Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

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Dez 09

 

 

            Através da História encontramos referências aos mais extraordinários casos de desdobramento involuntário, fenómenos chamados bilocação, quase sempre em pessoas de grande espiritualidade, cujo corpo astral não tinha dificuldades em separar-se do físico. Existem muitas referências de santos e místicos que estavam, ou pareciam estar em dois lugares ao mesmo tempo. Os historiadores latinos, tácito, nos seus Anais e Suetónio em Os Doze Césares, já falam de pessoas que foram vistas ao mesmo tempo em dois locais muito distantes. Em pleno cristianismo, são diversos os eruditos e autores religiosos, entre eles Santo agostinho, que relatam casos extraordinários de bilocação (do latim bis e locus, lugar ou sitio).
 
            Os casos mais conhecidos de bilocação ou desdobramento involuntário são os de Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), Santo António de Lisboa (1195-1231), São Francisco Xavier (1506-1552), São José de Copertino (1603-1663) e Maria de Jesus de Agreda (1602-1665).
            Sobre Santo Afonso Maria de Ligório, o seu biógrafo, J. de Gigord, na sua obra Histoire de Saint Alphonse de Liguori, estudou os factos através dos testemunhos oficiais da causa, instruídos e aprovados pela Sagrada Congregação dos Ritos. Ali se conta como o bispo de Ligório, na manhã de 21 de Setembro de 1774, depois de ter dito missa, se deixou cair numa cadeira e ficou profundamente adormecido. Como se tivesse sofrido um estranho desmaio, permaneceu quase dois dias nesse estado. Um dos seus criados quis despertá-lo, mas o seu vigário geral, D. Nicolás de Rubino, conhecendo o seu delicado estado de saúde, ordenou que o deixasse descansar sem o perder de vista.
 
            Assim se fez, ao voltar a si, Ligório chamou os seus servidores, que não puderam ocultar a ansiedade que sentiam pelo seu estado, visto que tinha passado quase dois dias sem dar sinais de vida. “Julgáveis-me adormecido – observou Ligório – mas não foi assim. Fui assistir ao Papa que morreu”. Efectivamente, o Papa clemente XIV, faleceu em 22 de Setembro, às 13 horas, exactamente no momento em que Ligório despertou.
 
            Não é menos extraordinário o caso de são Francisco Xavier, visto que teve lugar fora de qualquer êxtase. O facto sucedeu em 1571, a bordo do veleiro em que Francisco Xavier navegava para a China. Á noite, a embarcação enfrentou uma violenta tempestade era tal o ímpeto do vento e das ondas que quinze homens decidiram meter-se num barco salva-vidas, crendo que assim teriam mais possibilidade de se salvar daquela tormenta. O resultado foi que o vendaval separou as duas embarcações e em breve se davam por perdidos os quinze homens. Mas Francisco Xavier, que havia ficado a bordo, orando por todos, anunciou que os desaparecidos seriam encontrados ao terceiro dia.
            A predição realizou-se tal como ele prognosticara; a chalupa com os quinze homens foi avistada ao terceiro dia e os homens considerados perdidos subiram para bordo do veleiro, sãos e salvos. O mais extraordinário é que os recuperados afirmavam que deviam a sua salvação às destras manobras levadas a cabo por Francisco Xavier a bordo do salva-vidas, e não acreditavam, como lhes diziam os seus companheiros do navio, que o religioso tivesse estado sempre a bordo do veleiro. A bilocação é a única interpretação de tal facto.
 
            Existem narrações semelhantes sobre todos os santos citados anteriormente.
            De Maria de Jesus de Agreda conta-se que, no decurso dos seus numerosos êxtases, se deslocou para junto dos índios do México que desejava evangelizar.
            Do papa São Clemente I, do século I, conta-se que, encontrando-se em Roma, se deslocou a Pisa, durante o sonho, para consagrar uma igreja a são Pedro, onde todos os fiéis o viram oficiar. Mas ele não se havia deslocado de Roma.
            E Santa Liduvina, a taumaturga de Flandres (1380-1433), que aos quinze anos sofreu uma queda no gelo, partindo uma costela e tendo que guardar o leito até ao final dos seus dias, sempre sofrendo dores horríveis, também se contam bilocações durante os seus êxtases.
 
            Sobre tais factos considerados noutros tempos como milagres, e que hoje caem no campo da investigação parapsicológica, o padre Serafim, nos seus Principes de Théologie Mystique, afirma, seguindo teorias eminentemente religiosas: “A bilocação faz-se apenas de duas maneiras, ou em espírito ou em corpo e alma. Quando tem lugar unicamente em espírito e é acompanhada de aparição, a presença da pessoa é física no sítio onde fica o corpo, e só é representativa no sítio onde tem lugar a aparição, em que o espírito se apresenta visivelmente revestido de um corpo. Quando a bilocação se faz em corpo e alma, a presença da pessoa física encontra-se onde o corpo e a alma se apresentam de uma maneira visível e de um modo representativo no local que a pessoa deixa. No primeiro caso, o corpo que o espírito toma para se tornar visível, representa a pessoa que, fisicamente, está noutro sítio; no segundo caso, o corpo que parece ter ficado e não se ter movido, representa a pessoa por intermédio de um anjo, enquanto a pessoa propriamente dita partiu em corpo e alma”.
 
            Os parapsicólogos e físicos que estudam actualmente estes fenómenos do corpo astral não acreditam na intervenção angélica, nem conseguiram estabelecer o mecanismo exacto que dá lugar a tal fenómeno. Existem muitas teorias e factos demonstrados. Mas, apesar das experiências feitas com indivíduos ultra sensíveis e dotados, o desdobramento do corpo físico é um dos fenómenos mais intrigantes da Psi-Gama e um dos mais sugestivos desafios que o psiquismo continua a apresentar à parapsicologia.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 00:10

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