Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

03
Mar 10

 

            Em Vista Alegre, a meio caminho do rio, para o lado da Gafanha (Terras de Bouro), fica a Fonte da Moira, cuja lenda é a seguinte:

             A laje, onde a bica está encravada, ocupa uma superfície aproximadamente a quatro metros, toda ela cobertas de inscrições latinas gravadas. Pois, o povo, quando alguém indaga sobre a fonte, diz que esses dizeres goram ali gravados há muitos e muitos anos — ainda no tempo dos moiros — e contam a história do homem que se servia daquela água.

             Ele vinha de longe. Enchia os odres e lá os ia rolando até à sua casa. Mas, um dia, encontrou a fonte seca. Para a consertar, o homem foi tirando pedras, até que deslocou uma maior, deixando à vista um túnel. Curioso, meteu-se nele, mas não tornou a sair. E a água correu de novo na bica.

             Daí por diante, muita gente viu, em noites de lua cheia ou ao pôr-do-sol, um homem decapitado com a cabeça assente nos joelhos.

 — Foi a moira que o matou, porque ele lhe quis roubar os tesouros — diz ainda o povo da Carvalheira.

             E fecharam, por isso, o túnel com aquela larga pedra; e, desde então, a fonte ficou a ser chamada Fonte da Moira.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 02:21

02
Mar 10

 

O Algarve sempre foi terra de amores e de mouras encantadas.
Esta lenda é cantada pelo povo do Algarve.
 
Essa roseira que vem
Ali florir e chorar,
Diz a lenda que tem
Uma história singular.
 
Abraçada àquela cruz,
Seja verão ou seja inverno,
Ela procura na luz
Morto amor, amor eterno.
 
Porque dizem os antigos
Que, em outros tempos passados,
Eram ali os perigos
Muito grandes, desusados.
 
Era só charneca brava
De espinhos assim tão altos,
Que o vulgo a procurava
De noite, para os assaltos.
 
Nunca floriam as rosas,
Os cravos, o malmequer,
E as fontes, sequiosas,
Acabavam por morrer.
 
Mas porquê? Porque seria
Que tal se passava assim?
Foi o caso: — em certo dia...
A lenda mo diz a mim.
 
Foi o caso... que um rei mouro,
Pai de Aghar, morena linda,
Tinha ali o seu tesoiro
Feito de ouro e prata infinda.
 
Era tamanha riqueza
Guardada para quem fosse
Tão real como a princesa
E de olhar assim tão doce.
 
De quantos ali passaram
Nenhum ao pai agradou;
Os dias longos ficaram
E Aghar com eles ficou.
 
Mas tão triste e tão chorosa,
Tão longe de si, também,
Que a vida lhe foi penosa
Junto do pai e da mãe.
 
Mas um dia, certa vez,
Passou ali, por acaso,
Um valente português,
Cavalgando em campo raso.
 
Era um príncipe real
Solto das lides da guerra,
Que só buscava, afinal,
Paz e amor naquela terra.
 
A paz, talvez não tivesse,
Mas amor então achou,
Nos murmúrios duma prece
Que a princesa ali cantou:
                                   
“Vem donde queiras, amor,
“Lá de longe ou daqui perto,
“Traz-me, às horas do sol-pôr,
“As areias do deserto;
 
“Aquelas areias finas
“Da minha pátria de além,
“Onde as águas peregrinas
“De poucas, sabem tão bem...
 
Era doce, mais que doce
Aquele cantar tão triste,
Que, mesmo assim, talvez fosse
O amargor de quanto existe,
 
Desmontou o cavaleiro,
Nas voltas dessa vereda,
E se alguém buscou, primeiro,
Foi Aghar, numa alameda.
 
Tomou-a, leve, num braço;
Levou-a, depois, consigo;
E cada passo era um passo
Mais longe de qualquer perigo.
 
Mas... numa emboscada feita
Por Allah, que tudo vira,
Ao cristão, alma perfeita,
Pronto, a vida ali lhe tira.
 
Os ladrões, que mouros eram,
À voz de Allah, num momento,
Logo então ali puseram
Uma cruz por alçamento.
 
Também ao lado encantou,
P’ra sempre e de que maneira!,
A mulher que nunca amou,
A moira, numa roseira.
 
Foram os séculos passando,
Hora a hora, dia a dia,
E a roseira, soluçando,
Seus longos braços abria
 
Para a cruz ali plantada,
De modo que nunca mais
Se viu dela despegada
Por abraços tão fatais
 
E inda hoje gente cristã,
Seja verão ou seja inverno,
Vê, ao romper da manhã,
Aquele amor sempre eterno
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
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publicado por professorkibersitherc às 18:41

 

              Esta lenda pastoril é da região de Viseu.
            Conta-se que, desviado da aldeia de Cabriz, já perto do rio Távora e dos castelos que se avistam lá, uma vez um pastor viu uma cabrita a olhar muito para ele. E que aqueles olhos pareciam mesmo olhos de gente.
 
