Esoterismo, Lendas, Mitos, Parapsicologia, Auto-Ajuda. kiber-sitherc@sapo.pt

29
Jan 10

 

            Há muito, muito tempo, havia, numa pequena aldeia japonesa, um casal de velhinhos. Como de rotina, o velhinho ia à floresta catar galhos secos para lenha e a velhinha ia ao rio lavar roupas. Enquanto esfregava as roupas na água, a velha senhora percebeu que um melão vinha flutuando em sua direcção.
            A velhinha apanhou o melão e, junto das roupas, levou-o para casa. Quando seu marido voltou com as lenhas, ela disse:
            – Olha meu velho, encontrei um uri (melão) grande no rio. Vamos comê-lo, que parece gostoso – dizendo isso, a velhinha foi à cozinha e apanhou uma faca para cortar o melão. Mal encostou o corte da faca no melão, ele rachou em dois pedaços. Em seu interior, havia uma bela criança.
 
            O casal ficou muito feliz, porque não tinha filhos e aceitou o facto como um presente divino. Assim, a criança foi chamada de Uriko (filha do melão).
            O bebé cresceu rapidamente, tornou-se uma bonita menina e, mais tarde, uma linda moça. Era muito inteligente e tinha habilidade especial em tecelagem. Asua beleza e habilidade ganharam fama e ela ficou muito comentada pelas cidades vizinhas. Em reverência a sua beleza, as pessoas a chamavam de Hime (princesa), ou de Urihime (Princesa Melão). Então, um rico senhor feudal, ouvindo falar dela, mandou os seus homens para pedi-la em casamento.
 
            O homem velho e sua esposa ficaram contentes ao ouvir que sua filha se tornaria esposa de uma pessoa tão importante.
            Com a aproximação do dia do casamento, os seus pais foram fazer as compras na cidade.
            – Urihime, nós iremos à cidade para comprar o teu enxoval. Deves ficar em casa e não deve abrir a porta e as janelas, mesmo que alguém te chame. Tem cuidado, pois existe uma Yamanbá na montanha e essa bruxa pode aparecer por aqui.
 
            Ela ficou sozinha na casa, trabalhando no tear. A bruxa da montanha viu os velhinhos rumando em direcção à cidade e resolveu fazer uma visita à bela princesinha.
            – Urihime, estás aí dentro? Abre a porta, sou eu, a tua avó.
            – Meus pais me disseram para nunca abrir a porta quando estou sozinha. Em circunstância alguma devo abrir a porta, por isso, obedeço às ordens e não abro a porta.
            – Tu não precisas de abrir a porta toda, basta apenas uma pequena fresta para o meu dedo entrar.
            – Está bem avó, só um pouquinho.
            – Urihime, abre um pouquinho mais, só para a minha mão entrar.
            – Então só mais um pouquinho.
            – Urihime, abre mais um pouquinho, para a minha cabeça entrar.
            – Oh, não! Meus pais vão ficar zangados.
            – Mas, Urihime, eu gostaria de ver o teu rosto. Dizem que és a menina mais bonita do Japão!
            – Está bem, vou abrir somente para sua a cabeça entrar.
            Assim que a cabeça passou pela porta, foi fácil ela entrar na casa. A bruxa da montanha raptou Urihime e a levou para a montanha, deixando-a amarrada num pé de ameixeira. Voltou a correr para casa e trocou a sua roupa suja por uma bela peça do vestuário de princesa.
 
            No dia seguinte, os vassalos do senhor feudal que vieram buscar Urihime com um palanquim e levaram a bruxa disfarçada para o castelo. Como ela foi com um chapéu de véu, não era possível ver o rosto da jovem. No caminho do castelo, quando passaram perto da ameixeira na qual Urihime estava amarrada, os corvos da montanha começaram a gritar de modo estranho:
            – Não é Urihime. Urihime está na montanha. Não é Urihime. Urihime está na montanha.
            Percebendo que havia algo de estranho, a comitiva do castelo examinou o palanquim e descobriram toda a farsa. Urihime foi libertada e a bruxa foi parar na cadeia. Assim, casada com o rico senhor feudal, Uriko tornou-se uma princesa (hime) de verdade.
 
PROF. KIBER SITHERC
 
 
 
kiber-sitherc@sapo.pt
publicado por professorkibersitherc às 01:57

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