Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

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Dez 09

 
            Na dinastia de Schang, muitos anos antes de Cristo, vivia em terras da velha China uma formosíssima donzela, muito rica e cheia de virtudes.
            Um dia, o pai, que de manhã cedo partira a cavalo, desapareceu misteriosamente. A virtuosa menina chorou amarguradamente, vestiu-se de luto carregado, e recusou-se a receber fosse quem fosse antes de tornar a ver o pai. Os ladrões da vizinhança diziam não o ter visto, os sacerdotes juraram que ele não tinha morrido, mas passou-se um ano sem saberem notícias dele. A mãe, torturada pelas saudades e pelo desgosto, prometeu que daria a mão de sua filha a quem lhe descobrisse o marido.

            Os mancebos da terra partiram, alvoroçados, atravessaram rios e vales, mas tudo foi inútil. Começavam todos a desanimar, quando o cavalo, que naquela malfadada manhã tinha levado seu dono e voltado sozinho, saiu a galopar pelos campos, trazendo o velho senhor há tempo perdido. A satisfação foi geral, fizeram festas e mais festas, apenas o pobre cavalo foi deixado triste e só na cavalariça. Deixou de comer e o seu ar de sofrimento fazia chorar as pedras.

            Intrigado com tal atitude, o velho quis saber o que se passava, e quando a mulher lhe contou a promessa que havia feito, mandou que se dobrasse a ração ao bicho, pois nada mais poderia fazer. As promessas de casamento cumpriam-se, mas não quando se tratava de animais. O certo é que o cavalo nunca mais tornou a comer, e quando a menina passava perto dele ficava fora de si, demonstrando grande nervosismo. A tal ponto chegaram as coisas que resolveram matá-lo com uma flecha.

            Depois de morto e esfolado, puseram a pele a secar, pendurada numa árvore, mas ao passar por ali a formosa donzela sentiu-se envolvida pelos restos do cavalo amoroso, e foi levada pelos ares. Dias depois apareceu a pele estendida em outra árvore, uma árvore estranha, completamente desconhecida, de cujas folhas se alimentava uma pequena lagarta. Foi assim que a menina linda e virtuosa transformou-se em bicho-da-seda.

            Os anos passaram, e um dia apareceu aos pais, já muito velhinhos, montada no tal cavalo, e disse-lhes que era feliz e habitava um outro mundo.
 
PROF. KIBER SITHERC
 

 

 

 

 

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publicado por professorkibersitherc às 22:48

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