilustres pretendentes.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 16:32

 

                     Conta-se que há muito tempo atrás, existia num local, hoje chamado de Cascais, um castelo, onde vivia um terrível feiticeiro. Um dia, decidiu-se casar, através da sua lâmina de cristal de rocha, escolheu para noiva a mais bela jovem das redondezas.
 
                Quando a trouxeram até si, ficou impressionado porque ela era ainda mais bela do que parecia. Cheio de ciúme, e com medo de a perder, encarcerou a bela jovem numa torre inexpugnável, como se fosse um tesouro valioso. Escolheu para guardião o mais fiel dos seus cavaleiros, precisamente o homem que nunca a vira, para que mais cegamente a guardasse. Este, cheio de curiosidade, um dia decidiu subir até à torre para ver que prisioneiro era aquele que guardava há tanto tempo.
 
                Quando abriu a porta, ficou fascinado com tamanha formosura. Foi aí que começou a visitar a jovem, nascendo dali um grande amor. Decidiram, então, fugir juntos, montados num cavalo branco, cavalgaram pelos rochedos junto ao mar. Esqueceram-se que, apenas... a magia do feiticeiro permitiu-lhe ver tudo, através da sua lâmina de cristal de rocha!
 
                Assim, cheio de raiva, Ele criou uma tal tempestade que fez com que os rochedos por onde os namorados caminhavam se abrissem, como uma enorme boca infernal, que os engoliu para sempre. O buraco nunca mais fechou e começou a chamar-se, popularmente, a “Boca do Inferno”.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
  

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publicado por professorkibersitherc às 14:18

 

            Há muito, muito tempo, havia, numa pequena aldeia japonesa, um casal de velhinhos. Como de rotina, o velhinho ia à floresta catar galhos secos para lenha e a velhinha ia ao rio lavar roupas. Enquanto esfregava as roupas na água, a velha senhora percebeu que um melão vinha flutuando em sua direcção.
            A velhinha apanhou o melão e, junto das roupas, levou-o para casa. Quando seu marido voltou com as lenhas, ela disse:
            – Olha meu velho, encontrei um uri (melão) grande no rio. Vamos comê-lo, que parece gostoso – dizendo isso, a velhinha foi à cozinha e apanhou uma faca para cortar o melão. Mal encostou o corte da faca no melão, ele rachou em dois pedaços. Em seu interior, havia uma bela criança.
 
            O casal ficou muito feliz, porque não tinha filhos e aceitou o facto como um presente divino. Assim, a criança foi chamada de Uriko (filha do melão).
            O bebé cresceu rapidamente, tornou-se uma bonita menina e, mais tarde, uma linda moça. Era muito inteligente e tinha habilidade especial em tecelagem. Asua beleza e habilidade ganharam fama e ela ficou muito comentada pelas cidades vizinhas. Em reverência a sua beleza, as pessoas a chamavam de Hime (princesa), ou de Urihime (Princesa Melão). Então, um rico senhor feudal, ouvindo falar dela, mandou os seus homens para pedi-la em casamento.
 
            O homem velho e sua esposa ficaram contentes ao ouvir que sua filha se tornaria esposa de uma pessoa tão importante.
            Com a aproximação do dia do casamento, os seus pais foram fazer as compras na cidade.
            – Urihime, nós iremos à cidade para comprar o teu enxoval. Deves ficar em casa e não deve abrir a porta e as janelas, mesmo que alguém te chame. Tem cuidado, pois existe uma Yamanbá na montanha e essa bruxa pode aparecer por aqui.
 
