Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

01
Fev 10

 

            Conta-se que D. Afonso Henriques, antes da conquista de Santarém, foi um dia passear para o campo do Arnado, que ficava na margem direita do rio Mondego. Com ele estavam alguns fidalgos-guerreiros, entre os quais Lourenço Viegas, Gonçalo de Sousa e Pêro Pais, seu alferes.
 
            Contou-lhes então o seu projecto de conquistar por assalto a cidade de Santarém. No final da conversa recomendou-lhes que "esta coisa tivessem em grande segredo, sob pena de morte."
 
            De regresso ao paço em Coimbra, o rei ouviu uma velha regateira dizer para as outras:
            - Quereis vós saber o que agora El-Rei com os seus privados falou? Falou com eles como haveriam de tomar Santarém.
            Assim que chegou ao paço, D. Afonso Henriques virou-se para aqueles que o acompanhavam e a quem tinha confiado o segredo e disse-lhes:
            - Grande risco correriam as vossas vidas, se vos tivésseis afastado de mim antes de ouvir aquela mulher, porque sem dúvida pagaríeis com a cabeça o seu dito.
 

PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:01

 

 
            Esta lenda também é conhecida pela “Lenda do Cristo de Montiraz”, que reza assim:
 
            "No reinado de D. Afonso III, o Bolonhês, havia em Montiraz uma bela pastorinha que costumava guardar o seu rebanho nos olivais que rodeavam o convento dos frades pregadores.
             Um elegante e jovem fidalgo da corte do Bolonhês tinha por costume passear a cavalo nas cercanias do convento. Viu a jovem pastora e pasmou de tanta formosura e tão donairoso porte. O fogo do desejo e da paixão incendiou-lhe o coração. Todos os dias passava e sempre saudava a pastorinha que, tímida, Ihe acenava e, logo, baixava os olhos. Com boas maneiras e mansas palavras, aproximou-se da rapariga e falou, como só ele sabia, da beleza da paisagem e da solidão daquele lugar. Quando chovia, recolhiam-se os dois na capelinha. Diante do Cristo crucificado, o fidalgo jurou amor à pobre pastora. Passaram os meses, o ventre da jovem revelava ao povo o segredo daquele amor. Então, ela pediu ao fidalgo que cumprisse a sua palavra. Ele recusou a sua culpa e deixou de aparecer em Montiraz.
 
            Num Domingo, havia missa e pregação na capela dos frades e toda a Corte veio assistir. Após a Comunhão, a pastora, diante de todos pediu ao Senhor Cristo que desse um sinal, que mostrasse quem era o pai do filho que ela trazia no ventre. E, perante o assombro de toda a gente, o braço direito do Cristo soltou-se da cruz e apontou o sedutor que logo pediu perdão e, ali mesmo, foram casados com a bênção do padre capelão."
 
            O Cristo de Montiraz, segundo alguns eruditos, foi o motivo desta lenda palaciana, originária de Todelo, onde existe uma narrativa semelhante em torno do "Cristo de La Veja'', aliás, imagem e lenda que se multiplicam em vários pueblos" da vizinha Espanha.
 
            É uma lenda de temática mística que reforça a crença na intervenção divina a favor dos fracos e dos oprimidos. A imagem que agora se encontra na igreja paroquial de Santa Iria, na Ribeira, é de grande valor artístico. Apresenta o braço direito pendido da cruz e a modelação do dorso, onde é nítida a divisão da linha que contorna as costelas, acentua a antiguidade do trabalho escultórico. Outros elementos, como o alongado das mãos, a falta da coroa de espinhos e os panos alongados do saio, levam os especialistas e colocar a feitura da peça no século XIII, antes dos Cristos de Almoster e do Museu Machado de Castro.
 
            Segundo outras versões, o milagre aconteceu no tempo de D. Afonso IlI, em 1265, ano da morte de S. Frei Gil de Santarém. Época fértil em acontecimentos maravilhosos. Não faltam autores que colocam o Milagre Eucarístico de Santo Estêvão nessa mesma época, no ano de 1266. Nesta corrente de opinião, terá sido o facto milagroso da Pastorinha que deu origem à encomenda da imagem artística do Cristo de Montiraz.
 
