Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

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Dez 09

            Iria nasceu em Nabância, cidade que se crê ter existido próximo de Tomar. Seus pais eram nobres e, da educação que recebeu, nasceu-lhe o desejo de servir Cristo; assim, logo que atingiu idade suficiente, entrou para um mosteiro governado por um seu tio, o abade Célio. No convento completou a sua educação através de Remígio, um douto monge.
            Nessa época era senhor de Nabância o príncipe Castinaldo, o qual tinha um filho de nome Britaldo, cavaleiro corajoso, bom e leal.
            A jovem Iria era lindíssima e, uma vez em que atravessava Nabância em procissão com as outras monjas, foi vista por Britaldo que, encantado pela sua formosura, se apaixonou imediatamente. E de tal forma que perdeu o apetite, o sono, a alegria e quase enlouqueceu. Acabou por cair doente e nem o físico nem o boticário conseguiram achar remédio apropriado para curar aquele estranho mal. 
 
            Em sonhos, Deus apareceu a Iria e contou-lhe a desgraçada doença do jovem Britaldo, revelando-lhe ser ela a causadora da enfermidade. Ao acordar, a monja decidiu ir visitar o infeliz ao palácio e tentar dissuadi-lo daquele amor. Assim, depois de rezar as matinas à beira do rio Nabão, como era seu costume, a monja dirigiu-se a casa de Castinaldo a pedir permissão para visitar Britaldo.
            Pousando docemente a usa mão na testa escaldante do enfermo, Iria tentou dissuadi-lo do sentimento que lhe havia inspirado, já que ela se prometera a Deus e jamais faltaria à promessa feita. O cavaleiro fê-la, então, prometer que nunca daria a outro o amor que a ele negava. Iria prometeu e, fazendo-lhe o sinal da cruz na testa, esperou que Britaldo adormecesse e saiu de mansinho, deixando o cavaleiro de novo cheio de saúde.
 
            Passou-se o tempo e, dois anos depois, veio a apaixonar-se por Iria o velho preceptor, Remígio. A monja repeliu-o, primeiro docemente, mas por fim, dada a sua insistência, foi obrigada a usar de áspera severidade. Ferido nos seus desejos, Remígio jurou a si mesmo vingar-se da virgem que assim desprezava os seus favores.
            Muito dado às experiências alquímicas, Remígio, preparou no seu laboratório uma beberagem que, na manhã seguinte, conseguiu que Iria bebesse misturada na sopa do almoço. Algum tempo depois começou a sentir-se vingado: Iria engrossava como se grávida estivesse.
             Segura de si, a virgem, não atinando com a causa do que lhe acontecia, continuou fazendo a mesma vida rotineira do mosteiro. Redobrou, porém, as orações e os cilícios, tentando desse modo provocar uma explicação de Deus para o fenómeno. Mas Britaldo, vendo apenas os efeitos exteriores da poção mágica, sentiu-se traído e decidiu matar Iria.
 
             Incumbiu então um soldado de acabar com a monja, e, conhecendo o seu hábito de rezar matinas à beira do Nabão, mandou o homem esperá-la no local onde de costume se recolhia em oração. Ali a encontrou, pois, o soldado na madrugada de 20 de Outubro de 653. Ali a degolou com uma espada, atirando em seguida o cadáver ao rio.
            Na manhã seguinte, Iria não apareceu e, imediatamente, começou a correr a notícia de que fugira com Britaldo. Mas Deus é grande e, por isso, revelou a Célio a verdade do acontecimento. Este, por sua vez, mandou reunir o povo na igreja e contou-lhe toda a verdade. Inflamado pelas palavras do abade, o povo, juntamente com monjas e monges, iniciou a busca do corpo de mártir.
            Começaram primeiro buscando no Nabão, depois passaram ao Zêzere e, por fim, procuraram no Tejo. Estavam quase a desistir das buscas quando, perto de Scalabis, se lhes deparou um sepulcro de mármore branco onde milagrosamente estava encerrado o corpo incólume de Iria. Quiseram retirá-lo, mas as águas, que tinham baixado de repente para mostrar o túmulo, voltaram a subir, cobrindo para sempre o sepulcro da mártir.
            A tradição medieval acrescenta que, desejando a Rainha Santa venerar o túmulo de Santa Iria, as águas do Tejo tornaram a retirar-se milagrosamente para que lhe fosse possível orar sobre a laje de mármore. Em agradecimento a Deus e à Santa, D. Isabel mandou erigir, ao lado do túmulo, um padrão que assinalasse para sempre o local. Ainda hoje, sucessivamente restaurado, aí se encontra essa marca.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
 

 

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publicado por professorkibersitherc às 20:29

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