            Ela ficou sozinha na casa, trabalhando no tear. A bruxa da montanha viu os velhinhos rumando em direcção à cidade e resolveu fazer uma visita à bela princesinha.
            – Urihime, estás aí dentro? Abre a porta, sou eu, a tua avó.
            – Meus pais me disseram para nunca abrir a porta quando estou sozinha. Em circunstância alguma devo abrir a porta, por isso, obedeço às ordens e não abro a porta.
            – Tu não precisas de abrir a porta toda, basta apenas uma pequena fresta para o meu dedo entrar.
            – Está bem avó, só um pouquinho.
            – Urihime, abre um pouquinho mais, só para a minha mão entrar.
            – Então só mais um pouquinho.
            – Urihime, abre mais um pouquinho, para a minha cabeça entrar.
            – Oh, não! Meus pais vão ficar zangados.
            – Mas, Urihime, eu gostaria de ver o teu rosto. Dizem que és a menina mais bonita do Japão!
            – Está bem, vou abrir somente para sua a cabeça entrar.
            Assim que a cabeça passou pela porta, foi fácil ela entrar na casa. A bruxa da montanha raptou Urihime e a levou para a montanha, deixando-a amarrada num pé de ameixeira. Voltou a correr para casa e trocou a sua roupa suja por uma bela peça do vestuário de princesa.
 
            No dia seguinte, os vassalos do senhor feudal que vieram buscar Urihime com um palanquim e levaram a bruxa disfarçada para o castelo. Como ela foi com um chapéu de véu, não era possível ver o rosto da jovem. No caminho do castelo, quando passaram perto da ameixeira na qual Urihime estava amarrada, os corvos da montanha começaram a gritar de modo estranho:
            – Não é Urihime. Urihime está na montanha. Não é Urihime. Urihime está na montanha.
            Percebendo que havia algo de estranho, a comitiva do castelo examinou o palanquim e descobriram toda a farsa. Urihime foi libertada e a bruxa foi parar na cadeia. Assim, casada com o rico senhor feudal, Uriko tornou-se uma princesa (hime) de verdade.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 01:57

28
Jan 10

 

            O símbolo de Murça é a célebre porca, uma estátua em granito com mais de 2 mil anos que representa afinal... um porco.
            A escultura é um monumento zoomórfico, pensa-se esculpido por uma tribo da época celta, historicamente, a porca é um deus pagão, idolatrado no aspecto sentimental por todas as gentes de Murça. E ai de quem lhe faça mal!
            A porca é de tal maneira adorada, que o povo não permite aos turistas incautos, subirem ou fazerem mal ao animal, os populares saltam-lhes logo em cima, pois são logo desalojá-los e se for preciso levam uma sova e ficarão sujeitos a ficarem com as máquinas fotográficas estragadas. Porque a porca para eles é intocável.
            Não gostam que os forasteiros, gozem com a “sua porca”, pois eles têm logo uma resposta na ponta da língua: “A porca é madrasta para os filhos da terra, mas é mãe para os de fora!”.
 
            Ora diz a lenda, que no século VIII esta povoação e seu termo eram assolados por grande quantidade de ursos e javalis. Os senhores da Vila, apoiados pelo povo, fizeram tantas montarias, que extinguiram tão daninha fera ou a escorraçaram para muito longe. Entre esta multidão de quadrúpedes, havia uma porca (ursa) que se tinha tornado o terror de toda a povoação, pela sua monstruosa corpulência, pela sua ferocidade, e por ser tão matreira, que nunca poderia ter sido morta por caçadores.

            Em 775, o Senhor de Murça, cavaleiro de grande força e coragem decidiu caçar a porca, e por fim às suas artimanhas e realmente conseguiu, libertando a terra de tão incómodo hóspede.

            Em memória desta façanha, se construiu tal monumento alcunhado a “Porca de Murça”, e os habitantes da terra se comprometeram, por si e seus sucessores, a darem ao senhor, em reconhecimento de tal benefício, para ele e seus herdeiros, até ao fim do mundo, três arráteis de cera anualmente, por cada fogo, sendo pago este foro mesmo junto à porca.”
 

            No século XIX, durante o período de 1820 a 1830, época em que o Partido Regenerador e o Partido Progressista alternavam no poder em Portugal, quando o Partido Progressista ganhava,  a porca aparecia pintada de vermelho. Se era o Partido Regenerador que ganhava, a porca aparecia pintada de verde.
            A Porca de Murça é sem dúvida, o monumento mais fotografado de Trás-os-Montes. E apesar de existirem mais 57 monumentos semelhantes espalhados em Trás-os-Montes, a porca de Murça é o maior de todos.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
  

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publicado por professorkibersitherc às 23:01

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