             Ora, como a cabrita não fazia parte do seu rebanho e ele não sabia como tinha ido ali parar, pegou numa pedra e atirou-lha. E que aconteceu então? Aconteceu que, conforme lhe acertou com a pedra… a cabrita desapareceu. Não a viu mais. Dizem que, ao acertar-lhe com a pedra, foi o encanto de uma moura que se desfez.

            É por coisas destas que o povo costuma acreditar que ainda anda por ali a alma da moura Ardínia.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
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publicado por professorkibersitherc às 17:47

  

                         Vejamos o mito urbano das três Marias. 

            Era uma mãe que tinha 3 filhas e isso passava-se num lugar na Praia das Maçãs que se chamava 3 Marias, que é uma Praia chamada as 3 Marias. E a casa chamava-se a casa das 3 Marias. E uma filha era Ana Maria, Joana Maria e outra Teresa Maria, e essa mãe tinha uma ligação estranha com as forças ocultas.
 
            Só que entretanto ela não queria que as filhas participassem nessa actividade porque via que não era saudável para as filhas. Então, colocava as filhas nessa casa (que já era abandonada). E as filhas iam lá dormir enquanto a mãe ia a Sintra, fazer os seus rituais diabólicos.
 
             Só que entretanto o diabo não queria só ter contacto com a mãe, também queria ter contacto com as filhas, por isso, ele começou então a falar através de espíritos naquela casa. E as meninas dormiam lá. Então a casa começou a ficar assombrada. Por causa dos rituais da mãe e por causa delas, que são as 3 Marias.

            É o que contam naquela povoação. Elas nunca mais foram vistas, nem a mãe, só que a casa continua lá e está assombrada. Certas pessoas dizem que acontecem experiências com elas dentro dessa casa, e ao passar na casa ouvem-se barulhos.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
           

 

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publicado por professorkibersitherc às 01:51

 

            A Fuseta, segundo os relatos históricos mais antigos datados de 1572, era conhecida por “Fozeta” (diminutivo de foz) o que teria tido origem no facto de ali desaguar um ribeiro chamado “ribeiro do tronco”.
 
            É descrito como um sítio que pouco a pouco se foi desenvolvendo e aumentando em população até constituir um lugar. Desconhece-se a data em que ali se terá começado a constituir um aglomerado populacional. De início apenas existiam algumas cabanas que serviam para guardar utensílios das armações de pesca que se lançavam naquele local.
 
            Aliás, em 1541 há referências a um Sítio das Cabanas, que depois se uniria ao Sítio dos Moinhos, para formar a Fuseta. O porto de pesca, colorido pelos barcos, assim como a praia e toda a zona ribeirinha, cuja recuperação ambiental foi recentemente premiada, são visitas obrigatórias.
 
             Existem ligações regulares por barco para a ilha da Fuseta-Armona. O passeio pode prosseguir até aos rectângulos espelhados das salinas, as ruínas das atalaias de Torre de Bias, Cumeada e Alfanxina, paralelas à Ria Formosa e ao mar, às nascentes de água dos Olheiros, a norte da Vila, a que se atribuem virtudes medicinais.
 
            Em tempos já lá idos, conta-se que ao pé do mar existiu terra de vinho e de pão
            E que em noites de luar, mulher moura e homem cristão para ali iam se encontrar...
            Vinda do mundo brilhante, a moura não escondia os raios de luz no fundo do coração, Os pedaços de lua na palma da mão e na garganta a voz do mais fino violão!
            E o português? Esse não havia que fosse mais cristão.
            E tinham assim juntinhos, um ao outro, o coração...
            As águas, junto ao ribeiro, cantavam e outro amor nunca se viu...

            Contudo, Állah, sempre vigilante, não deixa cair no esquecimento que não se casaria mulher moura com homem cristão.
             Logo ali os encantou e nasceu Fuseta, terra de vinho e de pão.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
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publicado por professorkibersitherc às 00:53

01
Mar 10

 

            Nas proximidades da Fuseta existem ruínas de diversas torres ou fortalezas, cuja fundação é de uma admirável antiguidade. A poente daquela povoação, sobre uma cumeada que domina os esteiros de Tavira para Faro, encontra-se uma torre redonda, com um diâmetro de dez metros e pouco mais de altura, sem sinais ou quaisquer vestígios de escada por onde se possa subir ao parapeito. A distância de dois quilómetros a noroeste encontra-se outra torre, chamada da Alfaia; a igual distância para oeste existe a torre denominada de Bias e quase a cinco quilómetros fica a torre de Aires.
 