            No século XVII, os historiadores de Santarém dão grande desenvolvimento à narrativa milagrosa, registada tanto pelo Padre Inácio da Piedade e Vasconcelos como pelo Padre Luís Montez Mattoso.
 
            Também nas academias e tertúlias do século XVIII, o tema foi glosado, a julgar pelo grosso volume de produções poéticas, umas mais conseguidas do que outras, inspiradas na história da Pastorinha de Montiraz. Dessas poesias, que se encontram nos manuscritos de arquivos bibliotecários, transcrevemos um soneto da autoria de Gaspar da Fonseca, Abade de Tomar:
 
            Fiada em hum cárinho lisongeiro
Bella pastora, quanto bella isenta,
Hum quanto falso amor intenta
Por força acreditar de verdadeyro.
Com simples fé, mas coração inteiro,
Como quem não conhece por attenta
Mais vulgo que o rebenho que apascenta,
Testemunha fazer quer de um cordeyro.
De hum cordeyro que aos olhos se Ihe expunha
Sobre uma cruz, ó quanto assombro abraço!
Se he cauza em que o Juiz foi testemunha.
Do fiel cravo deixando o doce laço
Que bem para a justiça se dispunha,
Pois, na vera Cruz, se move o braço!
 
PROF. KIBER SITHERC

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 18:55

 

            Há também no Castelo de Silves uma lenda de um mouro encantado. Ele apareceria, com o seu chapéu de aba larga, de manhã, na parte norte do castelo, desafiando as pobres lavadeiras que iam lavar roupa. De um modo geral, as lavadeiras faziam-lhe surriada e ele vingava-se desencadeando sobre elas, chuvas de pedra.

            Quando no Castelo foram instaladas as prisões, o mouro desapareceu. No entanto os presos diziam que todas as noites sentiam, pela meia-noite, um estremecimento em todo o Castelo e ouviam, até de madrugada, o mouro remexendo em papéis velhos.
 

PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 14:12

 

            Não muito distante de Moncarapacho existe uma ribeira e nesta um pego denominado o Bum-bum. As lavadeiras do povo costumam ir ali lavar a roupa, escolhendo local apropriado. Há muitos anos foi ali uma lavadeira chamada Maria da Graça. Depois de ter lavado algumas peças de roupa, apareceu-lhe uma criança, vestida de encarnado e com um gorro da mesma cor.
 
            A criança em vez de se aproximar da lavadeira foi sentar-se sobre a roupa já lavada. Indignou-se a pobre mulher com o procedimento do garoto e ameaçou-o; ele, porém, em vez de atender aos conselhos da mulher, começou a cuspir sobre a roupa lavada.
 
            Desesperada do procedimento da criança, saiu à pressa da água e correu sobre ela. A criança, porém, tinha boas pernas, e safou-se com pasmosa agilidade. Chegada a um ponto qualquer desapareceu, sem que a lavadeira percebesse o destino que tomara. Voltou para o pego e foi examinar a roupa, que fora enxovalhada pelo atrevido garoto. Qual não foi o seu espanto, quando, no lugar onde o garoto cuspira, viu dobrões de legítimo ouro! O mourinho encantado recompensara assim os desgostos da mulher.
 
            Conta-se que certa mulher, passou a um sitio próximo do pego e viu o mesmo mourinho ou outro, que com este se parecia, que a chamava para junto de si. Fazia já escuro, pois que havia tempo que o sol descera no seu ocaso, e a mulher resolveu escapar-se-lhe, pondo-se a correr para a povoação.
 
            Em outras ocasiões em sítios diversos tem sido vista uma gentil moura, vestida de branco.
            Nos contos das pessoas idosas figuram muitas mouras encantadas na freguesia de Moncarapacho, mas essas pessoas, receosas da troça moderna, somente os contam ás pessoas da sua intimidade.
 
            No serro de S. Miguel, próximo da mesma povoação, também têm sido vistos mourinhos encantados. Entre tais lendas corre uma relativa ao nome da sede da freguesia. Corre pela tradição que Moncarapacho tirara o seu nome daquele serro, que realmente é assaz alto, mas talhado a pique, e sem um declive. Este serro é conhecido por Monto Escarpado. Diz-se que o primitivo povo ficava junto desse serro e por isso conhecido por Monte Escarpado, que, com o andar dos séculos, se transformou no actual Moncarapacho como uns escrevem, ou Monte Carapacho, como escrevem outros para se não afastar talvez do nome primitivo.
 