            Várias lendas corriam em tempo, respeitantes às torres, mas quase esquecidas, o do qual apenas existem hoje alguns casos isolados. Os habitantes da Fuseta, na sua grande maioria, operários do mar, vivem mais tempo neste do que em terra, e por isso, têm deixado esquecerem as tradições da sua freguesia. Algumas recordações que ainda conservam têm elas sido alimentadas pelos próprios marroquinos com quem mantêm muitas relações comerciais. Em Marrocos fala-se muito das mouras que aqui ficaram encantadas e as lendas ali são aquecidas por uma imaginação exaltada, própria do clima. Tem certa graça a afirmação dos mouros, que atribuem a sua pobreza de hoje a terem ficado os seus tesouros escondidos na nossa província sob a guarda das mouras encantadas!
 
            Lembram-se ainda de alguns sítios da freguesia de Pechão, onde possuíram, dizem eles, as mais belas propriedades, cujos nomes conservam desde aqueles tempos. É muito vulgar ouvir-se dos seus lábios os seguintes versos:
 
            Três belas têm o Portugal
            Bela Mandil, Bela Salema
            E a mais bela das três
            É a nossa Bela-Curral.
 
            Em relação a uma das torres mencionadas existe a seguinte lenda.
            Havia no tempo dos mouros na torre de Bias uma formosa moura que aliava à sua formosura e riqueza um coração generoso. Uma das suas principais virtudes e que sobressaía entre as mais era a caridade.
 
            O pai da virtuosa moura, se não era propriamente um rico avarento, não via com muito bons olhos as avultadas esmolas em dinheiro, que ela distribuía aos pobres, e por isso, só lhe consentia as oferendas em frutos. É certo que a virtuosa filha em coisa alguma desobedecia às ordens paternas, mas Alá fazia constantemente a partida de transformar os frutos em dinheiro. Indignava-se o pai contra a desobediência da filha, teimava esta em nunca se afastar das suas ordens. Num dia espreitou o pai e viu que sua filha tinha razão.
            Pois, por intervenção de Alá, os frutos se tinham transformado em dinheiro!
 
PROF. KIBER SITHERC
 

  

 

 

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 23:34

 

            Alenquer é uma vila muito linda e tranquila a cerca de 36 km de Lisboa.
            É chamada “Vila Presépio” por se assemelhar a um presépio, com as suas casinhas brancas encavalitadas na parte alta da vila, chamada, por isso mesmo, de “Vila Alta” e, cá em baixo, o rio a atravessar a parte baixa da vila.

            A sua origem perde-se na imaginação dos historiadores e no tempo.
            Damião de Goes, notável alenquerense e cronista de craveira universal, atribui a fundação de Alenquer no ano de 418 da nossa Era.
            Para uns historiadores Alenquer deriva de "Alan-Kerk", que significa Templo dos Alanos.

            Existem opiniões a dar aos Suevos a instituição de Alenquer com o nome de Alankana.
Por sua vez os Túrdulos (gente mais nobre da Lusitânia, segundo Estrabão), são apontados como os primeiros a erguer a Vila, à qual então chamariam Alankerk-Kana. Frei Luis de Sousa, opina que o nome de Alenquer foi Alano-Kerka.
 
            A lenda da conquista de Alenquer aos mouros, como lenda que é, não está provada ter algum fundamento.
            Existem mesmo duas versões da mesma lenda. De qualquer modo, aqui fica, pelo menos como curiosidade:

            Diz uma das versões da lenda que D. Afonso Henriques, nas suas conquistas, deparou com uma cidade, fortemente defendida pelos mouros, dentro das suas muralhas. Resolveu cercá-la, com o intuito de a conquistar, mas os mouros mantinham-se alerta e apresentava-se difícil conseguir os seus fins. Na manhã do dia em que o rei tinha resolvido invadir o castelo, indo o rei cristão com o seu séquito banhar-se no rio e fazer suas correrias, notaram que um cão grande e pardo que vigiava as muralhas e que se chamava "Alão” calou-se e lhes fez muitas festas. El-rei tomando isto por bom presságio mandou começar o ataque, dizendo "O ALÃO QUER, palavras que serviram de futuro apelido à vila.

            Uma outra versão, diz que o cão Alão era encarregado de levar as chaves na boca, todas as noites, pela muralha fora até à casa do Governador e os cristãos aproveitando os instintos do animal, prenderam uma cadela debaixo de uma oliveira à vista do cão que, subjugado por sentimentos amorosos, galgou os muros, entregando assim as chaves aos portugueses.
 
            Estas lendas não têm algum fundamento até agora provado, mas o que é certo é que o brasão da vila, tem um cão, o que parece confirmar a lenda.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
  

kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 02:10

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