            Há outras versões mais modernas, que atribuem aquele nome à circunstância de haver naquele sítio, antes de mais povoados, uma casa, onde habitava uma velha que trabalhava em capachos, que mandava vender. Dizendo-se portanto no princípio Monte dos Capachos
 
PROF. KIBER SITHERC

 

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publicado por professorkibersitherc às 01:34

 

            O serro da Cabeça, acima mencionado, tem cinco quilómetros de extensão e quase treze de largura: principia a nascente da povoação no sítio do Monte do Tesouro e acaba a poente no sítio da Jordana.
 
            Diz uma lenda, cuja origem remonta muitos séculos atrás, que à pessoa que der treze voltas a este serro, pela meia-noite, aparecerá uma formosa moura que lhe ofertará todas as suas riquezas, guardadas no aludido Monte do Tesouro, em recompensa de a ter desencantado com aquelas voltas.
 
            Escusado será dizer que até hoje ainda ninguém ousou realizar tal empresa pois que o medo de andar de noite em terrenos tão povoados de mouros é superior à recompensa prometida. Para encontrar riquezas trabalha-se toda a vida; a troco porem de perder a alma, nem um minuto, respondem os habitantes, vizinhos do sítio, aos que os censuram por não empreender o passeio à meia-noite.
 

PROF. KIBER SITHERC

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publicado por professorkibersitherc às 01:10

 

            No começo do serro da Cabeça, ao lado do mar, existe uma cavidade cercada de pedras, uma espécie da pequena sala, que vai comunicar para um grande algueirão, denominado o Abismo. Esta grande caverna, tem diversas câmaras e diferentes ramificações.
            Como o próprio nome indica, tem uma enorme profundidade, onde não chega a luz do sol, oferecendo a quem a visita um aspecto medonho e horrível.
 
            É tradição corrente entre os habitantes dos sítios vizinhos que aquela caverna se comunica subterraneamente com o castelo de Tavira, comunicação de que faziam uso os mouros no tempo em que dominavam a província do Algarve.
            Junto da caverna têm sido encontrados objectos de uma feição estranha, como machados de pedra polida e outros de origem neolítica, que os habitantes daquela freguesia consideram de origem moura. Estes objectos aparecidos uma ou outra vez têm sido atribuídos ao trabalho manual dos mouros que ficaram encantados depois da expulsão da sua raça.
 
            No mesmo serro e não distante desta caverna, há mais duas, cujas denominações são características - Ladroeira Grande e Ladroeira Pequena. Não será talvez difícil procurar a origem destes nomes, sabendo-se que ali se acolheram em 1833 os malfeitores que assaltavam os pobres moradores dos sítios próximos, servindo aqueles dois antros de verdadeiras cavernas de Caco. No Algoz, povoação do concelho de Silves, há, no sítio do Guiné, uma semelhante caverna, onde por muitos anos se escondeu um grande criminoso conhecido pelo Diogo do Guiné.
 
            Também a voz vaga afirma que nestas estão encantados alguns mouros, fugidos do castelo de Tavira, quando este foi tomado pelo grande D. Paio; assim como também se diz que estas duas cavernas se comunicam subterraneamente com a grande caverna do Abismo.
 
            Existe entre o algarvio a constante tradição que afirma comunicarem todos os castelos da província entre si subterraneamente; e raro será encontrar algum desses grandes algueirões, cavernas ou furnas, que os habitantes dos próximos sítios não digam que se comunicam com o castelo mais próximo.
 
            Como em quase todas as freguesias do Algarve, onde aparecem tais cavernas, em a freguesia de Moncarapacho há a opinião de que os mouros as habitaram em tempo, e que ainda hoje ali se conservam encantados. Para confirmar essa opinião contam-se diversas histórias de indivíduos que foram surpreendidos de noite por aqueles misteriosos seres. As cavernas são para o povo uma espécie de mapa coreográfico dos mouros. Onde encontra uma caverna aí lhe parece ver uma antiga residência mourisca, que ainda hoje conserva como de reféns um triste mouro ou uma formosa moura, mas encantados.
 
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
  

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publicado por professorkibersitherc às 00:37

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